Conheça o caso do ipatinguense que morreu nas Ilhas Seicheles

Família aguarda há mais de um mês traslado do corpo de Mozart José de Sá, que teve morte natural em um dos lugares mais bonitos do planeta

Álbum pessoal


Faltou apenas um país para Mozart José de Sá atingir sua meta de realizar 100 viagens

Nessa quarta-feira (20) completaram-se 35 dias que a família do ipatinguense, Mozart José de Sá, luta para fazer o traslado internacional do seu corpo e sepultá-lo em Ipatinga. O mineiro morreu nas ilhas Seicheles (arquipélago localizado no Oceano Índico, perto da costa leste da África). As ilhas recebem turistas do mundo todo, atraídos pela água de cor azul e pelo clima tropical.

Foi conhecendo um paraíso que Mozart, de 53 anos, morreu de causa natural, conforme seus familiares. Ele trabalhava como engenheiro na Copasa, em Belo Horizonte e morava no bairro Novo Cruzeiro, em Ipatinga, com seus pais, José Mozart de Sá e Maria Dalva de Sá.

Em entrevista ao Diário do Aço nessa terça-feira (19), a irmã do ipatinguense, Dalva Elyda de Sá, de 61 anos, relatou a dificuldade de conseguir fazer o traslado internacional devido a questões burocráticas do país africano e o sofrimento da família com essa demora. Associada a essa situação, o pai, idoso, está hospitalizado com problemas de saúde.

Conforme Dalva, seu irmão viajou acompanhado de uma amiga com destino à ilha Praslin, que pertence a Seychelles e fica ao norte do arquipélago, no dia 5 de outubro. A previsão do retorno era para o dia 21 de outubro. “Entretanto, no dia 17 do mês passado, recebemos a notícia, por meio da amiga de Mozart, que ele havia falecido por causa de um ataque cardíaco. Ele foi encontrado morto dentro do seu quarto”, lamentou.

Dalva Elyda explica que, a partir deste dia trágico, a família começou a correr atrás dos trâmites legais para realizar o traslado internacional, porém, até o momento, não teve sucesso nesse processo.

“Sempre ficamos sabendo de histórias de pessoas que morreram fora do país, mas nunca ouvimos relatos acerca da demora para realizar o traslado internacional. Já se passou mais de um mês e até agora nada. Antes de ir para Seychelles, ele havia feito o seguro-viagem, na Espanha. Então, nesse caso, o problema está relacionado às questões burocráticas para o traslado. Recebemos frequentemente e-mails da seguradora, da embaixada brasileira e da funerária responsável, mas mesmo assim, o caso não tem avanço”, detalhou.

Para se ter ideia das dificuldades envolvidas na operação, o caso é tratado pela representação diplomática do Brasil mais próxima do local onde Mozart morreu e que fica na Tanzânia, distante 2.287 quilômetros aéreos de Seicheles.

Preocupação
Por causa da demora na liberação do corpo de Mozart, a preocupação da família só aumenta. “Estamos cheios de interrogações. Ficamos sem saber a situação do corpo dele, se está sendo cuidado durante todo esse tempo. Não entendemos essa demora, porque não foi morte de assassinato, nem de acidente. Foi uma morte natural, então não tem motivo para ter toda essa demora”, relatou Dalva.

Diante da falta de respostas, Dalva contou ao Diário do Aço que a família passa por um sofrimento psicológico todos os dias. “Minha mãe fica preocupada 24 horas. Estamos todos angustiados. Se continuar assim, daqui a pouco estaremos todos indo para o hospital, porque não damos conta. O nosso psicológico vai ficando cada vez pior, está muito difícil. Portanto, queremos despedir dele com dignidade e enterrá-lo em Ipatinga”, disse a irmã.

Meta de 100 viagens
Dalva Elyda também ressaltou que seu irmão sempre foi uma pessoa autêntica, honesta e que gostava de conhecer novos lugares. “A meta dele era viajar para 100 países. Faltava apenas um para completar essa meta, feito que iria ocorrer na próxima viagem dele, marcada para março, para Madagascar. Ele gostava muito de conhecer outras culturas. O destino preferido dele era a África. Então ele faleceu fazendo o que gostava mesmo”.

Altruísta
Uma das características marcantes de Mozart era seu comportamento altruísta, conforme lembra sua irmã. “Ele toda vida foi um menino muito honesto e leal, cheio de amizades. Inclusive, o bairro Novo Cruzeiro ficou praticamente parado quando ele morreu. A missa de sétimo dia ficou lotada. Ele sempre foi uma pessoa da comunidade, participava muito de ações sociais. Ele tinha o hábito de ajudar o próximo. Acredito que meu irmão cumpriu com sua missão aqui na terra. Agora queremos despedir dele”, pontuou. (Tiago Araújo - Repórter)
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Comentários

Cidadão 20 de Novembro, 2019 | 22:46
Com certeza estão esperando propinas, enquanto alguém não for lá com uma grana boa pra subornar todo mundo que precisar, não liberam o corpo. De certa maneira, a corrupção que impera nesse país é um herança compreensível.

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