Internet das Coisas: saiba como essa tecnologia pode atingir sua vida

Na Internet das Coisas (IdC), novas aplica√ß√Ķes permitem o uso coordenado e inteligente de aparelhos para controlar diversas atividades

Marcello Casal Jr/ Agência Brasil


As regras para este ambiente tratam tanto da conexão como da coleta e processamento inteligente de dados

Internet das Coisas. Embora mais conhecido entre t√©cnicos, empresas e pesquisadores, o termo vem ganhando visibilidade na sociedade. As coisas, neste caso, s√£o todo tipo de equipamento que pode ser conectado de distintas formas, de um caminh√£o para acompanhamento do deslocamento de frotas de transporte de produtos a microssensores que monitoram o estado de pacientes √† dist√Ęncia em hospitais ou fora deles.

Na Internet das Coisas (IdC) - tamb√©m tratada pela sigla em ingl√™s IoT (Internet of Things) - novas aplica√ß√Ķes permitem o uso coordenado e inteligente de aparelhos para controlar diversas atividades, do monitoramento com c√Ęmeras e sensores at√© a gest√£o de espa√ßos e de processos produtivos. As regras para este ambiente tratam tanto da conex√£o como da coleta e processamento inteligente de dados.

O ecossistema da IdC envolve diferentes agentes e processos, como m√≥dulos inteligentes (processadores, mem√≥rias), objetos inteligentes (eletrodom√©sticos, carros, equipamentos de automa√ß√£o em f√°bricas), servi√ßos de conectividade (presta√ß√£o do acesso √† Internet ou redes privadas que conectam esses dispositivos), habilitadores (sistemas de controle, coleta e processamento dos dados e comandos envolvendo os objetos), integradores (sistemas que combinam aplica√ß√Ķes, processos e dispositivos) e provedores dos servi√ßos de IdC. Para saber mais sobre planos de internet banda larga em geral, acesse o Portal de Planos.

Evolução
Segundo o economista do setor de tecnologias da informa√ß√£o do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ√īmico e Social (BNDES), Eduardo Kaplan, a IdC poderia ser entendida como uma “converg√™ncia” de tecnologias j√° existentes, mas gerando o que o especialista chama de um salto qualitativo.

“A IdC traz mudan√ßas tanto no desenvolvimento de uma conectividade mais pervasiva quanto no aumento do processamento dos dados e barateamento e refinamento dos sensores que permitem a coleta de dados em diversos ambientes e com diferentes atuadores. Tudo isso associado a alguma solu√ß√£o pr√°tica, algum uso que permite aumento de efici√™ncia, redu√ß√£o de interven√ß√£o humana, novos produtos ou novos modelos de neg√≥cios”, explica.

O presidente da Associa√ß√£o Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), Fl√°vio Maeda, pontua que a IdC n√£o √© uma tecnologia nova, mas um novo sistema de solu√ß√Ķes t√©cnicas. “A gente est√° tratando o tema em geral como se fosse uma continua√ß√£o da revolu√ß√£o da internet, a Internet 4.0. As coisas v√£o ficar conectadas e isso tem grandes implica√ß√Ķes”, assinala.

Mais coisas conectadas
Na mesma linha, o executivo de Watson da IBM Am√©rica Latina, Carlos Tunes, lembra que a conectividade em diversas atividades j√° ocorre h√° v√°rios anos, como √© o caso de processos de automa√ß√£o, mas a diferen√ßa da IdC seria a quantidade de dispositivos e as transforma√ß√Ķes que esse tipo de recurso pode gerar em diversas √°reas.

O advento da IdC √© que hoje a gente tem muito mais coisas conectadas do que t√≠nhamos no passado. Agora temos desde um rel√≥gio, m√°quina de lavar. IdC acabou tendo uma pulveriza√ß√£o deste tipo de sensoriamento e traz isso a um novo n√≠vel. Antes tinha n√ļmero limitado de dados e com frequ√™ncia grande. Agora tem quantidade maior de dados numa frequ√™ncia quase que online, o que permite uma tomada de decis√£o instant√Ęnea”, comenta.

Um exemplo √© o uso de sensores em tratores que medem a situa√ß√£o do solo e enviam dados para sistemas respons√°veis por processar essas informa√ß√Ķes e fazer sugest√Ķes das melhores √°reas ou momentos para o plantio. Outro √© a ado√ß√£o de dispositivos em casa, como term√īmetros, reguladores de consumo de energia ou gestores de eletrodom√©sticos, que permitem ao morador da resid√™ncia controlar esses equipamentos √† dist√Ęncia.

M√°quina a m√°quina
O diretor de inova√ß√£o do centro especializado em tecnologia CPQD, Paulo Curado, destaca que uma das diferen√ßas desse novo ecossistema √© a capacidade de conectar m√°quinas que passam a se comunicarem e, com isso, gerar uma forma mais complexa de monitoramento, coleta e an√°lise de informa√ß√Ķes e tomada de decis√Ķes a partir destas, inclusive de maneira automatizada.

“IdC √© quando voc√™ pega sua agenda e coloca compromisso. E a√≠ eu pego meu rel√≥gio conectado, estou dentro do Waze [app de mobilidade]. Se ocorrer um acidente, o Waze vai me acionar pois preciso acordar mais cedo. Isso sem a interfer√™ncia de ningu√©m. Quando as coisas come√ßam a conversar, conectadas √† internet, a gente fala em Internet das coisas. Isso muda bastante”, exemplifica.

“Qual √© a grande diferen√ßa do conceito de Internet das Coisas? Quando tem diversas solu√ß√Ķes envolvendo a comunica√ß√£o m√°quina a m√°quina. Quando h√° solu√ß√Ķes integradas numa rede √ļnica, onde publicam informa√ß√Ķes delas e consomem de outras, a√≠ estamos falando de IdC”, acrescenta o coordenador de projetos de cidades inteligentes do Instituto Nacional de Telecomunica√ß√Ķes (Inatel), Fred Trindade.

Mas...
Para a professora coordenadora do Medialab da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fernanda Bruno, esse novo ecossistema traz uma amplia√ß√£o da vigil√Ęncia da vida das pessoas, que hoje j√° existente nos smartphones, mas com potencial de crescimento por meio da dissemina√ß√£o de sensores em todo tipo de equipamento, como ve√≠culos, eletrodom√©sticos, postes e edif√≠cios.

Mas esse processo, continua a professora, não é apenas um aumento quantitativo desse monitoramento do cotidiano, mas também qualitativo, uma vez que a captura dos dados é mais sutil e silenciosa, muitas vezes sem a consciência por parte dos indivíduos de que estão sendo objeto de tal monitoramento.

“Enquanto a Internet ‘tradicional’ foi marcada pela interatividade, a IdC est√° incorporada aos objetos e captura os nossos dados enquanto usamos tais objetos ou frequentamos certos espa√ßos e ambientes. Mas √© preocupante pensarmos que quantidades imensas de dados extremamente relevantes e sens√≠veis sobre nossos h√°bitos e comportamentos est√£o sendo coletados de forma cont√≠nua sem que seja necess√°ria a nossa percep√ß√£o e consci√™ncia deliberada disso”, observa Fernanda Bruno.

Arte BNDES

Exemplos de casos de uso nos principais ambientes de aplicação da Internet das Coisas


(Jonas Valente РRepórter Agência Brasil)
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: falecomoeditor@diariodoaco.com.br

Coment√°rios

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

ENVIE O SEU COMENT√ĀRIO