Investimentos em ações ficam mais atrativos, mas é preciso cuidado

Em entrevista ao Diário do Aço, o especialista em renda variável e investidor Victor Espindola destacou os cuidados necessários em relação à compra e venda de ações

Wôlmer Ezequiel


Victor Espindola destacou que as pessoas precisam analisar qual tipo de rendimento é mais adequado, conforme seu perfil

Com a redução da taxa Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) de 6,5% para 6%, anunciada pelo Banco Central, os investimentos em renda fixa, como a poupança, podem sofrer impactos e terem uma rentabilidade menor em relação aos anos anteriores. Com isso, uma alternativa mais rentável para os investidores é comprar ações no mercado da bolsa de valores, que é considerado um tipo de renda variável.

Em entrevista ao Diário do Aço, o especialista em renda variável e investidor Victor Espindola destacou os cuidados necessários em relação à compra e venda de ações, que muitas vezes são enxergadas de maneira distorcida e negativa pela população.

“Antes de tudo, sempre é preciso fazer conta. O investimento precisa estar alinhado com sua expectativa de ganho. Mas em cenário de renda fixa com queda de rentabilidade, a tendência é que os investidores migrem seu dinheiro para a bolsa de valores. Porém, os mais experientes estão cientes acerca dos riscos nesse tipo de investimento, por isso é indispensável que a pessoa procure um profissional e faça um estudo para conhecer melhor os riscos”, alertou.

Victor também pontuou que é fato que na bolsa de valores a possibilidade de obter um alto rendimento é muito maior que na renda fixa, mas ao mesmo tempo, há riscos maiores. “Não conseguimos grandes rentabilidades se a operação não tiver riscos. No entanto, é possível evitar perdas. Por exemplo, os iniciantes em investimento costumam comprar ações quando a bolsa está em alta e vender quando está em baixa, sendo que o correto deveria ser o contrário, ou seja, comprar barato e vender caro”, destacou.

Melhor investimento

Para o especialista em renda variável, as pessoas precisam entender que não existe o melhor rendimento, mas aquele que é melhor de acordo com a situação e perfil do investidor. “É preciso analisar as expectativas e metas antes de investir. O mais interessante é fazer conta e tentar entender qual das opções paga mais. Por exemplo, existem alguns Certificado de Depósito Bancário (CDB), que são papéis de renda fixa, que pagam 117% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), tendo uma rentabilidade interessante no fim do ano”, informou.

Poupança

Para Victor Espindola, antes da redução da taxa Selic, a poupança já era considerada pouco rentável, por ela pagar apenas 70% da taxa Selic. Com isso, para aquelas pessoas que não querem investir em renda variável, ainda há outras opções de investimento de renda fixa, com uma rentabilidade mais interessante que a poupança. “Qualquer outro investimento atrelado a Selic, que paga uma taxa um pouco maior, já compensa mais, como CBD, LCI e LCA. Só lembrando mais uma vez que nenhum desses são considerados os melhores investimentos, mas todos eles são melhores que a poupança, tratando-se de rentabilidade”, explicou.

Tesouro Direto

Dentre os investimentos de renda fixa, há também o Tesouro Direto, que ganhou destaque nesses últimos anos. Conforme Victor Espindola, o Tesouro Direto oferece três produtos para os investidores. “Existe o Tesouro Selic, que é atrelado 100% à taxa básica de juros e tem rentabilidade diária. Tem o pré-fixado, que já determina quanto a pessoa irá receber. E temos o Tesouro IPCA+ (pós-fixado), que paga a inflação e mais alguma taxa, que gira em torno de 3%. Este último é muito indicado para quem quer pensar em algum investimento de longo prazo, do tipo previdenciário”, detalhou.

Reforma da Previdência

Com a reforma da Previdência, que voltará a ser discutida na Câmara dos Deputados ainda nesse mês, há possibilidade dos trabalhadores se aposentarem mais tardiamente. Com isso, Victor Espindola aconselha as pessoas já preparem sua própria aposentadoria, por meio de investimentos. “Se a gente não começar a ser autorresponsável pelas nossas questões financeiras, principalmente, para quem é mais jovem, no futuro terá dificuldade para se aposentar. E com o Tesouro Direto IPCA+, a partir de R$ 30, tem como preparar sua previdência. E a regularidade dos aportes é mais importante do que o valor investido”, disse.

Cultura de investimento

Na avaliação de Victor Espindola, na sociedade atual há um comportamento cultural ligado ao consumo imediato, na qual as pessoas costumam pensar apenas em curto prazo. “Esse é um problema não só do brasileiro. Isso é mundial. No Brasil, principalmente, tem menos de R$ 1 milhão de pessoas investindo na bolsa de valores. Quase não se discute sobre investimentos dentro das famílias e escolas. A gente só começa a se interessar quando é mais velho, sendo que quanto mais cedo começa, mais o tempo irá te beneficiar”, concluiu.
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