Networking e Empregabilidade

Luiz Antônio Fagundes *

Em tudo o que fazemos na vida social, profissional e comercial, ocorre o contato e o envolvimento com gente. Estamos sempre avaliando e sendo avaliado e não nos preparamos para relacionar com o interlocutor, o que pode resultar em impressões distorcidas. Com alguns a sintonia é fina, apurada, convergente, aglutinadora, crescente. Com outros só uma sintonia e, às vezes, a necessária sintonia administrada. Lógico, com alguns temos mais afinidade, o que não implica em ignorar os demais. Somos espelho e reflexo, influenciamos e somos influenciados.

Não dá para não gostar de gente, não dá para viver isolado. Não dá para não conviver harmoniosamente. Não dá para ficar enclausurado em nosso mundinho, em nosso grupinho. É necessário aprender a compartilhar, gostar ou tolerar com elegância. Não custa um cumprimento, um sorriso, um olhar cordial, um aceno, um abraço.

Comunicamos maravilhosamente escondidos atrás de um celular, um computador, mas somos omissos, acanhados e temerosos quando estamos frente a frente com outras pessoas. Oportunize os contatos, no bairro, no mercado, na fila, na lotação, na igreja, na sala de espera, nos momentos de lazer, em redes sociais do bem. A cordialidade abre portas, a intransigência fecha. Comunique-se, respeitando seus limites e características.

Contraria definitivamente o mercado de trabalho: falar mal, fazer fofoca, dedurar, reclamar sem fundamento, ser pessimista, intolerante, não compartilhar, não participar, ser omisso, ausente, não ter entusiasmo, não ter senso de humor, não esforçar-se para interagir. O mundo não comporta e as empresas não querem pessoas com esse perfil. A palavra de ordem é adaptar-se. Adaptar-se ao novo, adaptar-se ao meio onde estiver envolvido de forma ética e profissional. Somos contratados pelo currículo e demitidos pelo comportamento. Não basta ser tecnicamente bom, é necessário entender de gente, gostar de gente, ser capaz de transitar por diferentes áreas do conhecimento e múltiplas equipes de trabalho.

Ao longo da vida somos inseridos nos mais variados ambientes e espaços que demandam convivência com outras pessoas. Já no primeiro contato olhamos, observamos e escolhemos nossos pares. Prejulgamos alguns e não damos oportunidade para descobrir afinidades, simplesmente ignoramos.

Ficamos muitos anos estudando, trabalhando, frequentando ambientes sociais, convivendo com pessoas e grupos distintos e não tiramos proveito, não ampliamos nossos laços, não aprendemos fazer networking. As redes de contatos agregam novas experiências, ensinam a trabalhar em equipe, melhoram nossos pontos fracos, estimulam a autoestima e ampliam a empregabilidade. Não é concebível passar todo esse tempo, sem estabelecer relações múltiplas e duradouras, sem criar laços profissionais e sociais.

Na sala de aula, no trabalho, no dia a dia, bem ao nosso lado, pode estar o futuro presidente do país, o diretor de uma grande empresa, um profissional de sucesso e não menos importante, um ser humano disposto a ser nosso amigo e, se necessário, nos ajudar. A sala de aula, o trabalho, o círculo social são ambientes propícios para multiplicar contatos, divulgar potencial, aflorar pretensões, pensar carreiras, fazer planos, delimitar necessidades, construir parcerias e acurar o comportamento.

Nosso networking começa no primeiro dia de vida, e sua dimensão, qualidade e utilidade dependem do talento e da boa vontade do seu gestor. Não perca tempo, aja prontamente, crie laços, o momento vivido jamais voltará.

* Escritor, consultor em planejamento empresarial, sistemas de produção, gestão pública, logística de movimentação e suprimentos, leciona em cursos de graduação e pós-graduação no Unileste.
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