Tudo ou nada

Fernando Rocha

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Fernando Rocha
Foi importante para o Cruzeiro o ponto obtido no empate com o Athletico “Furacão”, em Curitiba, com um jogador a menos desde a metade do 2º tempo, além das dificuldades que o fator campo representa a favor do adversário, pois isso poderá significar muito ao fazer as contas na luta contra o indesejável rebaixamento.

Esse ponto também deu uma injeção de ânimo nos jogadores e na torcida celeste, que irá lotar o Mineirão hoje, sonhando com a vitória no clássico contra o maior rival, o Atlético, para se distanciar da zona de rebaixamento.
O técnico Abel Braga já sinalizou algumas mudanças na equipe, uma delas um tanto quanto discutível, que seria o provável retorno de Leo à zaga, apostando na sua experiência em detrimento do jovem Fabrício Bruno, que vem jogando muito bem e dando conta do recado.

Quanto aos retornos de Orejuela, Thiago Neves e Fred, apesar da má fase vivida pelos dois últimos, eles são titulares absolutos no time de Abel. O que preocupa mesmo o torcedor celeste é a situação física do jovem volante Éderson, a maior revelação da equipe na temporada, que pode não estar inteiro para o clássico.

Em alta
O Galo chega para este clássico turbinado pela vitória de 2 a 0 sobre o Goiás, importante para descolar um pouco a equipe da chamada “zona da confusão”, além de convincente, pois foi superior ao adversário o tempo todo e mereceu a vitória.

Porém, é preciso muita cautela com Marquinhos e Bruninho, autores dos gols que deram a vitória sobre os goianos, motivo de uma enorme empolgação que tomou conta da torcida, a fim de não queimá-los precocemente, caso os resultados positivos não aconteçam. Não se pode exigir de dois garotos com apenas 20 anos de idade que resolvam sozinhos os problemas do time atual, mal planejado, envelhecido, que precisa de profundas mudanças para a próxima temporada, caso o clube queira voltar a brigar por títulos importantes.

FIM DE PAPO
• No futebol brasileiro é muito comum se ver grandes clubes, pela necessidade de cobrir rombos do caixa, venderem suas jovens promessas por valores abaixo do mercado, sem que tenham completado todas as etapas nas divisões de base. É visível que Marquinhos e Bruninho são dotados de talento, fator que os credencia a sonhar com o sucesso no futebol, mas eles precisam ganhar mais rodagem. Como diz um ditado popular aqui nos nossos grotões: “A rapadura é doce, mas não é mole não”.

• É muito fácil para qualquer cronista ficar em cima do muro e dizer que “não há favorito”, pois argumentos e fases prontas não faltam, quando se trata do nosso maior clássico. Mas desta vez, acho que não há mesmo outro jeito, uma vez que qualquer resultado será normal e, infelizmente, muito mais pela ruindade das equipes do que por suas qualidades.

• Talvez o fato de jogar com a maioria da torcida a seu favor dê ao Cruzeiro uma ligeira vantagem. Mas tudo isso poderá se dissipar em segundos, caso o time jogue mal e a torcida celeste comece a vaiar ou pegar no pé de jogadores, o que certamente ajudará o Galo, se souber tirar proveito da situação.

• Faltam sete rodadas para o fim do Brasileirão, que tem o Flamengo como virtual campeã. Mas a competição ainda promete fortes emoções na disputa para escapar do rebaixamento à Série B. Na prática, considero já rebaixados o lanterna Avaí, com 17 pontos, e a Chapecoense, 22 pontos ganhos, em 19º.

As outras duas vagas estão em aberto e oito equipes brigam para não ocupá-las: Atlético (11º, 39 pontos, 11 vitórias); Vasco da Gama (12º, 39 pontos, 10 vitórias); Ceará (13º, 36 pontos, 10 vitórias); Fortaleza (14º, 36 pontos, 10 vitórias); Fluminense (14º, 34 pontos, 9 vitórias); Cruzeiro (16º, 34 pontos, 7 vitórias); Botafogo (17º, 33 pontos, 10 vitórias); CSA (18º, 29 pontos, 7 vitórias).

• Reclamar de arbitragem é o mesmo que “chover no molhado”. O VAR, a nova ferramenta que veio para diminuir as injustiças no futebol, tem sido muito criticado - com razão, em alguns casos - por não cumprir a sua missão de aumentar a eficiência com menos interferência na arbitragem de campo. Além disso, o tempo gasto na checagem dos lances também está acima do tolerável.

• Também há descuidos na parte administrativa, e um exemplo disso é a escalação do gaúcho Jean Pierre para apitar o clássico hoje, no Mineirão. Em todos os jogos que ele atuou nesta temporada há registro de algum tipo de reclamação contestando suas decisões.

Este assoprador de apito é da escola chamada ‘cuanga’, e ele tem como colegas o mineiro Ricardo Marques Ribeiro, o paraense Dewson Freitas, o paranaense Ricardo Tracy e o mato-grossense Vagner Reway, entre outros. Até prova em contrário, eles não são desonestos, mas ruins mesmo. “Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mães agravadas, seu sexo contestado e sua integridade física ameaçada, ao saírem do estádio”. Carlos Drummond de Andrade. (Fecha o pano!)
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