Protesto contra a Renova, em Cachoeira Escura, chega ao sexto dia

Procurada pelo Diário do Aço nesta sexta-feira (4), a Fundação Renova não respondeu os questionamentos feitos até o fechamento desta edição

Enviada por leitor


Os manifestantes protestam em frente aos escritórios da Fundação Renova, no distrito de Cachoeira Escura

Insatisfeitos com a falta de apoio oferecido pela Fundação Renova, moradores do distrito de Perpétuo Socorro (Cachoeira Escura), em Belo Oriente, protestam há seis dias em frente aos escritórios da entidade. Os manifestantes alegam que foram prejudicados com o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015, já que o rio Doce (atingido por rejeitos da barragem) passa próximo ao distrito. Com isso, eles afirmam que até hoje não foram indenizados, conforme combinado.

Procurada pelo Diário do Aço na sexta-feira (4), a Fundação Renova enviou, na tarde de sábado (5), a seguinte nota. Segue a íntegra:

"A Fundação Renova esclarece que os dois escritórios em Perpétuo Socorro, também conhecido como Cachoeira Escura, distrito de Belo Oriente, estão abertos para atender a população. A Fundação Renova entende como legítima a manifestação e reafirma estar aberta à escuta, ao diálogo e à participação social como práticas norteadoras de suas ações".

Cadastro

Em entrevista ao Diário do Aço, a integrante da Comissão dos Atingidos de Cachoeira Escura, Maria Rosa de Souza, informou que mais de 200 pessoas do distrito, que tiveram seus cadastros finalizados pela Renova, ainda não recebem o auxílio financeiro ou indenização. “Esse é apenas o número de pessoas que já passaram pela parte do cadastro. Além desses, ainda há muitos que estão longe de receber suas indenizações”, destacou.

Maria do Rosário também informou que a Fundação Renova acrescentou duas exigências, desde o início desse ano, para os atingidos receberem indenizações. “Uma delas é que eles precisam morar a menos de mil metros do Rio Doce. Aqueles que moram mais afastados, mas que trabalhavam com a pesca, estão recebendo apenas a metade da indenização. Já a outra exigência é que a renda per capita da família precisa ser menos de meio salário mínimo para receber danos morais e materiais”, afirmou.

Para os atingidos debaterem sobre suas reivindicações, foi realizada uma reunião, na noite desta quinta-feira (3), com os representantes da Renova. “Mais de 400 moradores participaram da reunião. No entanto, não tivemos avanço nas negociações, por isso que foi realizada mais uma manifestação na manhã de sexta-feira (4). Assim, a expectativa é que o protesto continue na próxima semana, em frente aos escritórios. Não concordamos com a política de indenização e não estamos satisfeitos”, disse Maria do Rosário.

Renova

A Fundação Renova é a entidade responsável pela mobilização para a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos, resultado de um compromisso jurídico chamado Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC). Ele define o escopo da atuação da Fundação Renova, que são os 42 programas que se desdobram nos projetos que estão sendo implementados nos 670 quilômetros de área impactada ao longo do rio Doce e afluentes. As ações em curso são de longo prazo.

A Fundação Renova reúne técnicos e especialistas de diversas áreas de conhecimento, dezenas de entidades de atuação socioambiental e de conhecimento científico do Brasil e do mundo e soma hoje cerca de 7 mil pessoas (entre colaboradores próprios e parceiros) trabalhando no processo de reparação, de Mariana à foz do rio Doce.

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Comentários

Paula 09 de Outubro, 2019 | 12:04
Eles acham que mil reais paga os danos da água e so Deus viu
Sr.sincero 06 de Outubro, 2019 | 07:41
Cachoeira Escura, região pesqueira do Vale do Aço...que piada! Essa turma tá querendo é uma boquinha , surfar na lama de Mariana.
"7 mil pessoas trabalhando no processo de recuperação...kkkk" Futuros candidatos na próxima eleição afiliados de nanicos de olho na verba partidária.
Bolson 05 de Outubro, 2019 | 11:20
A CONTA É SIMPLES
É SÓ FECHAR A FERROVIA SE A POLÍCIA VIER SAEM E VOLTEM E FECHEM DE NOVO.

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