Censo irá levantar informações sobre a população

Trabalho ajuda a identificar estatísticas e detalhes de forma aprofundada

Bruna Lage


O coordenador de área do Instituto no Vale do Aço, Douglas Garcia de Menezes

No ano de 2020, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) irá produzir um novo censo demográfico. Por meio dele, a cada 10 anos, são levantadas informações atualizadas sobre a população, como sua escolaridade, quantas pessoas são casadas, sua religião, etnia, trabalho e rendimento, entre ouros detalhes. Conforme o IBGE, os dados são fundamentais para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas e para a realização de investimentos, tanto do governo quanto da iniciativa privada. O coordenador de área do Instituto no Vale do Aço, Douglas Garcia de Menezes, explica o andamento do processo, no ano que antecede a coleta.

Em uma fase preliminar, são promovidos encontros com representantes de diversos segmentos da sociedade. Mas antes das reuniões de acompanhamento, foi feita a atualização dos mapas, do território que será visitado, o que é chamado de base territorial. “Já nos reunimos com representantes das prefeituras, que são a instância competente para conseguirmos a alteração de perímetro urbano, criação de novos loteamentos e de novos bairros. Sabemos que a evolução dos municípios está constantemente ocorrendo, assim como a dinâmica da cidade e a expansão. Isso ocorre a todo tempo. Se pegarmos de 2010 pra cá, muita coisa mudou”, destaca o coordenador.

Com a base territorial atualizada, a partir de agora a equipe do IBGE busca dar transparência ao processo. “Estamos convidando a sociedade civil e os poderes legalmente constituídos, que são secretários municipais, prefeitos, vereadores, inciativa privada como Aciapi, Acicel, Aciati (associações comerciais de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo) e sindicatos. Essas reuniões não são grupos fechados e ocorrerão durante todo o processo de coleta, que será em 2020. Quem quiser participar é bem-vindo”, informa.

Periodicidade e estrutura
Sobre a periodicidade do censo, Douglas de Menezes avalia que o ideal é que fosse feito em um espaço de tempo menor, mas não é possível por dois motivos: orçamentário e logística. “Para se ter uma ideia, no censo 2020 o orçamento solicitado ao Ministério da Economia é da ordem de R$ 2,5 bilhões. Estamos falando de uma pesquisa a ser realizada durante um ano. Considero que uma informação de dez anos atrás está muito defasada, temos essa noção. O segundo entrave é do ponto de vista logístico. O censo não termina quando a coleta termina. Dispensamos o pessoal contratado temporariamente, mas aí começa o trabalhão aqui dentro de tabulação de dados, de revisões e comparações, para chegar num dado confiável para disponibilizar para o público”, pondera.

Douglas acrescenta a estrutura enxuta do IBGE como outro empecilho. No ano de 2010 foram contratadas aproximadamente 200 mil pessoas, mas a estrutura administrativa do Instituto, extra censo, é de dez mil servidores no Brasil inteiro. “Temos menos de 10% de pessoal para fazer toda essa tabulação. Quer dizer, o censo começa num ano e vamos entregar os resultados no ano seguinte. Isso porque a tecnologia ajuda demais. Não temos que digitar questionários como antes, por exemplo. Mas ainda leva um certo tempo e não daria para emendar uma operação na outra, por causa dessa parte logística. Em resumo, vejo esses dois entraves, orçamentário e operacional, para diminuir esse lapso de tempo entre um censo e outro. Se fosse quinquenal (a cada cinco anos), talvez teríamos um dado que fosse atender melhor tanto população quanto representantes dos poderes públicos e iniciativa privada, mas tempos esses dois pontos que dificultam”, explica.

Pontos
Entre os pontos levantados por meio do censo, Douglas acrescenta que do ponto de vista de pesquisa socioeconômica, não há setor, seja da iniciativa público ou privada, que faça uma pesquisa mais completa. Primeiro é respondida a pergunta de quantos somos, toda a população é contabilizada. As estimativas populacionais municipais do IBGE são um dos parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União para o cálculo do Fundo de Participação de Estados e Municípios e constituem referência para vários indicadores sociais, econômicos e demográficos. Além disso, como vivemos, a escolaridade, nupcialiade (quantas pessoas são casadas, divorciadas, solteiras e também em união estável), religião, quantos brancos, negros, pardos e indígenas.

Também são levantados dados relacionados ao trabalho e rendimento, o que permite um diagnóstico comparativo. Douglas salienta que é possível identificar dados sobre a política habitacional, acesso a saneamento básico e a meios de consumo. “O censo nos dá essa noção, se precisamos melhorar e isso influencia até nas decisões que o cidadão toma politicamente e sua avaliação do governo. As pessoas sozinhas não têm como visitar e fazer esse diagnóstico. Como a economia está e a condição socioeconômica da população. Porque a gente não pode avaliar só a gente, às vezes estamos num contexto socioeconômico confortável, mas não está para todo mundo”, opina.

A missão institucional do IBGE, aponta o coordenador de área, é retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento de sua realidade e exercício de cidadania. É preciso dar ao cidadão informações para ele conhecer sua realidade e, a partir disso, escolher em quem vai votar, ou cobrar ações de quem está eleito, ou mesmo referendar o que tem sido feito. “Estamos acertando? O político que escolhi está acertando, ou não? Estou dizendo isso sem juízo de valor. O IBGE não faz esse tipo de análise. Fornecemos o dado cru e cada cidadão com sua consciência faz a própria avaliação e tira suas conclusões. Somos um órgão de estado, isso quer dizer que não interessa o presidente que está no Palácio do Planalto, pois somos vinculados ao Executivo Federal”, afirma Douglas de Menezes.

Pesquisa
Para a coleta de dados do censo, Douglas relata ainda haver dificuldade, mas o cenário é melhor do que há alguns anos. “Às vezes quando chegamos na casa do cidadão, somos os caras chatos, responsáveis por perguntar sobre a sua vida. Mas todos têm interesse em saber qual a conjuntura em que estão situados. Hoje ainda temos resistência de uma pequena parte que diz ‘o que eu vou ganhar com isso?’ ou que vincula o IBGE a administração/governo e que não se identifica com o mesmo”, conta.

Antes mesmo da pesquisa, o servidor adianta que Ipatinga está, territorialmente falando, com sua mancha urbana bastante saturada. Se observada do alto, é possível entender a situação. “Faço o questionamento de onde vamos criar um novo loteamento? Se olharmos de um lado estamos limitados pelo Rio Doce, Piracicaba e da própria Usiminas. Do lado de lá é Santana do Paraíso. A área expansível fica para os lados do Limoeiro, Barra Alegre, uma área mais distante do centro de Ipatinga e das áreas comerciais. Temos espaços próximos daqui, no município de Paraíso e que criaram loteamento. É uma questão mais prática que lógica. E analisando questão de mercado, custo de vida e imóveis, em Ipatinga é mais caro, além de ter menos opções. Se você for a bairros próximos como Cidade Nova, Parque Caravelas e Jardim Vitória, compra um apartamento com uma condição de preço melhor”, compara.

Processo seletivo

Para a coleta de dados serão contratadas algumas pessoas. O calendário de coleta, quando tem início as visitas às casas, será de 1º de agosto a 31 de outubro de 2020. As reuniões com as lideranças e representantes da sociedade civil estão sendo realizadas de forma antecipada para dar transparência ao processo.

Os processos seletivos estão previstos para serem realizados no ano que vem. O de recenseador deve ocorrer no mês de março, com contratação a partir de julho. O de supervisores e agentes municipais em fevereiro, com contratação a partir de maio, início de junho.

“A questão de orçamento influencia até mesmo no salário do recenseador, o processo seletivo está previsto para 2020, mas não tenho como responder sobre o salário ainda. Mas vai sair o edital, tudo dentro dos conformes. As pessoas podem ficar tranquilas que a informação será divulgada”, conclui Douglas de Menezes. (Repórter - Bruna Lage)
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