Ipatinguense com paralisia cerebral batalha para concluir mestrado no Rio Grande do Sul

Durante seu período de férias em Ipatinga, Sidney Arruda contou ao Diário do Aço acerca da sua trajetória nos estudos e os obstáculos superados no decorrer dos anos

Wôlmer Ezequiel


Sidney Arruda formou em Engenharia Agronômica e agora faz mestrado em Geografia

Esforçado e independente sempre foram as características marcantes do ipatinguense Sidney Arruda, de 32 anos, que teve paralisia cerebral no seu nascimento. O morador do bairro Bom Jardim formou-se em Engenharia Agronômica, pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa), no Rio Grande do Sul. Agora, ele se esforça para concluir o mestrado em Geografia, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Durante seu período de férias em Ipatinga, Sidney Arruda contou ao Diário do Aço acerca da sua trajetória nos estudos e os obstáculos superados no decorrer dos anos. Conforme Sidney, antes de ir para a faculdade, ele estudava na Escola Engenheiro Amaro Lanari Júnior, no bairro Ideal. “Nessa época, usava uma máquina de datilografia na escola, já que não tinha condições de escrever, por causa da paralisia cerebral, que limitou os movimentos do meu corpo. No entanto, deu certo essa técnica e eu conseguia fazer minhas anotações durante as aulas do ensino médio”, disse.

Graduação
Após concluir o ensino médio, Sidney foi aprovado em Engenharia Agronômica, na Unipampa, e foi estudar o curso no município de Itaqui, no Rio Grande do Sul. “Em Itaqui tem um campus da Unipampa. Antes de mudar para lá, fiquei com medo de não dar certo e ter que voltar sem nada. A cidade fica perto da divisa com a Argentina e Uruguai. É uma viagem bem longa de Ipatinga até Itaqui. É o último município do mapa”, brincou.

Segundo Sidney, antes da aprovação na Unipampa, ele chegou a ser aprovado em duas universidades federais do Rio de Janeiro, mas sua mãe não o deixou ir, na época. “Quando eu passei na Unipampa, falei com ela que iria de qualquer jeito. Aí ela foi junto comigo, até eu me adaptar. Ela ficou uns seis meses e veio embora. Eu morava em uma república com seis rapazes. Fiquei um pouco receoso, por ficar longe da família e dos amigos. Em Itaqui era tudo novo, uma cultura diferente. Além disso, o custo de vida lá é mais caro, parece que o comércio explora um pouco, por ser uma cidade universitária, com muitos estudantes”, informou.

Conforme o Sidney, apesar das dificuldades, ele conseguiu se formar e ter o diploma de curso superior. “Deu tudo certo em Itaqui, fui bem recebido na cidade e contei com a ajuda de muitas pessoas. Foi a primeira vez que o curso teve um aluno com paralisia cerebral. Os professores me deram muito apoio, inclusive, teve um que incentivou a fazer mestrado, em uma universidade em que ele dava aula, que é a UFRGS”, afirmou.

Mestrado
O ipatinguense relatou que, após o incentivo de seu professor, decidiu arriscar e fazer a prova do mestrado em Geografia, na UFRGS. “Em dezembro do ano passado, divulgaram o resultado e vi que tinha sido aprovado, em ampla concorrência ainda. Tirei 7,6 na prova e fiquei muito feliz. Não pensei duas vezes. Mudei para Porto Alegre, onde fica o campus da UFRGS, mas até hoje enfrento dificuldades financeiras para me manter na cidade, que tem um custo de vida elevado, por ser uma capital”, revelou.

Segundo Sidney, ele alugou um apartamento em Porto Alegre e hoje mora sozinho, mas precisa se virar no cotidiano. “Eu mesmo que arrumo e limpo meu apartamento. Além disso, preciso pegar dois ônibus para chegar à faculdade. Tem dia que vou de Uber, porque fica o mesmo valor, aproximadamente, mas mesmo assim fica caro, e ainda tenho o aluguel para pagar todo mês”, relatou.

“Vaquinha online”
Com o objetivo de arrecadar dinheiro para se manter em Porto Alegre e conseguir concluir seu mestrado, Sidney criou uma “vaquinha online” para receber ajuda financeira das pessoas. “Está dando certo, muitos já doaram uma parte. Meus amigos e professores ajudaram na divulgação. Quem quiser ajudar, o site é www.vakinha.com.br, pode procurar pelo ID 523117 ou pelo meu nome. Em dezembro volto para Ipatinga e vou apresentar a minha dissertação só no próximo ano. Então, qualquer contribuição é muito importante”, afirmou.

Admiração
Para a mãe de Sidney, Laureni Ferreira Santos, só há orgulho e admiração pelo filho. “Ele nunca gostou de ser dependente em nada. Sempre foi esforçado e muito inteligente. Tem sido muito difícil manter ele morando fora, mas fazemos o que é possível. Fico muito feliz com o esforço do meu filho e grata por toda ajuda”, pontuou.
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