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A empresa Aperam foi apontada por moradores como principal responsável pela emissão de poluentes
A preocupação em relação à qualidade do ar está em destaque no município de Timóteo. O presidente da Associação dos Moradores do bairro Vila dos Técnicos e conselheiro do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Codema), José Maria de Araújo, enviou uma reclamação ao Diário do Aço, indicando a necessidade de que alguma medida seja tomada para reduzir a poluição industrial na cidade. Ele aponta a Aperam South America como uma das principais responsáveis por esse problema e que moradores próximos à empresa são prejudicados.
Conforme o presidente da associação, no dia 14 desse mês completaram-se seis anos da entrega de um abaixo-assinado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) de Timóteo, com 800 assinaturas, reivindicando ações contra a poluição provocada pela empresa. “Após todo esse tempo, infelizmente, não tivemos resposta. E a população não entende o porquê que o mesmo órgão não vem dando o mesmo tratamento ao caso como na cidade de Ipatinga. A presença de poluentes visíveis a olho nu também preocupa a população em Timóteo. Todo dia tem pó preto, vermelho e branco, que pairam pela cidade e sujam casas e estabelecimentos comerciais. E conforme especialistas, essa poeira é prejudicial à saúde”, destacou.
Redução de resíduos José Maria também ressalta que as atividades da siderúrgica, o clima seco e a frota de carros são apontados como os principais fatores que contribuem para o agravamento do problema da poluição. “A atuação da Aperam, produtora integrada de aços planos inoxidáveis e elétricos e aços planos ao carbono é o centro desse impasse. É necessário exigir, de fato, a aplicação em suas operações, tecnologias que obtém resultados significativos e consequência direta a redução/eliminação dos resíduos”, citou.
Danos ambientais O presidente da associação dos moradores ainda afirma que a Lei 6.938/81, que trata sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, não é aplicada corretamente. “Essa lei estipula e define, por exemplo, que o poluidor é obrigado a ser indenizado por danos ambientais, independente da culpa, e que o Ministério Público pode propor ações de responsabilidade civil por danos ao meio ambiente, como a obrigação de recuperar e/ou indenizar prejuízos causados”, detalhou.
Monitoramento do arJosé Maria também critica que o sistema de monitoramento do ar no município não atende os interesses da população. “São colocados em apenas locais da conveniência da empresa, e não da população. Bairros do entorno não são atendidos e são os mais prejudicados com está emissão excessiva de poluentes”.
Aperam Procurada pelo Diário do Aço, a Aperam informou, por meio de nota, que tem como valor principal a sustentabilidade de suas operações e, em razão disso, o respeito ao meio ambiente e o cumprimento da legislação são objetivos inegociáveis. “Por isso, esclarecemos que, no ano de 2016, a empresa não recebeu nenhum ofício do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) ou de qualquer outro órgão ambiental, não estando, portanto, pendente qualquer resposta da empresa a este órgão”, informou.
A nota também afirma que a redução e eliminação das emissões é uma questão extremamente relevante para a Aperam. “Por isso, a empresa faz investimentos contínuos no desenvolvimento e na implantação de soluções que visam eliminar as emissões de materiais particulados. Somente entre 2017 e 2018, as emissões de particulados da usina de Timóteo caíram de 304 toneladas para 164 toneladas. A redução se deve a um melhor acompanhamento dos sistemas de desempoeiramento”.
Até o fechamento desta edição, o MPMG não havia respondido os questionamentos enviados pelo Diário do Aço.