Virou zebra

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Fernando Rocha
O Atlético volta a campo hoje contra o Palmeiras, no Allianz Parque, em São Paulo, e pasmem, como há muito tempo não se via, na condição de ‘zebra’, pois o time paulista, além de brigar pelo título, é muito superior em todos os sentidos. Nem de longe o atual time do Galo se parece com aquele que iniciou a competição e figurou entre os quatro primeiros por mais de dez rodadas.

O time está desarticulado em todos os setores, sobretudo na defesa, que não passa um jogo sequer sem levar gols do adversário, além de possuir um ataque que não agride. E tornou-se um amontoado de jogadores cujo treinador está perdido na sua inexperiência, sem saber que atitude tomar para reverter a atual situação.

O problema maior para o Atlético é que a equipe está em queda livre, justamente no momento mais crucial e de definições do campeonato, onde não há mais espaço para vacilos.
Além da árdua tarefa de pontuar, na sequência o Galo nada menos que o Flamengo, fora de casa, e depois o Grêmio, no Independência, o que não significa muita coisa, considerando os últimos vexames da equipe diante da sua torcida.

Futuro incerto
A cada dia que passa a situação está ficando mais delicada e difícil para o Cruzeiro, a um ano e três meses do seu centenário, que será comemorado no dia 2 de janeiro de 2021.

O futuro é cada vez mais incerto, e hoje ninguém sabe dizer ao certo como o clube estará nesta data, se de pé, cabeça erguida, dando alegrias e sendo orgulho para os seus milhões de torcedores, ou sendo motivo de vexame, alvo de chacotas, uma atrás da outra, como tem acontecido em meio à maior e mais grave crise política e financeira da sua história.

O Cruzeiro, ao longo das últimas décadas, se destacou também como modelo de gestão no futebol brasileiro, elogiado por ter uma vida financeira equilibrada, sempre montando grandes times, sem brigas políticas internas de maior relevância, tudo resolvido internamente na base do bom senso pelos dirigentes.

Mas desde a última eleição, há um ano, não passa um dia sequer sem uma confusão extracampo, sem uma denúncia disso ou daquilo, uma informação denegrindo a imagem do clube na imprensa.
O momento do Cruzeiro é grave e exige muito equilíbrio de todas as correntes políticas e da sua torcida, enfim, de todos, para que uma instituição vitoriosa, gloriosa, quase centenária, não se perca pelo mesmo caminho que já levou diversos outros grandes clubes do futebol nacional à ruína.

FIM DE PAPO
• Para piorar ainda mais a situação, estamos assistindo também uma verdadeira guerra, um confronto deliberado e irracional entre as duas maiores torcidas organizadas do clube, a Máfia Azul e a Pavilhão Independente, que acabam de receber punição do Ministério Público de 30 dias de suspensão das atividades – incluindo a proibição de estarem presentes aos jogos do Cruzeiro -, por conta de vários confrontos onde prevalece a violência e a selvageria. Lamentável!

• Demorou, mas finalmente o presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, o senador e ex-presidente celeste, Zezé Perrela, resolveu agir e marcou uma assembleia para o dia 21 próximo, para decidir sobre a permanência ou afastamento temporário da atual diretoria. O presidente Wagner Pires de Sá reagiu e também marcou outra assembleia para o mesmo dia e horário, sob o pretexto de prestar conta de seus atos.

Nessa briga, o clube é o grande prejudicado, vítima da ganância, egoísmo e orgulho das partes litigantes. Pior ainda, com dois meses de salários e quatro meses dos direitos de imagens dos jogadores em atraso, a crise sem fim deve se agravar e levar o Cruzeiro pela primeira vez ao vexame do rebaixamento à Série B.

• Escrevi aqui na coluna e venho repetindo há algumas semanas na Rádio Vanguarda que o trabalho do técnico Rodrigo Santana se perdeu. Ele já não tem mais controle sobre o grupo de jogadores, talvez por causa da sua inexperiência, percebida pelos mais velhos do grupo. Os episódios de indisciplina recentes estrelados pelo jogador Cazares, e acobertados por ele, também devem ter influenciado para se chegar a tal situação de descontrole. Após a derrota para o Colón, na Argentina, pela Sul-Americana, a meu juízo ele já deveria ter sido demitido.

• Impressionantes, as desculpas esfarrapadas do técnico e dirigentes do Galo após os recentes fracassos, ainda projetando disputar vaga na Libertadores do ano que vem. A verdade é que o Atlético precisa fazer logo os 15 pontos que são necessários para afastar a ameaça de rebaixamento. E a partir daí pensar no planejamento para 2020, que passa pela necessidade de uma reformulação total do elenco, que está envelhecido e carece de mais qualidade.

• O rádio esportivo mineiro perdeu na última quinta-feira o narrador e gente boa Hércules Santos, da Rádio Super FM de Belo Horizonte, que faleceu aos 45 anos de idade, vítima de pneumonia. Não o conheci pessoalmente, mas pelas manifestações dos colegas da capital, foi um excelente profissional, que deixa uma lacuna muito grande. Que Deus conforte a todos os seus familiares e amigos. ''As coisas não têm explicações; têm existência''. (Fernando Pessoa). (Fecha o pano!)
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