De ''pai solteiro'' a estudioso, psicólogo exalta o amor aos filhos

Para Daniel Guedes Soares, ser pai foi a maior emoção que já sentiu

Arquivo pessoal


Laura, Augusto e Daniel Guedes irão celebrar, juntos, o Dia dos Pais

O psicólogo Daniel Guedes Soares é categórico, ao dizer que ser pai foi a maior emoção que já sentiu. Aos 50 anos e com um largo sorriso, ele tem três filhos - Amanda, Laura e Augusto - e celebra o Dia dos Pais com a certeza de que lhe foi confiada uma missão: cuidar e prepará-los para a vida, construindo um caminho de bons pensamentos e ações.

O início dessa história de amor aos filhos começou há alguns anos. Daniel teve dois grandes desafios com a paternidade. O primeiro foi ser “pai solteiro”. A primeira filha é fruto de um namoro e veio sem nenhum planejamento e base necessária para se ter filhos. Ele recorda que os avós ajudaram a conduzir todo o processo de criação.

“Tudo deu certo, graças também a eles. Outro grande desafio é o que estou passando. Tenho um filho com o Transtorno do Espectro Autista. Ter um filho já é, por si só, um grande desafio, ter um filho especial é ainda mais desafiador. Primeiro temos que superar a fase que muitos chamam de luto, quando ficamos sabendo do diagnóstico do autismo. Daí para frente é um leão por dia. Envolve muita coisa, o emocional à flor da pele. O casamento passa por uma tremenda prova de sobrevivência, tem muita coisa, é um turbilhão de coisas que passa na cabeça. Até achar um caminho que seja mesmo seguro, meu Deus, como custa”, relata.

Ele começou a cursar psicologia quando Augusto nasceu, foi aprendendo e assistindo-o, e, com isso, notando seu desenvolvimento. Aos dois anos a mudança de comportamento foi se acentuando e, nesse momento, Daniel procurou ajuda especializada. “Começamos as terapias e de lá pra cá mergulhamos neste mundo azul. Percebi que nós, minha esposa e eu, nos tornamos também especiais, e aprendemos muito com o Augusto. Graças a ele, mergulhamos em um mundo diferente e ganhamos mais sensibilidade para com todas as pessoas especiais. Hoje estamos à frente do Centro de Integração Azul, que é uma associação de pais de autistas, buscando os direitos para a pessoa com o Transtorno do Espectro Autista”, destaca.

Questionamentos
Daniel Guedes salienta que nenhum pai pensa em ter filhos atípicos. Ao contrário, todos querem ter um filho para jogar bola, andar de carro, brincar de herói e tudo o mais. “Quando você recebe um filho com uma condição especial, balança, fica muito chateado, tem medo. Nossa! Como tive medo de não dar conta. Por um tempo fiquei querendo achar os ‘porquês’, depois larguei isso de lado, sacudi a poeira e fui à luta. Tudo que faço hoje visa primeiro os meus filhos. Um pai se transforma mesmo em outra pessoa, até acho que fica mais forte, embora às vezes me pegue chorando. Mas faz parte”, revela.

Questionado se há diferença entre a criação dos filhos, o psicólogo avalia que sim. “No meu caso, ficou muito claro que houve diferença. Como eu disse, fui pai solteiro da Amanda, eu era bem mais novo. Teve a participação dos avós ajudando a criação, prestava muita atenção nas demandas dela. Hoje a rotina é outra, com a Laura foi diferente, tudo girava ao redor dela. Quando veio o Augusto, ele teve que dividir a atenção com ela, ainda mais que ele tem suas limitações e demanda mais atenção. Temos que medir sempre, ficar ligado para que a Laura não se sinta menos amada, o que não é verdade”, pondera o pai, que é casado há 13 anos com Kênia Santos Barbosa Guedes.

O pai de Augusto aponta que o autista tem uma condição neurológica diferente das crianças típicas. Ele precisa ser estimulado o tempo todo para criar repertório de comportamento para desenvolver-se. Daniel diz pensar nisso a todo momento, porque as fases do desenvolvimento estão passando, e em cada uma delas há uma necessidade de aprendizado.

“Isso é importante para todas as crianças. Com o autista é preciso dedicação para fazê-lo aprender. E ainda tem o grau de comprometimento cognitivo, que é o balizador para as terapias. Sou aquele palhação, sabe? Com o Augusto sou mais intenso ainda. Com ele me dedico mais, para que ele desenvolva o comportamento. Com ele, é rolar no chão, desenhar e tudo o que consigo fazer. Tem terapia todos os dias. Minha esposa é uma supermãe e acompanha de perto, tudo para ele ter a chance de se desenvolver, ter autonomia e aprendizado que garanta a sua qualidade de vida”, salienta.

Mensagem
Para os pais novatos, com filhos ainda pequenos, a mensagem de Daniel é ter atenção e não desperdiçar a chance de ser alguém de referência. “Atenção com as palavras ditas. Seja uma pessoa de autoridade, e não autoritária na condução de suas vidas. Aos pais já mais experientes, iguais ao meu, penso em um sentimento: gratidão. Sim. Grato por ter colaborado na criação. Ser pai é uma vocação dada por Deus. Ele conta com cada pai em abraçar verdadeiramente a missão e mostrar o melhor caminho aos filhos, para que alcancem, um dia, o céu. Que Ele nos dê cada vez mais sabedoria para tanto. Feliz Dia dos Pais a todos. Vencemos sempre, sempre vencemos”, conclui.

(Repórter - Bruna Lage)
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