Pela salvação

Fernando Rocha

O Atlético tem hoje pela frente o São Paulo, no Morumbi, um autêntico “fio desencapado”, como costuma dizer o repórter Jota Passos, lá na Vanguarda AM. Depois da vitória sobre o Santos, que interrompeu uma sequência de cinco jogos sem vencer no Brasileirão, a semana foi de alívio para jogadores, comissão técnica e diretoria, sobretudo para a torcida, que passou a fazer contas e mais contas, para achar saídas diante da ameaça concreta de rebaixamento.

O foco total do Galo precisa estar voltado para pontuar, com o objetivo único de se salvar da degola, o que infelizmente não é compartilhado por alguns setores da crônica ufanista e parcial, que ainda insiste na possibilidade de conquistar uma vaga na Sul-Americana e até mesmo na Libertadores do ano que vem.

É fato que esta hipótese existe, pois faltam 11 rodadas e 33 pontos a serem disputados, mas bastante improvável de acontecer em se tratando de quem depende, por exemplo, de um Léo Silva (40 anos), Ricardo Oliveira (39), Fábio Santos (34), Réver (34) e Elias (34). Isso sem falar de Zé Welison, Patric, Vina, Bolt, Geuvânio, Cazares etc.

Outro ângulo
O Flamengo atropelou o Grêmio por 5 x 0, no Maracanã, classificando-se depois de 38 anos para uma final de Copa Libertadores. O resultado em si não foi nenhuma surpresa, mas me impressionou bastante, além do belo futebol e da superioridade flagrante do time comandado pelo lusitano Jorge Jesus, o fato de que três dias antes do jogo já não havia mais vagas nos hotéis da região central no Rio de Janeiro, cujos bares e restaurantes estiveram lotados, antes, durante e depois do evento.

Também havia gaúchos fazendo churrasco na praia, em frente ao hotel do Grêmio na Barra da Tijuca, além de rubro-negros de todos os cantos do país que desfilaram de vermelho e preto pela outrora Cidade Maravilhosa.

Segundo cálculos das autoridades cariocas, ao menos 13 mil turistas, com ingresso garantido, pisaram na capital fluminense vindos do sul do país, mas é óbvio que o total de visitantes foi muito maior, o que faz supor o tamanho do impacto positivo gerado na economia, por este e outros grandes espetáculos de futebol. Neste caso, o beneficiado foi a cidade do Rio de Janeiro, devastada nas últimas décadas pela ação nefasta de políticos corruptos e incompetentes.

O futebol mostra novamente o “óbvio e ululante” de Nelson Rodrigues, provando que se trata de uma ferramenta excepcional e que pode, sim, impulsionar, reanimar, alavancar economias estagnadas e deficitárias pela injeção de novos recursos, através da porta mais simples e fácil de setores como os de hotéis, bares, restaurantes, transportes e similares.

FIM DE PAPO
• Não apenas no Rio de Janeiro, mas no mundo inteiro, o futebol é um gerador de riquezas, traz enormes benefícios para quem sabe tirar proveito das suas potencialidades. Estima-se que 20% do público em clássicos como Real Madrid x Barcelona, independente de ser no Santiago Bernabéu ou no Camp Nou, seja de turistas de todas as partes do planeta. Isso ajuda a movimentar a economia da Espanha, da mesma maneira que a chegada de visitantes do interior, ou de outros estados, que vão a Belo Horizonte para assistir jogos do Atlético ou Cruzeiro, contribui para irrigar e dinamizar a economia da nossa capital.

• Já experimentamos em passado recente um ciclo virtuoso, onde o Estádio Ipatingão, após uma reforma básica, tornou-se um importante gerador de divisas para a economia local, além de cumprir sua função como equipamento público social, de lazer e divulgação da cidade e região. Ao menos uma vez ao mês, entre 1997-2004, o Ipatingão recebeu um grande jogo da dupla Cruzeiro e Atlético, que contava com o apoio de suas enormes torcidas na região, para lotar o nosso cartão postal. Não há um cálculo exato, mas estima-se que um jogo com público igual ou superior a 20 mil torcedores presentes no Ipatingão possa injetar, direta ou indiretamente, cerca de R$ 5 milhões na nossa economia, em um intervalo de apenas três a cinco dias.

• Nesse embalo, surgiu em 1998 o Ipatinga Futebol Clube, o “Tigrão de Aço”, campeão mineiro em 2005, que também trouxe enormes benefícios para a divulgação da cidade e a economia formal ou informal, gerando empregos e renda para milhares de famílias. Por que parou? Parou por quê? Há motivos, causas, senões, situações mal resolvidas, que deveriam ser motivo de discussões abertas entre os diferentes setores representativos da sociedade local, o que, infelizmente, ainda não aconteceu.

• Não creio que a atual administração municipal, que é responsável pela administração do Ipatingão, esteja acomodada ou satisfeita em abrir anualmente os portões do “Gigante do Parque Ipanema”, cuja despesa de manutenção é bastante significativa, apenas para jogos do Tigre na 2ª Divisão mineira, ou do futebol feminino, além de abrigar o futebol americano, um estranho no ninho para a maioria da população tupiniquim. Então, mãos à obra, pois o principal nós já temos, o Estádio Ipatingão, aclamado nacionalmente como um dos melhores locais do país para se assistir e jogar futebol. (Fecha o pano!)
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