Parque Estadual do Rio Doce tem 484,2 hectares queimados

A principal suspeita é que os incêndios tenham causa criminosa

CBMMG/Divulgação


Mesmo após a chuva, trocos de árvores foram encontrados em chamas na área da Biquinha

O incêndio florestal que atinge o Parque Estadual do Rio Doce (Perd) completou três dias nesta segunda-feira (23). Até o fim da tarde a informação era que ainda há focos de queimadas espalhados pela área de preservação ambiental, com uma maior concentração na área do parque que está localizada em Timóteo. A principal suspeita é que os incêndios tenham causa criminosa.

Conforme o balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros, até às 11h desta segunda-feira (23) a área da Lagoa Juquita (nos arredores do bairro Macuco) e da Biquinha no Perd estavam com 245 hectares queimados, com uma linha de combate direto de três quilômetros. O Salão Dourado, na região de Cava Grande, estava com 18,2 hectares queimados. Troncos de árvores em chamas também foram encontrados na Biquinha, nessa segunda-feira.

484 campos de futebol
As áreas conhecidas como Salão Dourado e Alfa, consideradas zonas de amortecimento por serem limítrofes com a unidade de conservação estavam com 27 hectares e 194 hectares queimados, respectivamente, até o último balanço divulgado. Com isso, somando-se as Zonas de Amortecimentos e as outras áreas citadas anteriormente, foram consumidos pelo fogo 484,2 hectares do Perd. Para facilitar a compreensão do tamanho da área atingida pelo fogo, vale lembrar que um hectare é equivalente à área de um campo de futebol. Ou seja, o total da área queimada no Perd equivale a 484 campos de futebol.

Serviço mantido
Em entrevista ao Diário do Aço, o capitão Tiago Ferraz, do 11º Batalhão do Corpo de Bombeiros, afirmou que as atividades na mata do Perd foram reiniciados às 5h de segunda-feira e foram mantidos até às 18h. “Mesmo com a chuva, não fez muito diferença. Reduziu a intensidade dos focos em alguns pontos, mas o incêndio continuou. Por isso vamos voltar nesta terça-feira (24), no mesmo horário, para continuar os trabalhos de combate ao fogo. Esperamos que chova mais, para que contribua com as nossas ações”, destacou.

Causas criminosas
Em um vídeo divulgado nas mídis sociais, o gerente do Perd, Vinícius de Assis, lamentou a situação e disse que as causas do incêndio no parque são criminosas. “Estamos sofrendo com esses incêndios criminosos, que foram feitos de forma intencional, inclusive, para reverberar nas áreas verdes do parque, de Timóteo e Marliéria. Com isso, pedimos para que as pessoas vigiem. Se virem alguém colocando fogo na mata, denunciem”, enfatizou.

Aeronaves
Além do combate feito por terra, com bombeiros militares, brigadistas e voluntários, de forma direta e indireta, também são usadas aeronaves para lançar água sobre os focos do incêndio. Os aviões, normalmente usados para pulverização em lavouras, são empregados no transporte de água que é lançada sobre a Mata Atlântica em chamas. O aeroporto de Santana do Paraíso é a base do combate aéreo. O efetivo total é de quase 200 pessoas envolvidas, contando com bombeiros, brigadistas, policiais militares, voluntários e outros.

Planejamento das ações
No domingo (22), o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar, Alexsandro Nunes, o gerente do Perd, Vinicius Moreira e o prefeito de Timóteo, Douglas Willkys, realizaram uma reunião para discutirem acerca da operação no Parque Estadual.

Conforme o planejamento das ações, as equipes de combate foram divididas em duas frentes. A primeira trabalhou na região do Salão Dourado, que fica localizado no distrito de Cava Grande, onde havia incêndio de pequena proporção. E a segunda frente trabalhou no combate aos focos próximos aos bairros Alphaville e Macuco, onde a linha de fogo ultrapassava sete quilômetros, sendo necessário o uso de helicópteros e aviões, além de uma grande equipe de apoio. A Escola Municipal do Alphaville, em Timóteo, é utilizada como base de apoio para o planejamento das ações.

Parque
O Parque Estadual do Rio Doce está inserido nos municípios de Marliéria, Dionísio e Timóteo. Ele abriga a maior floresta tropical de Minas Gerais, em seus 35.970 hectares, e é a primeira unidade de conservação estadual criada em Minas Gerais pelo Decreto Lei nº 1.119, assinado em 14 de julho de 1944. Árvores centenárias, madeiras nobres de grande porte e uma infinidade de animais nativos compõem o cenário do Perd. O Parque é composto por quarenta lagoas naturais, dentre as quais destaca-se a Lagoa Dom Helvécio, com 6,7 Km² e profundidade de até 32,5 metros.

(Repórter - Tiago Araújo)
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Comentários

Alexandre 27 de setembro, 2019 | 08:40
O acesso de moradores e caçadores à zona de amortecimento é que facilita aos incendiários tocar fogo na mata. Se esse crime fosse punido com severidade isso não aconteceria, mas como tudo no Brasil a pena é leve, os criminosos seguem agindo.

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