Ensino passará por reorganização do atendimento, afirma superintendente

Edvania Andrade explica que um esforço conjunto terá de ser feito, mas que alunos não ficarão sem vaga

Wôlmer Ezequiel


A superintendente de ensino recebeu o Diário do Aço e falou sobre as alterações

A superintendente regional de Ensino, Edvania de Lana Morais Andrade, recebeu o Diário do Aço e explicou que as mudanças propostas para a Educação em Minas Gerais para 2020 dizem respeito à organização do atendimento, mas não classificou as alterações como municipalização. Ela acrescenta que o estado tem trabalhado visando à legislação que versa sobre o limite máximo de alunos por sala de aula. Nas últimas semanas, os prefeitos de diversas cidades se manifestaram sobre sua preocupação com a migração de alunos da rede estadual para a competência do município, classificando como uma municipalização velada.

Os prefeitos disseram que detectaram cortes de turmas no plano de atendimento encaminhado às escolas estaduais.
Conforme Edvania, as escolas estavam ultrapassando o limite, por tuma, de estudantes permitido pela legislação e que muitas tem uma metragem (capacidade física) diferenciada. Foi detectada a necessidade de reorganizar o atendimento. Em algumas unidades de anos iniciais, salas que comportam 25 alunos estavam com 34.

Em Ipatinga, por exemplo, Edvania relata que seis escolas - Almirante Toyoda, Doutor Ovídio, Engenheiro Márcio Cunha, Chico Mendes, Elza de Oliveira Lage e João Walmick -, que hoje ofertam o ensino fundamental e continuarão a ofertá-lo, mas não terão turmas de entrada (1º ano) em 2020. “A preocupação da escola e da prefeitura é que se não existe uma turma de entrada do 1º ano, em 2021 não haverá um 2º ano. A responsabilidade inicial é do município, o estado precisa de novas ofertas, de abarcar mais os anos finais e por sua vez dar conta do ensino médio. Entendo a Prefeitura de Ipatinga, a rede é grande. E tem que crescer no atendimento da educação infantil, que é só dela. O ensino médio é do estado e esse trabalho de parceria ocorre no fundamental, mas prioritariamente os anos iniciais são com a rede municipal”, pontua.

Ela salienta que existem metas, do plano nacional, estadual e municipal. “Do ensino fundamental é de atendimento 100%, e a Secretaria de Educação já colocou nas discussões sobre o plano de atendimento que nenhum estudante vai ficar sem escola. O poder público, seja ele qual for, não pode deixar de ofertar a educação básica. Em alguns lugares, como não vamos ter atendimento na entrada por causa da capacidade física, podemos aumentar em outras. Mas temos de identificar o que realmente vai constituir dificuldade, vamos ter que sentar, estado e município e resolver o que disso for apurado como real dificuldade”, vislumbra. Tal avaliação sobre as dificuldades de cada escola terá de ser feita de imediato, antes do início do ano letivo.

Repercussão
Sobre as mudanças, a superintendente diz entender que a organização do estado repercute sim no município. “E volto a dizer, o município tem escolas cheias e o estado também, assim como nós temos vagas em algumas áreas e o município também. Precisamos identificar aonde teremos problemas reais, como de zoneamento, onde uma escola não terá entrada e também não tem outra municipal próxima. Temos casos ainda como o da Escola Elza de Oliveira Lage (Chácaras Madalena), que mesmo usando uma sala na igreja, está com todos os espaços contados e sem entrada de 1º ano. Temos o João Walmick, na Vila Ipanema, usando auditório em dois horários. Então, dentro da organização que está sendo proposta, em Ipatinga terá dez turmas e 250 estudantes, em média, repassados ao município”, estima.

Sobre a preocupação em relação ao atendimento, Edvania salienta que o estado tem que otimizar as suas ferramentas de gestão. “Vamos poder ficar sem atendimento do ensino fundamental? Não. Vamos ter de achar uma solução conjunta? Sim. Muita coisa vai ser acomodada por si só, porque quando verificamos tem muito menino de outros locais. Temos quem resida no Amaro Lanari e estuda no Dom Helvécio e no Márcio Cunha, assim como de Santana do Paraíso e que estuda em Ipatinga. Diante dessa dificuldade, a matrícula terá de ser feita com maior cuidado. Mas nenhum aluno vai ficar sem ser atendido. Agora, a reorganização do atendimento terá de ser feita”, frisa.

Preferidas
O que ocorre em muitos bairros é de os pais e alunos terem uma escola preferida. Nessa lista estão Márcio Cunha (Horto), Toyoda (Cariru), João XXIII (Iguaçu), dentre outras. “Muitas vezes a vaga não vai ser disponibilizada nessa escola e o zoneamento tem de ser olhado, mas o aluno não ficará sem a vaga, seja na escola estadual ou municipal. O estado tem seus motivos para rever o atendimento, seu objetivo de melhoria da oferta. Sabemos e respeitamos a preocupação e sabemos que traz sim insegurança, mas vamos continuar conversando com a secretaria municipal, que está fazendo esse levantamento dos pontos críticos, a partir dos questionamentos que levamos nesta quinta-feira (14), sobre quais zoneamentos estão constituindo pontos críticos e irá demandar um olhar mais atento e vamos trabalhar para buscar uma solução conjunta”, destacou a superintendente.

Municipalização
Questionada se o estado mantém tratativas sobre municipalizar o ensino, Edvania Andrade afirma que nos anos iniciais a legislação prevê que o ensino seja ofertado prioritariamente pelo município. “Agora, quando a gente faz o plano de atendimento, perguntamos se o município tem interesse. O estado não nos incumbiu de fazer essa proposta, mas muita coisa vai se acomodar automaticamente. Se não teve entrada, ano que vem vai ter fluxo aquela escola? Agora aquela que aumentou, teve entrada maior e vai ter um fluxo maior de estudantes ano que vem. Tivemos desmembramentos e aumento de turmas. Não teve entrada aonde? Onde não tem capacidade física. Mas temos de discutir com responsabilidade, toda mudança de dinâmica gera insegurança, transformação. As coisas vão se acomodar, mas nesse momento vamos ter de abrir o diálogo, analisar os dados, a forma de organização do nosso atendimento e verificar o que temos de aperfeiçoar para garantir que todo estudante tenha a sua vaga”, conclui a superintendente. (Repórter - Bruna Lage)
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Comentários

Heitor Souza Lopes 20 de Novembro, 2019 | 18:31
Só uma dúvida: na reportagem a superintendente está falando de superlotação nas escolas e quer diminuir a quantidade do ensino do 1° anoe consequentemente diminuindo a quantidade de sala, e afirmando em garantia de que todos os alunos terão matrículas garantidas? Como? Se as escolas municipais estão cheias , eles vão construir mais salas? Outra coisa, no bairro onde eu moro não tem escola Municipal, tenho filhas gêmeas, vou ter que pagar topique ( quase 300 reais as duas) pra minhas filhas estudarem? Alguém pode me responder essas perguntas?
Gildázio Garcia Vitor 19 de Novembro, 2019 | 15:06
Me identifiquei com o comentário do Sr. Arthur, pois fiquei na "teta" do estado de MG por 32 anos e 8 meses, comecei com o Governador Tancredo, o vô do Aécio, e aposentei com o Pimentel; estou na "teta" da Prefeitura de Ipatinga desde 2014, comecei com a "Chica" Ferramenta, passei pelo Quintão e estou com o Nardyello. Em todos esses anos conquistamos alguns direitos e uma pequena melhoria salarial e nas condições de trabalho, resultado das lutas de todos os Professores e demais servidores que atuam na Educação, e não só dos meus companheiros "vermelhos" que gostamos de uma "teta" pública. Sobre esta polêmica municipalização "goela abaixo", isto é, sem diálogo, do governador Zema, do partido Novo, acredito que os prefeitos, como, por exemplo, o Nardyello, estão certíssimos ao não aceitarem esta imposição e convocarem a comunidade para o debate. Além das "tetas" públicas, já passei por algumas escolas particulares, em uma delas, do Bairro Cariru, estou completando 27 anos, apesar da minha mediocridade.
José de Arimatéia Lopes 18 de Novembro, 2019 | 23:15
Esse Artur com certeza é um analfabeto funcional....um idiota; não o que e do que está falando.

Regina 18 de Novembro, 2019 | 18:15
Será a roleta do Zema. Ou loteria do Zema. A gente vai matricular nossos filhos e ele vai enviar nossos filhos pra onde ele quiser. Que total falta de respeito com a população. A gente não vai ter direito nem de optar por tentar dar uma escola melhor para os nossos filhos. Daqui uns dias vai fechar todas as boas escolas. Isso é loucura! Essa superintendente não tem filhos? Se tem, ela colocaria em qualquer escola?
João Paulo 17 de Novembro, 2019 | 17:53
O povo não vai esquecer disso nas próximas eleições pra governador de Minas. Zema que nos aguarde. Os servidores da educação, esculachados por esse governo até na hora de escolher quem tem o direito de receber primeiro, vão se lembrar disso.
E se o prefeito não fizer nada, também será lembrado na próxima eleição pra prefeito.
Laila 17 de Novembro, 2019 | 08:58
Que tristeza! Quando achamos que a educação está ruim, vem essa senhora pra piorar.
Maria das Graças Batista Lima 17 de Novembro, 2019 | 06:51
Qual teta? a aquela que o professor pega ônibus, anda de escola em escola , para tentar uma vaga para trabalhar precariamente seu demente.Não tem a melhor idéia da vida de um professor que luta o ano inteiro correndo atrás de uma vaga de trabalho.
Aline Alves 17 de Novembro, 2019 | 06:22
Que absurdo! E nós funcionários? Como ficamos? E as crianças? As famílias? A comunidade escolar não será ouvida? Essa senhora está se achando a dona da razão e acabando com a educação no Vale do Aço.
Maria de Lourdes 16 de Novembro, 2019 | 18:06
A Edvania está ficando doida. Ela quanto superintendente deveria estar fazendo o contrário disso. Como vai ficar meu filho se a escola fechar? Só faltava essa. Vai ficar pra história como a superintendente que acabou com as escolas que prestavam na cidade. Dá vontade de chorar quando vejo a escola onde estudei sendo tratada desse jeito.
Renata Oliveira 16 de Novembro, 2019 | 17:15
Esse povo ainda diz que quer organizar o atendimento? Onde minha filha vai estudar? Moro do lado de uma dessas escolas. Fiz o cadastro escolar e agora recebo essa notícia.
O governo ou a superintendente vai pagar topic pra minha filha? Porque eu não tenho condições. Que absurdo. Vão enviar minha filha pra longe, pra uma escola que eu não quero e que não tem qualidade. Que tristeza! Eu não tenho acesso a escola particular e agora não terei acesso a escola pública.
Elaine 16 de Novembro, 2019 | 15:55
Estou indignada.
Governo e superintendente não estão nem aí pra população. Não há diálogo. Querem acabar com as melhores escolas públicas de Ipatinga. Toyoda, Márcio Cunha, D. Helvecio, Dr. Ovídio e João Walmick são as melhores escolas públicas de Ipatinga. Que superintendente é essa que age contra a educação? Isso não tem nada a ver com política, como sugere o Arthur em seu comentário. Isso é uma causa em prol da educação de nossos filhos.
Paulo 16 de Novembro, 2019 | 15:42
Que vergonha! A própria superintendente ir contra o ensino de qualidade.
Propor o fechamento das melhores escolas públicas de Ipatinga é assinar um atestado de incompetência. O ensino no Brasil é um dos piores do mundo. E ela quer acabar com o direito que tenho de colocar o meu filho numa dessas escolas que ainda conseguem manter um mínimo de qualidade. Impedir que as escolas com os melhores Idebs de Ipatinga ofertam as séries iniciais irá reduzir o próprio Ideb da SRE. Cadê nossos representantes políticos? Cadê os pais e professores? Precisamos mobilizar a sociedade contra esse retrocesso.
Lorena 16 de Novembro, 2019 | 15:36
Pra mim essa superintendente não está preocupada com a educação da nossa cidade de Ipatinga não, eu sou mãe e me preocupo muito com a educação da minha filha,sendo que há sim escolas boas de resultado e o que queremos e lutar para algo melhor prós nossos filhos e o que vejo que ela está do lado do governo querendo fazer isso com nossas escolas,e ela não pensa nos professores não, pessoas que vão ser prejudicadas com essa mudança. Lutaremos com toda força nos pais que isso não irá acontecer. Ela tem que pensar que muitas crianças irão ser prejudicada. Juntos Samos mais fortes
Sandra Alves 16 de Novembro, 2019 | 13:12
Edivania disse que alguns alunos vão ser levados para escolas do município. Mas nada foi falado sobre o que vai acontecer com os professores, auxiliares de limpeza, secretários e etc, pq qdo diminui alunos a escola perde funcionários. Professores irao ficar excedentes pois as turmas de entrada foram p município e o q será feito deles?
Arthur 16 de Novembro, 2019 | 12:52
O medo não era municipalização coisa nenhuma... o medo é a 'militância' perder a teta vermelha de vez...

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