No Dia dos Finados, religiosos avaliam o significado da morte

Em entrevista ao Diário do Aço, religiosos explicaram o significado desta data e relataram o significado da morte, conforme suas crenças

Tiago Araújo


O padre Aloisio Vieira afirmou que a Igreja Católica incentiva a interceder pelos falecidos, principalmente, no Dia dos Finados

Hoje (2) é celebrado o Dia de Finados ou Dia dos Mortos, como muitas pessoas preferem, além de ser feriado nacional. Nesta data, os cemitérios costumam ficar lotados de pessoas que vão rezar e deixar flores nos túmulos de parentes ou amigos que faleceram. Em entrevista ao Diário do Aço, religiosos explicaram o significado desta data e relataram o significado da morte, conforme suas crenças. Entre muitas crenças, há uma crença que a vida não é tirada, mas transformada.

O costume de rezar pelos mortos é algo que ocorre desde a época do cristianismo primitivo, mas foi ganhando destaque nas culturas, de forma gradativa, pela Igreja Católica, até que ficou instituído o Dia de Finados, celebrado em diversos países, a partir do século XII. O padre Aloisio Vieira, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, do bairro Iguaçu, em Ipatinga, apontou que existem dois motivos para os católicos irem aos cemitérios no Dia dos Finados. “O primeiro aspecto é antropológico. As pessoas estabelecem laços afetivos com seus parentes e amigos ao longo da vida. E quando esses indivíduos falecem, não quer dizer que esses laços desaparecem, pelo contrário, essa ligação é mantida. Já o segundo aspecto está relacionado com a fé. A igreja ensina que a morte é uma porta, por meio da qual a pessoa sai desse mundo e vai para a eternidade”, explicou.

Conforme o padre, a Igreja Católica ensina que há três estados onde a pessoa fica após a morte. Dentre eles, o inferno, purgatório e céu. “Se for para o inferno, não tem como sair mais. Quando vai para o céu, nem precisa de rezar mais para essa pessoa, porque ela já está salva. Já no caso do purgatório, onde ocorre a purificação dos pecados até o juízo final, a oração é de grande auxílio para as pessoas, porque pode abreviar a estadia da pessoa nesse local. Então a igreja incentiva a interceder pelos falecidos nesse aspecto, principalmente, no Dia dos Finados”, afirmou.

Cristianismo evangélico
Tiago Araújo


O pastor Aldair Botelho relatou que, para o cristianismo evangélico, após a morte só há dois destinos: o céu e o inferno

Essa prática dos católicos de orar pelos mortos no Dia dos Finados não é seguida, com a mesma abordagem, pelos evangélicos, conforme o pastor Aldair Botelho, da Igreja Batista Memorial, do bairro Veneza II, em Ipatinga. “Não observamos essa data com o mesmo significado que os católicos, pois não há, para nós, amparo bíblico para tal prática. Com isso, não realizamos cultos ou celebrações nesta ocasião. Segunda a nossa Bíblia, quando a pessoa morre, só tem dois destinos, o céu ou inferno”, contou.

O pastor também relatou que Jesus e os apóstolos ensinaram esse entendimento seguido pela igreja evangélica, de forma ampla, para as pessoas da época. “Em alguns textos bíblicos, podemos ter uma melhor compreensão sobre isso, dentre eles, João 14: 2-3, Mateus 25:41, Hebreus 9:27 e Lucas 16: 19-31. Em todas essas citações, a Bíblia aborda sobre o que acontece com a pessoa que morre e seu destino”, explicou.

Espiritismo
HP Produções


O espírita Wagner Portela ressaltou que a morte não é o fim, mas o começo de uma outra etapa evolutiva

Dentro da premissa do espiritismo, a morte não é o fim, como explica Wagner Portela de Assis, que é presidente do Grupo Espírita da Caridade, do bairro Vila Ipanema, em Ipatinga. “Com respeito aos credos e manifestações religiosas diversas, o Dia de Finados é um dia qualquer para os estudiosos da doutrina espírita, uma vez que a ida ao cemitério é a representação exterior de um fato íntimo. Para homenagear e sensibilizar o ente querido que partiu antes de nós, não é propriamente a visita à sepultura, mas a lembrança fraterna e a prece sincera daquele que ficou na Terra, o que pode ser feito a qualquer momento e em qualquer lugar”, afirmou.

Wagner Portela ainda acrescentou que a morte do corpo físico é um fenômeno natural, que atinge todos os seres da criação, cedo ou tarde, portanto, não é o fim, mas sim o começo de uma outra etapa evolutiva. “A vida no corpo físico é vista como um aprendizado para o Espírito. Quando morremos, vamos para um plano espiritual, levando o aprendizado dessa vida adiante. Também se crê na reencarnação e na individualidade da alma. Assim, a existência na Terra (e em outros planetas) é o caminho dos espíritos em direção a uma alma mais evoluída”, pontuou.


A importância de superar o luto
Divulgação


A psicóloga Luciana Magalhães ressaltou a importância de superar o luto

Mas falar na morte é lembrar também do luto, o processo que uma pessoa passa diante da perda de alguém ou de algo que tem importância emocional para ela. Para isso, o apoio psicológico no luto pode ser fundamental para enfrentar essa situação de forma saudável e construtiva. Para a psicóloga Luciana Magalhães, mestre em Psicologia do Desenvolvimento e especialista em Neuropsicologia, algumas pessoas conseguem superar a dor da perda e vivenciar o luto sem um processo de terapia, enquanto algumas não conseguem. “A principal dificuldade é ocupar o espaço que essa pessoa tinha na vida dela. Isso é um processo mais complexo para algumas e que exige quase um novo aprendizado de como viver. Portanto, a terapia pode ser muito importante para algumas pessoas, nem todas precisam, mas algumas, sim”, afirmou.

Conforme a psicóloga, se o luto não for tratado, pode comprometer a saúde mental da pessoa. “Se ela entrar em um quadro depressivo, ela vai se isolar, e aí existem outros problemas físicos que podem ocorrer em função de um processo depressivo contínuo. O próprio sistema imunológico pode enfraquecer. Então, se em até seis meses a pessoa não sair desse processo de luto, é importante que ela busque um profissional para auxiliar na vivência dessas emoções”, pontuou.

(Tiago Araújo - Repórter)
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