Jô Moraes visita Vale do Aço e destaca nome de Celinho do Sinttrocel para o próximo pleito

Ele adianta que há uma orientação do partido para que, em todas as cidades acima de 100 mil habitantes, que o PCdoB apresente candidaturas à sociedade

Wôlmer Ezequiel


Ex-deputada federal faz parte da Comissão Política Nacional do PCdoB e integra a Comissão de Mulheres

A ex-deputada federal Jô Moraes participa de conferências municipais do PCdoB, partido ao qual pertence, em todo o estado. Na semana passada, ela, que faz parte da Comissão Política Nacional da legenda e integra a Comissão de Mulheres, esteve no Vale do Aço, onde cumpriu agenda em Coronel Fabriciano. Em entrevista ao Diário do Aço, antecipou a articulação política em torno de municípios com mais de 100 mil habitantes e revelou simpatia pela candidatura do deputado estadual José Célio de Alvarenga, o Celinho do Sinttrocel, ao posto de prefeito na eleição de 2020.

“O centro desses encontros municipais do PCdoB é discutir a situação do país. Queremos ver que tipo de movimentação a sociedade e o mundo político podem realizar, para enfrentar essa crise. Sobretudo, focando em trabalho e em investimentos. Nós consideramos que os trabalhadores estão perdendo muitos direitos, numa fase em que o nível de desemprego está elevado. Essa é a preocupação central. Também como que os governos podem ajudar a efetivar investimentos, porque nessa crise não há dinheiro privado que os empresários possam fazer por sua conta e risco. É preciso que os governos ajudem”, avalia.

Para a ex-parlamentar, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderia cumprir um papel importante, investindo em determinadas áreas e não tirando direitos, cortando os recursos para indústria, ciência e tecnologia, educação e saúde. Esse é o primeiro aspecto. O segundo é que o PCdoB considera que, nas eleições de 2020, os partidos políticos têm que recuperar a confiança da população na atividade política.

“Nessas conferências, insistimos que o partido discuta com as comunidades e tire sugestões de propostas, para que haja essa retomada da confiança da população com o mundo político. E terceiro é que o PCdoB está investindo muito em crescer sua presença, por meio das mulheres. Já temos uma tradição grande, inclusive a presidente nacional do PCdoB é uma mulher. Tivemos como pré-candidata à Presidência Manuela D’Ávila, que continua uma grande liderança. Temos 50% da bancada federal da legenda formada por mulheres. Está na hora de reforçar essa presença”, destaca.

Eleições 2020

Jô Moraes adianta que há uma orientação do partido para que, em todas as cidades acima de 100 mil habitantes, que o PCdoB apresente candidaturas à sociedade. “Para se aproximar da comunidade e compreender quais propostas estão sendo apresentadas para tirar o país e os municípios da crise. Isso se faz por meio de candidaturas majoritárias. Nós temos aqui no Vale do Aço uma figura muito importante, muito expressiva, que é o deputado Celinho do Sinttrocel.

Evidentemente que é um natural pré-candidato a prefeito, respeitamos as circunstâncias que possam ocorrer e estamos inclusive vindo - eu particularmente tenho uma histórica ligação com o Vale do Aço - para tentar entender esses movimentos, mas mostrar que Celinho é um dos filiados que gostaríamos de ver apresentando-se como pré-candidato a prefeito. Isso tudo depende da discussão com a comunidade de Coronel Fabriciano, com os partidos políticos e com a sociedade como um todo. Mas não temos dúvida que é um dos nomes que gostaríamos de apresentar”, reforçou.

Apesar da preferência, a dirigente pondera que é cedo para que se apresente ou formalize nomes. “Cedo porque as lideranças que gostaríamos de apresentar à disputa da prefeitura em 2020 são pessoas que já fazem um trabalho cotidiano e tem uma atividade permanente de luta. O deputado Celinho tem certa obsessão por melhorar a infraestrutura daqui, como a BR-381, a MG-760, por exemplo. Ele vive não só na Assembleia Legislativa, mas em Brasília, em busca disso. Ele se liga muito ao cotidiano da comunidade e a briga para que se mantenham serviços em algumas áreas. O acompanhei em Brasília no ano passado, brigando para que se mantivesse aberta uma agência dos Correios. Então, as nossas lideranças não precisam ser lançadas, são conhecidas e precisam continuar com sua atividade. O que nós precisamos é conversar com os partidos locais e com os políticos da região, sobre as bandeiras que temos de levar para 2020”, salienta Jô.

Situação política

A respeito do cenário político atual no país, Jô Moraes diz ser radicalmente contra o tipo de política que está sendo feita, de desmonte dos investimentos da indústria, de desconstrução das universidades e da área de saúde. “Isso não resolve nenhum problema. É preciso somar as forças todas para fazer essa discussão e esse enfrentamento. E, mais à frente, vamos construir uma frente, conversando com um conjunto de partidos que tenham compromisso de democracia, liberdade, de investimento na área social e que possam ou ter um candidato que some forças, ou lançar sua candidatura e se unifique no segundo turno (nos locais onde ocorre). Essa é a visão que estamos tendo”, vislumbra.

Previdência

Jô afirma que o PCdoB considera que o maior erro que poderia ter ocorrido foi a aprovação da reforma da Previdência, que provocará efeitos de economia de recursos, daqui a quatro, cinco, seis anos. Para responder à crise fiscal, a reforma não resolverá o problema de caixa do governo. “E para os trabalhadores é um golpe mortal em sua perspectiva. Você imagina que até para policiais, que são pessoas que tem um nível de desgaste muito grande, assim como professores, eles elevaram a idade mínima para 35 anos. Os trabalhadores precisam comprar e consumir para que a indústria produza e o comércio funcione. Mas não terão condições. Principalmente num estado como Minas Gerais, o impacto da reforma é muito grande. Porque os pequenos municípios, que Minas têm muitos, vão praticamente quebrar, pois a movimentação econômica vem muito das aposentadorias. Essa reforma é um golpe contra o Brasil e contra o povo brasileiro”, assegura.

Sobre a reforma Tributária, Jô Moraes relata que o partido se somou a outros, de esquerda e do centro, para apresentar uma proposta. Por considerar que a do governo, da forma como está e das que estão construindo na Câmara e no Senado, são muito confusas e tem propostas que tiram recursos dos mais pobres. “O PCdoB primeiro defende a unificação dos tributos. Em segundo lugar, defende uma tributação progressiva. Quem ganha mais, paga mais e quem ganha menos, paga menos. Hoje, no Brasil, os trabalhadores pagam, sobretudo imposto de renda, com muito mais frequência e incidência que os grandes empresários. Temos frequentemente anistiados grandes fazendeiros e bancos, de suas dívidas, principalmente as previdenciárias e somos rigorosos com o desconto do imposto de renda do trabalhador menor. Defendemos uma reforma progressiva e a tributação das grades fortunas. Isso existe na Europa, em vários países. A lógica é que quem ganha muito, que pague mais. Pois a sua possibilidade de sobrevivência é muito maior. E os menores possam ter uma tributação menor, que possibilite melhorar a qualidade de vida”, defende.

Reforma política

Para ela, o momento é difícil para os políticos, porque a eleição do governo Bolsonaro se fez sem nenhum debate. Durante a campanha, não apresentou nenhuma saída para o país e jogou a responsabilidade para Paulo Guedes (ministro da Economia). “Ele dizia que é o seu ‘Posto Ipiranga’. O que vivemos hoje é uma situação delicada, instável. Você tem julgamentos como os que a Lava Jato fez, sobre absoluta suspeição. Vemos o processo de instabilidade institucional, com ameaças a figuras importantes por parte do governo Bolsonaro, inclusive por parte de seus filhos.

Temos uma instabilidade muito grande na política. O povo tem que perceber é que eles têm de participar, pois sua vida é definida na política. A população tem que acreditar e participar, não como torcida de futebol, mas com autonomia, independência, estudando e não ficar arranjando mitos e salvadores. A coisa só vai melhorar se eles participarem e defenderem os seus direitos. Esse é o grande desafio que o PCdoB faz. Seus filiados devem discutir quais as saídas e o que eles querem”, conclui.
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Comentários

Indignado 22 de Outubro, 2019 | 18:58
O tal canditado é do partido comunista, mas usufrui com dinheiro publico tudo que o capitalismo oferece de bom e do melhor. Socialismo para vocês e capitalismo para mim. População fabricianense tenham sabedoria, pois onde a esquerda passa, resta somente destruição.
Ze de Minas 22 de Outubro, 2019 | 17:01
A velha picaretagem de sempre,só pra gastar a verba tirada do povo idiota que vota nele e mais o caixa 2. PC do B nunca fez nada para o município,a grana da 760 foi pro ralo ?
Deborah 22 de Outubro, 2019 | 14:48
Tá acabando que o povo de Fabriciano é idiota... Só pode! Esse cara mora lá no bairro Passaredo em Timóteo... Já levou tanta surra concorrendo a prefeitura e não se toca que o povo não o quer aqui... Tem algo errado com ele querer deixar de ser Deputado pra ser prefeito... Como deputado o dinheiro não passa diretamente pelas mãos dele né? Enfim... Particularmente eu acho que na condição de deputado ele pode ajudar muito mais o município... Se essa for a real intenção dele...
Nilton Barreto dos Santos 22 de Outubro, 2019 | 14:03
Já apoiei e não apoio mais. A história é mais ou menos isso aí, a troca do poder pelo poder.
Wbirajara Caldeira Drumond 22 de Outubro, 2019 | 10:52
CANDIDATO RUIM E NÃO ME REPRESENTA É POLITIQUEIRO, INTERESSEIRO, CARA DE CIGANO , ESTA ESCRITO NA CARA DELE DESONESTO.
Cidadão Indignado 22 de Outubro, 2019 | 09:13
Partido Comunista? Manuela D'Ávila? Que falam mal do Capitalismo mas passam férias na Disney? Vai vendo . . .

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