Policiais mineiros falam em paralisação

Agentes de segurança engrossam o tom com o governo de Minas Gerais e reivindicam correção de perdas salariais superiores a 28%

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Agentes das forças de segurança de Minas Gerais estiveram reunidos no começo da semana e não descartam paralisação

Os representantes dos agentes de segurança pública prometem para sexta-feira (20) um novo protesto, em Belo Horizonte. O motivo é que o governo de minas reconheceu a perda com a inflação pela categoria, mas se dispõe a pagar a perda inflacionária, de 28,82%, de forma parcelada nos próximos anos, a começar em setembro do ano que vem. Os agentes da segurança pública querem o pagamento a partir de janeiro de 2020 com os percentuais anuais bem definidos. Apesar de uma reunião de negociação com representantes do governo ter durado horas, na noite de segunda-feira (16), não houve acordo. O resultado foi anunciado em um caminhão de som por um dos líderes do movimento, o tenente-coronel reformado Domingos Sávio Mendonça. “Quem rejeita a proposta levanta o braço”. A maioria gritou contra a proposta.

Mendonça não é membro de nenhuma associação, mas se tornou uma liderança orgânica do movimento, principalmente por causa de seu engajamento nas mídias sociais. Em entrevista à Rede Itatiaia, explicou por que a categoria não aceitou a proposta do governo.

“A categoria não aceitou porque tem quatro anos e meio que está sofrendo com o salário atrasado e parcelado. O Romeu Zema, que tem dinheiro para pagar o judiciário, Ministério Público, fazer repasses para os municípios, e para pagar jetom para os secretários dele, quer que os operadores de segurança pública esperem até setembro do ano que vem para iniciar a reposição de perdas que vai ser parcelada. Só que por uma absoluta incapacidade nós não temos condições de esperar, então foi unânime (a rejeição). Aí eu pergunto, qual vai ser o desdobramento disso? Uma nova assembleia, e eu espero das entidades de classe da PM, PC, dos agentes penitenciários e dos deputados é a convocação de uma paralização, nós só podemos responder o governo com a paralização da segurança pública porque aí aparece dinheiro. Nós investimos no diálogo, investimos em tudo, a revolta é grande, o pessoal já quer partir para um protesto, mas temos que organizar a reação a indiferença do governo. Não tem como, Romeu Zema, esperar até setembro”, disparou.

Mendonça envolveu-se em uma polêmica, quando no fim de agosto publicou um áudio em que afirmou: ”Tem que me matar, porque, se não me matar, eu mato o Romeu Zema. Eu mato o Romeu Zema porque há injustiça aí”.
Questionado a respeito do assunto, na reunião de segunda-feira, o militar da reserva disse que não chegou a falar com o governador, mas falou com o secretario e pediu desculpas pela conduta que ele admite ser fora do padrão. “Nós não devemos, em uma democracia, falar em matar ninguém, nós queremos a reposição dos direitos, mais nada”, resumiu.

Incerteza

O subtenente Éder Martins, presidente da Associação dos Praças (Aspra) afirmou que a negociação da reposição esbarrou nos prazos. “Ele (governo) diz que irá fazer o pagamento parcelado a partir de 2020, 2021, 2022 e chegando em 2023. Onde é que esbarrou a negociação que não avançou? Para que isso seja concedido ele tem que encaminhar um projeto de lei para a assembleia legislativa, ele não assumiu esse compromisso de quando enviará esse projeto de lei e pior, ele não disse quais os percentuais em 2020, 2021, 2022, 2023, nós sabemos o percentual da perda, 28,82%, mas ele não diz quando será em setembro do ano que vem, que a gente já não concorda porque é daqui um ano ainda, se vai ser 1%, se vai ser 30%, ou seja, corre-se o risco dele garantir 1% no ano que vem, em setembro de 2020, o restante para 2023, aí não faz sentido. Com isso a categoria não concordou e por isso encerramos as negociações”, detalhou.

Reconhecimento

Éder Martins afirma que a categoria deixou clara a mensagem para o governador, ou ele reconhece a importância das forças de segurança, ou pode haver, sim a paralização das forças. Se for preciso paralisar nós vamos paralisar”, concluiu

Em nota, governo afirma que assume compromisso com pagamentos

Por meio de nota, divulgada à imprensa o Governo de Minas Gerais informou que reconhece a legitimidade do pleito e as perdas salariais com a inflação no percentual de 28,82%. “O governo assume o compromisso de fazer a recomposição das perdas inflacionárias com o seguinte cronograma, uma parte do aumento em setembro de 2020, outra em setembro de 2021, outra em setembro de 2022 e a última parte desse aumento de 28,88% em março de 2023”, descreve.

O governo reitera na nota que, caso Minas Gerais consiga realizar a operação financeira o pagamento das forças de segurança pública será no quinto dia útil a partir de dezembro desse ano e o pagamento integral do décimo terceiro salário de 2019 acontecerá no dia 21 de dezembro, essa última medida do décimo terceiro valerá para todos os servidores estaduais. O Governo de Minas conclui a nota reafirmando o compromisso de manter as negociações e o diálogo com os servidores da segurança pública.
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