30 de setembro, de 2019 | 15:59

Valeu a pressão

Fernando Rocha

Divulgação
Fernando RochaFernando Rocha
A pressão da torcida, feita de maneira pacífica nas redes sociais, culminando com o boicote ao jogo do último domingo, no Independência, parece ter surtido efeito, pois os jogadores do Atlético correram e deram um sanguinho a mais, suficiente para derrotar o fraquíssimo time do Ceará e amenizar a crise instalada após a eliminação na Copa Sul-Americana.

Nas entrevistas pós-jogo de Rodrigo Santana e dos jogadores, só se ouviu o mais do mesmo, sendo que desta vez o treinador exagerou mais do que de costume, ao dar a entender que seus comandados e ele próprio são todos ‘coitadinhos’, sentindo-se pressionados além da conta pela torcida, que com toda razão cobra bons resultados da equipe.

O papo do treinador, de “brigar pelo título” ou pela ‘Libertadores’, é conversa mole pra boi dormir. Se humildade, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, Rodrigo Santana e os jogadores do Galo deveriam se preocupar agora apenas em pontuar, daqui até o fim da disputa nacional, para escapar do rebaixamento.
Para tanto, terão de conseguir ao menos um ponto a cada rodada, e assim atingir os 45 necessários para não ser rebaixado e repetir outro grande vexame na história centenária do clube.

Falta ‘simancol’
Quem lê esta coluna ou nos ouve na Rádio Vanguarda, diariamente, sabe o quanto fomos e somos favoráveis ao emprego do VAR (árbitro de vídeo) no futebol.

Mas devo reconhecer que o nosso VAR tem deixado a desejar em muitos aspectos, se comparado com o mesmo serviço prestado em outros centros como a Europa, sobretudo no que diz respeito à ingerência nos jogos, que considero exagerada, além da demora acima do normal na checagem dos lances de revisão.

Contudo, não há suspeitas concretas de qualquer manipulação de resultados, sendo o balanço de suas intervenções até aqui bastante positivo, com muito mais acertos do que erros.

E por isso considero que a maioria das reclamações que tem sido feitas por jogadores, técnicos e dirigentes são descabidas, como, por exemplo, ocorreu nesta última rodada do Campeonato Brasileiro com o técnico do Vasco da Gama, Vanderlei Luxemburgo, e com o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte.

O treinador reclamou da anulação de um gol do seu time, sob o argumento de que o pé do seu jogador estava atrás da linha considerada de impedimento, esquecendo que a nova regra manda observar também o tronco do atleta, que neste caso estava à frente e foi determinante para a anulação correta do gol pelo VAR.

O dirigente palmeirense também reclamou injustamente da anulação de um gol no qual houve toque de mão do atacante Bruno Henrique no lance, que o VAR viu e acertadamente decidiu pela anulação.
O problema é que, em ambos os casos, técnico e dirigente mostram desconhecimento das regras e protocolos do VAR, que, embora seja novo por aqui, já é adotado há alguns anos no mundo inteiro.

FIM DE PAPO
• Há, sim, lances de erros do VAR, seja aqui ou em outras partes do mundo, contra ou a favor, seja do Real Madrid, PSG, Liverpool, Flamengo, Palmeiras, Atlético, Cruzeiro etc. Aqui, o VAR também toma uma ou outra decisão caseira, mas daí a querer ressuscitar a velha “teoria da conspiração” para beneficiar este ou aquele clube, como fizeram Luxemburgo e Galiotte, vai uma hipocrisia muito grande.

• O que falta à maioria dos nossos dirigentes é uma boa dose de ‘simancol’, para que não olhem apenas até à altura do próprio umbigo, estudem as regras e regulamentos, não se comprometam com declarações levianas ou inúteis. O futebol brasileiro conviveu nos anos 1970/80, até a primeira metade da década de 1990 no século passado, com algumas denúncias de fato comprovadas sobre armações de resultados e compra de árbitros, além de outras formas escusas de interferir no resultado das partidas, favorecendo principalmente clubes do eixo Rio/SP. A nossa dupla Galo/Raposa foi vítima desses esquemas fraudulentos e sujos em várias oportunidades.

• Não que hoje seja impossível a repetição destes delitos, mas com a TV transmitindo todas as partidas das principais competições, a chegada do VAR, além de outros tipos de controle, que fazem do futebol um grande “reality show”, a manipulação de resultados no futebol, como ocorria antigamente, virou algo raro e difícil de acontecer.

• É muito curioso que agora o Palmeiras volte a invocar a velha “teoria de conspiração”, sugerindo que haja apito ‘amigo’ a favor do Flamengo, se a CBF continua administrada por uma maioria paulista. Vale lembrar que o atual presidente, Rogério Caboclo, foi eleito graças à articulação do seu antecessor, Marco Polo Del Nero, banido do futebol por corrupção e ainda conselheiro do próprio Palmeiras. Cabe aí um ditado popular muito comum aqui nos nossos grotões: “O macaco tantas faz que, um dia, esquece o próprio rabo”. (Fecha o pano!).
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