Comerciante assassinado em suposto assalto, em Jaguaraçu

Mulher, filha e amante da esposa foram encaminhados para a delegacia para explicações

26/08/2019 às 12:49
Reprodução
Joaquim Henrique morreu com golpes de faca dentro de sua casa, localizada sobre a mercearia dele
Atualizada às 16:54
Um caso violento foi registrado pela Polícia Militar na madrugada desta segunda-feira (26), na rua Governador Valadares, no Centro de Jaguaraçu. O comerciante Joaquim Henrique, de 53 anos, morreu assassinado com pelo menos 17 facadas em um suposto assalto a sua residência. A suspeita da polícia é que o roubo foi forjado para encobrir o homicídio a mando. A mulher dele, uma filha e um jovem, que teria um caso com a esposa da vítima, foram conduzidos para prestarem esclarecimentos sobre o crime.

As peças do quebra-cabeça começaram a ser juntadas com o acionamento da PM realizada por A.S.P.H., de 38 anos. Ela e a filha, uma adolescente, como apurou o Diário do Aço, procuraram o cabo Martins, em sua casa, informando que foram vítimas de criminosos. Elas contaram que dois indivíduos, um alto, barba rala, com boné e o outro com uma blusa com capuz, entraram na casa no segundo piso.

Os autores podem ter escalado o muro e entraram na residência que é sobre a mercearia da vítima. Eles renderam a esposa de Joaquim com uma faca na sala e em seguida renderam a adolescente no quarto dela. A dupla queria as chaves do cofre, enquanto acordaram a vítima no quarto com socos e chutes.

O comerciante entregou as chaves da mercearia para que eles pegassem o dinheiro. Um dos autores saiu com a mulher e a filha para o local, pegando a caixa registradora completa. Eles queriam a chave de um cofre, mas estranhamente não davam tempo para a vítima informar, pois já era agredido e tampavam sua boca.

Eles foram até a cozinha e pegaram facas, indo para o quarto onde estava Joaquim. As duas alegaram que ouviram o comerciante implorar pela vida, mas depois não se ouviu mais nada. Os autores fugiram em seguida da residência levando a caixa registradora. Mãe e filha entraram no cômodo deparando com o comerciante já sem vida, com a faca encravada no pescoço dele.

Confirmou a morte
A morte do comerciante foi confirmada pelo cabo Martins, PM que acionou reforço da região para tentar prender os autores. Por meio de uma câmera de segurança nas proximidades, os policiais viram um carro escuro, que pode ser uma VW Parati ou um VW Gol com bagageiro em cima e aerofólio, mas com a escuridão as imagens não estavam nítidas.

Pelas imagens, se pode ver o desembarque do carro de dois autores do crime que entraram pelo portão, sem necessidade de escalar o muro. Mãe e filha insistiram que o portão estava trancado, mas não havia sinal de arrombamento. Outra situação apurada pela PM é quanto ao sistema de monitoramento de câmeras de segurança da casa.

A.S. alegou que não sabia operar o equipamento, mas um PM, ao verificar o gravador das imagens, viu que o cabo estava desconectado. Curiosamente, de acordo com os policiais, o equipamento foi desligado por volta das 23h30 de domingo. Outra situação indicada pelos militares é a reação da mãe e filha que não demonstravam sentimento de dor ou algo semelhante com o ocorrido.

O perito da Polícia Civil constatou pelo menos 17 golpes de faca no corpo de Joaquim, que segurava uma faca e outra faca foi encontrada debaixo do cadáver. Havia ainda um sinal de mordida no braço esquerdo da vítima. O corpo foi removido ao IML de Ipatinga para ser necropsiado.

Comerciante descobriu traição
Com a chegada do filho de Joaquim, ele revelou que o pai já sabia do caso extraconjugal da mãe, inclusive sabendo quem seria o amante, o jovem T.F.M., de 18 anos, que foi localizado e detido. Joaquim também estava tendo problemas com a filha, ao descobrir que ela estaria usando drogas e se relacionando com uma pessoa envolvida com entorpecentes.

Com a revelação deste filho, a esposa confirmou aos policiais o caso extraconjugal, mas negou ter qualquer envolvimento com a morte do marido. Ela tentou negar, mas depois confirmou que Joaquim tinha um seguro de vida, contudo informou que não sabia qual valor seria. O marido dela estava juntando provas do caso dela, que teria dois anos, desde quando o rapaz tinha 16 anos.

Além da gaveta do caixa, os autores do crime levaram celular da filha, algumas joias dela e da mãe, mas os policiais estranharam porque não levaram um cordão e uma pulseira, ambos de ouro, da adolescente. Com tantas informações desencontradas, além de ligações telefônicas entre A. e T., pouco antes do crime, os policiais militares conduziram mãe e filha, juntamente com o amante da mulher, para a delegacia de Polícia Civil, em Timóteo, para mais esclarecimentos do caso que está em investigação.

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