Pressão aumenta

Fernando Rocha

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Fernando Rocha
O Atlético vai fechar a 20ª rodada do Brasileirão amanhã, às 20h, em Florianópolis, jogando contra o ‘lanterna’ da competição, o Avaí. Mas o que ainda incomoda os torcedores alvinegros é a derrota sofrida na última quinta-feira na Argentina, por 2 x 1, de virada, para o Colón, no jogo de ida pela semifinal da Copa Sul-Americana.

Agora, o time comandado pelo técnico Rodrigo Santana acumula seis derrotas em oito jogos, o que aumenta a pressão da torcida, insatisfeita com o desempenho pouco efetivo da comissão técnica e da maioria dos jogadores.

O time continua apresentando erros recorrentes. É pouco criativo e desorganizado na marcação do meio-campo, o que acaba fragilizando ainda mais a defesa, que tem uma média de idade muito alta e onde alguns jogadores, como o lateral Fábio Santos, têm dado sinais evidentes de inaptidão física para atuar em alto rendimento.

O Galo vai precisar de uma vitória simples, diante da sua torcida, no Mineirão, para se classificar para a final da disputa sul-americana, mas não passa confiança alguma de que poderá fazer isso, mesmo jogando contra um adversário que nem sequer é considerado ‘mediano’ no ranking do futebol argentino.

Há controvérsias
Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha, na última semana, confirmou o Flamengo na condição de time mais popular do Brasil, com 20% das preferências, ou seja, que um em cada cinco brasileiros torce pelo ‘Mengão’. Em segundo lugar aparece o Corinthians, com 14,%.

A partir daí a pesquisa virou um verdadeiro “samba do crioulo doido”, com nuances e detalhes que dariam boas horas de discussões, em casa, no trabalho ou numa mesa de bar com amigos, tomando uma cervejinha.

Achei prudente ouvir a opinião de um especialista, Firmino Souza, diretor-proprietário do Instituto Tabulare, pioneiro e estudioso em pesquisas na nossa região, com mais de 20 anos de experiência no ramo, que também vê inconsistências no trabalho do Datafolha, que é o mais importante neste segmento no país.

Prometo trazer brevemente uma análise completa dessa pesquisa, até porque o Datafolha já começou a destrinchá-la, em detalhes que chamam a atenção de quem é especialista no assunto.

O calcanhar de Aquiles da pesquisa, segundo Firmino Souza, é a margem de erro fixada em apenas 2%, que acaba proporcionando uma situação no mínimo curiosa: do Vasco (5º) com 4%, até os últimos colocados, passando pelo Cruzeiro em 6º lugar com 3%, e o Galo, que aparece em 10º, com 2%, todos estão empatados tecnicamente e não dá para afirmar quem possui a maior torcida.

Para o analista, “falta responsabilidade ao instituto, por não esclarecer sobre a variação dos números, bem como a quem compartilha os resultados”. Para ele, “o instituto (Datafolha) mascara a definição de margem de erro e intervalo de confiança da pesquisa, uma vez que são muitos elementos (dezenas de clubes) nas respostas”.

“A tendência é que os resultados sejam mais discrepantes, sem contar que quase 1/4 da amostra é desprezada, uma parcela que não torce para nenhum clube, ou seja, aproveita-se da amostra, como respondentes, pouco mais de 2 mil pessoas”, muito pouco por se tratar de futebol, diz Firmino.

FIM DE PAPO
Um dado que ninguém contesta na pesquisa do Datafolha são os 2%, muito abaixo dos que não tem preferência por clube algum, e que foram dados à seleção brasileira. Mas o pior é que a CBF não está nem aí para a voz do povo. Ao contrário de algumas décadas atrás, o brasileiro não sente hoje qualquer atração em ver o jogador do seu time na seleção, sobretudo quando a convocação atrapalha na disputa por títulos. O correto é valorizar o clube e o Campeonato Brasileiro, mas esta não parece ser a filosofia da entidade que administra o futebol nacional.

Ao contrário da Europa, aqui o Campeonato Brasileiro não é interrompido nas chamadas “datas-FIFA”. Agora, por exemplo, dois jogos amistosos inúteis foram marcados para os dias 10 e 13 de outubro, em Cingapura, contra as ‘poderosíssimas’ seleções de Nigéria e Senegal. Mesmo assim, para estes amistosos a CBF convocou jogadores do Flamengo, Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Atlético-PR, que terão jogos decisivos pelo Brasileirão.

O clube, sem nenhuma dúvida, é hoje a razão da paixão popular que o futebol representa e quem paga os salários dos jogadores. A CBF os destrata e desvaloriza a maior competição nacional, dos quais em tese deveria cuidar e proteger, mas esperar o que de uma entidade que não cuida direito sequer da seleção brasileira, o seu principal produto?

Por que não fazer estes dois jogos no Brasil, facilitando a logística para que os jogadores que atuam aqui possam ser convocados, e ao mesmo tempo defender seus clubes, não prejudicando a ninguém na maior competição nacional? Ao mesmo tempo, estaria aproximando a seleção dos torcedores, mas nada disso importa para a CBF, que só quer saber de faturar, encher os cofres de dinheiro. O resto que se dane. (Fecha o pano!)
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Comentários

Kleber Barbosa Júnior 21 de Setembro, 2019 | 21:15
Pelas "análises" do Tabulare e do autor da coluna, o Datafolha é formado por amadores e irresponsáveis (sic).

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