29 de agosto, de 2019 | 08:30
População da Região Metropolitana alcança quase meio milhão
Com a inclusão de Belo Oriente, o núcleo da metropolização do Vale do Aço chega a 523.718 habitantes, aponta estudo
Wôlmer Ezequiel
Conforme os números, Ipatinga tem, em 2019, 263.410 moradores; Coronel Fabriciano 109.855; Santana do Paraíso 34.663 e Timóteo 89.842
Conforme os números, Ipatinga tem, em 2019, 263.410 moradores; Coronel Fabriciano 109.855; Santana do Paraíso 34.663 e Timóteo 89.842O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (28) as estimativas da população brasileira. Conforme os dados, na Região Metropolitana do Vale do Aço há 497.018 moradores, se somados os habitantes de Ipatinga, Santana do Paraíso, Coronel Fabriciano e Timóteo.
Os dados foram calculados pelo Observatório das Metropolizações, projeto de extensão vinculado à pesquisa de Doutorado desenvolvida pelo geógrafo William Passos, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ), com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).
Conforme os números, Ipatinga tem, em 2019, 263.410 moradores; Fabriciano 109.855; Paraíso 34.663 e Timóteo 89.842. Com a inclusão de Belo Oriente, o núcleo da metropolização do Vale do Aço alcança 523.718 habitantes. Em seus estudos, William sugere a inclusão de Belo Oriente na Região Metropolitana do Vale do Aço, por sediar um dos braços do parque industrial da região, a Cenibra. Conforme os dados, Santana do Paraíso foi o município que mais cresceu na década (27,13%), saltando de 27.265 habitantes em 2010 para 34.663 este ano.
Ipatinga registrou o segundo maior crescimento na Região Metropolitana (10%), saindo de 239.468 moradores para 263.410. Já Timóteo apresentou praticamente o mesmo ritmo de crescimento (9,66%), evoluindo de 81.243 para 89.842 habitantes. Por sua vez, Coronel Fabriciano, que detinha 103.694 residentes em 2010, teve o menor crescimento (5,94%), registrando 109.855 munícipes atualmente.
Para William Passos, com esses resultados, as estimativas comprovam que Santana do Paraíso se consolida como a principal frente de expansão demográfica da Região Metropolitana, crescendo a um ritmo médio anual superior a 3%. Fora da Região Metropolitana, mas compondo o núcleo da metropolização, Belo Oriente cresceu a um ritmo anual de 1,66%, apresentando um incremento de 14,12% na década, cuja população subiu de 23.397 habitantes em 2010 para 26.700 moradores este ano.
Em termos comparativos, a população do Vale do Aço cresceu a um ritmo superior a de Minas Gerais nos anos 2010 (10,04% frente a 8,02%) e praticamente acompanhou o crescimento de 10,17% da população brasileira no período. Minas é o segundo estado mais populoso do país, somente atrás de São Paulo. A população mineira é de, atualmente, 21.168.791 habitantes, enquanto o Brasil registra atualmente 210.147.125 cidadãos”, destaca o geógrafo.
Fundo de Participação
As estimativas populacionais municipais do IBGE são um dos parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União para o cálculo do Fundo de Participação de Estados e Municípios e constituem referência para vários indicadores sociais, econômicos e demográficos. No cálculo, as populações dos municípios são estimadas por um procedimento matemático que leva em consideração o resultado da distribuição das populações dos estados, projetadas por métodos demográficos, entre seus diversos munícipios. O método baseia-se na projeção da população estadual e na tendência de crescimento dos municípios, balizada pelas populações municipais captadas nos dois últimos Censos Demográficos (2000 e 2010) e ajustadas. As estimativas municipais também incorporam as alterações de limites territoriais municipais ocorridas após 2010.
Problemas
O geógrafo aponta que, ultrapassando a marca dos 500 mil habitantes, a região poderá começar a enfrentar problemas típicos das grandes metrópoles e deve preparar ações para a próxima década. Santana do Paraíso, por exemplo, necessita de uma atenção especial das autoridades metropolitanas, já que os dados sinalizam que o município se constitui na principal frente de expansão urbana e demográfica do núcleo metropolitano, e poderá sofrer problemas típicos do crescimento desordenado, que a região não conhece por ter sido planejada desde o início sob o modelo de cidade-empresa.
Como a expansão está ocorrendo num período de crise e, portanto, de baixo crescimento econômico, diferentemente de momentos anteriores, quando o crescimento demográfico da região veio acompanhado da instalação de grandes empresas, Paraíso poderá se tornar alvo de um processo agressivo de especulação imobiliária, que supereleva o valor dos terrenos e dos imóveis e impede o acesso à moradia da camada mais pobre.
Uma das consequências mais frequentes desse processo em países como o Brasil é a formação de ocupações irregulares, que progressivamente vão tomando a forma de favelização. No passado, a região já adotou mecanismos de planejamento urbano para a contenção desse processo e acabou obtendo sucesso. Foi graças a esses mecanismos que não se constituíram na região, no decorrer da sua história, a formação de aglomerados subnormais, o que faz do Vale do Aço uma exceção e um exemplo para o país”, avalia William.
Estrutura
Além disso, a região precisa se preparar para expandir a malha do transporte público até as novas áreas de ocupação e começar a pensar em alternativas ao ônibus e ao carro como, por exemplo, a criação de linhas de trem e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos). Segundo o geógrafo, é necessário pensar em formas de garantir a qualidade de vida e a dos serviços públicos, num cenário de ampliação da população, assim como maneiras de promover a dinamização da atividade econômica, atenuando a dependência da Usiminas, de forma a garantir mais oportunidades de trabalho.
Tudo isso, porém, passa pela necessidade de revisão do plano diretor regional e do plano diretor dos municípios, que é o instrumento responsável pelo ordenamento do crescimento urbano. Na minha opinião, passa ainda pela necessidade de abertura à possibilidade de revisão da geografia da região metropolitana, com a inclusão de novos municípios, como, por exemplo, Belo Oriente. A região precisa entender que região metropolitana é uma unidade formada por um todo e esse todo não necessariamente é formado por municípios com ajuntamento de tecido urbano”, pondera o geógrafo.
Além disso, William Passos acredita que é o momento de a região começar a se mobilizar pela instalação de uma universidade pública, dedicada à pesquisa, inovação e produção tecnológica. Uma Universidade do Vale do Aço, e não apenas uma escola superior de medicina, como ocorrera recentemente em relação à quase instalação de um polo da Universidade Federal de Ouro Preto”, conclui. (Bruna Lage - Repórter)
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