Dia das Crianças: quando e como começar a falar sobre cibersegurança

Juliana Mattozinho *

É importante que os pais mantenham um diálogo constante a respeito da vida digital dos filhos para explicarem os riscos aos quais elas estão expostas. Uma pesquisa recente de uma empresa especializada em segurança na internet revelou que 98% das crianças brasileiras entre 7 e 12 anos têm o seu próprio dispositivo conectado (73% deles são smartphones). Este dado reforça o fato do Brasil ser o segundo País com a maior entrada de dispositivos entre os locais pesquisados – ficando atrás somente da Arábia Saudita.

O dado mais preocupante nessa pesquisa é que 47% dos pais brasileiros entrevistados confiam que seus filhos navegam na internet em segurança sem supervisão. Acredito que nenhum deles deixaram seus filhos aprenderem a andar sozinhos na rua. Então, por que deixam que eles aprendam sozinhos a navegar na internet.

Essa situação poderia ser diferente caso os pais conversassem mais com seus filhos. Para se ter uma ideia, no Brasil, 62,6% dos entrevistados disseram que conversaram menos de 30 minutos sobre cibersegurança. Entre os principais desafios para mudar este cenário, está a dificuldade em explicar sobre as ciberameaças de uma maneira que as crianças compreendam.

Vamos a algumas orientações sobre quando e como falar sobre cibersegurança com seus filhos – de acordo com cada faixa etária:

Entre 3 e 6 anos: Nessa idade, os vídeos e jogos coloridos e com letras ajudam no desenvolvimento da criança e exercitam a memória e lógica. Mas é imprescindível monitorar de perto as ações do seu filho na internet, pois estudos indicam que crianças nesta faixa etária não devem passar mais de 30 minutos (5 a 10 minutos por vez com intervalos longos) em frente ao computador.

Entre 7 e 10 anos: As crianças começam a usar computadores para tarefas escolares e recomendamos que os pais entrem em um acordo com seu filho para definir um tempo ideal, mas que não exceda 40 ou 50 minutos por dia. Nesta fase, os jogos que ampliam a percepção da criança e ensinam idiomas estrangeiros são muito úteis. Outro tema importante que pode ser introduzido nesta fase é sobre os e-commerce.

Entre 11 e 13 anos: Os pais devem conversar sobre quais serão as atividades online que seus filhos terão e definir em conjunto um tempo ideal e as regras de uso. Além disso, é importante introduzir os riscos online. A criança precisa sentir que a opinião dela importa, mas que ao mesmo tempo os pais acompanharão suas atividades para orientá-las. Além disso, é muito importante reforçar que a criança pode sempre procurá-los caso se sinta desconfortável ou insegura em uma situação online – ela precisa dessa confiança para qualquer eventualidade. Se a criança tiver contato com redes sociais, é essencial orientar seu uso. Explique que ela não deve conversar com estranhos e que essa regra é a mesma que no mundo real. Além disso, reforce que não se deve postar fotos ou informações como nome completo, nome da escola, endereço residencial ou dados de compra, pois isso pode colocar em risco a segurança de toda a família.

Entre 14 e 17 anos: Restringir o tempo no computador e do uso de outros dispositivos para adolescentes com mais de 14 anos somente é possível se você mesmo estiver preparado para monitorá-lo. A melhor forma é estabelecer um conjunto comum de regras domésticas.

Importante: os filhos somente irão seguir as regras se elas também se aplicarem aos pais. Assim, é possível gerar um ambiente de confiança em que o jovem se sinta à vontade para partilhar sua vida digital com seus pais, sem se sentirem pressionados e controlados.

A criação de uma educação digital familiar garante que as crianças e adolescentes permaneçam seguras na esfera online e ajuda na criação de uma consciência sobre a importância de se manter atento aos perigos que a internet pode oferecer. Para isso, pesquise sobre serviços que ajudem a garantir a segurança e privacidade de sua família e seus dados pessoais em todos os dispositivos.

Há aplicativos que permitem aos pais configurarem suas funcionalidades para que reflitam as regras definidas com seus filhos, como o tempo de uso dos dispositivos e quais conteúdos são permitidos, principalmente em seus smartphones. A solução ainda fornece dicas úteis sobre o comportamento online das crianças. Essas dicas podem orientar os pais sobre qual abordagem usar com seus filhos.

* Gerente de marketing de consumo da Kaspersky para a América Latina
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