Conflitos! Resolver ou administrar?

Thomas Lanz *

Torcidas organizadas retratam de forma bem elucidativa o conflito em empresas e suas diferentes etapas. Vamos imaginar que um torcedor de futebol, um expert no assunto, encontre um conhecido também entendido no esporte, só que de outra equipe. Ambos provavelmente irão discutir de forma civilizada e racional as táticas utilizadas pelos respectivos técnicos dos times na preparação das equipes, o desempenho dos principais atletas e assim em diante.

Dia seguinte, tem jogo. Lá vai o nosso protagonista empolgado e uniformizado junto à sua torcida organizada em direção ao estádio. Palavras de ordem animam o grupo, a bebida corre solta e uma onda repleta de emoção invade cada um dos torcedores. Nosso homem, tão comportado e racional no dia anterior quando conversava com seu amigo, torna-se uma pessoa impulsionada pela emoção. Se ele fosse conversar com alguém de outro time agora, lhe faltaria a lógica necessária e provavelmente o tom e a agressividade iriam com certeza aumentar rapidamente muitas vezes, indo até às ‘vias de fato’, ou seja: a agressão física toma conta do cenário. Isso a gente vê todos os dias.

O mesmo ciclo, com suas devidas proporções, permeia muitas famílias empresárias. É interessante acompanhar as discussões que antecedem as tomadas de decisão. Temos famílias que, de forma racional, chegam a uma saída ou decisão comum, mesmo necessitando de um certo tempo para isto. Já em outras famílias, os debates são regados à tensão desde o início das conversações. Sempre há os que são automaticamente do contra, sem sequer apresentar reais justificativas para suas posições. Fatos anteriores ou até situações acontecidas há muito tempo são evocados como embasamento para as mais diversas discussões. Às vezes, do nada, o conflito verbal está armado e vez ou outra a briga física entristece o ambiente familiar e o desenrolar das coisas.

Especialistas são muitas vezes chamados para tentar resolver, intermediar ou tentar explicar o porquê destas desgastantes crises familiares. E por mais que eles trabalhem, na maioria dos casos não conseguem ajudar como gostariam. A origem da fagulha emocional em certos indivíduos pode estar alojada no fundo do subconsciente, não permitindo que se possa resolver a situação e fazer com que a família trabalhe como equipe unida, harmônica e coesa. Sempre um ou dois membros irão soltar emoções, não permitindo que a busca pelos resultados seja feita de forma tranquila.

Por mais que se queira, é praticamente impossível resolver conflitos nestes casos. Talvez a única saída seja a de saber administrá-los através da construção de um objetivo comum. A ideia aqui não é tentar resolver o passado com suas contendas e situações, e sim, construir algo que desperte o interesse de todos. Eventualmente um novo projeto, bem coordenado e administrado pode vir a entusiasmar todos a buscarem de forma harmônica e pacífica os seus objetivos comuns. Para isto, é melhor esquecer a resolução de conflitos passados e olhar para a frente.

* Fundador da Thomas Lanz Consultores Associados, especializada em governança corporativa, gestão de empresas médias e grandes no Brasil.

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