27 de julho, de 2019 | 10:23
A cobra
Fernando Rocha
Existe um provérbio árabe que diz: Mesmo a melhor das cobras é uma cobra”. O Atlético nunca havia vencido o Botafogo fora de casa em um confronto de mata-mata, o que acabou acontecendo pela Copa Sul-Americana na última quarta-feira.O Galo deu um passo importante para disputar as quartas de final da segunda mais importante competição continental, aproveitando-se do fato de ter no momento um time tecnicamente superior ao adversário, que ainda por cima atravessa uma grave crise financeira que também parece ter afetado o lado emocional dos jogadores, muito nervosos e cometendo erros infantis acima do normal.
Claro que, mesmo tendo vencido por um placar bem magro, 1 x 0, por conta dos inúmeros erros de finalização dos seus atacantes, as chances de classificação do Galo são bem maiores, mas o resultado ainda deixou a decisão em aberto. O Galo deixou escapar a chance de matar a cobra no primeiro confronto, tendo agora que se virar com o Botafogo, um adversário sempre indigesto em se tratando de mata-mata.
Puxão de orelhas
A expectativa era que Cruzeiro e Athletico Paranaense utilizassem times reservas no confronto de ontem, no Mineirão, pois ambos terão jogos decisivos esta semana pela Libertadores, contra River Plate e Boca Juniors, respectivamente, deixando o Brasileirão em segundo plano.
É compreensível a euforia da torcida celeste com os bons resultados, exceto no Brasileirão, onde vem flertando com a zona de rebaixamento. Mas o clube não deve passar pano na atitude infantil e irresponsável do volante e capitão Henrique, no lance em que ele cometeu pênalti em Lucas Pratto, no último minuto da partida contra o River, que quase resultou na derrota para o time argentino.
Imaginem o tamanho do prejuízo caso o atacante Suárez tivesse feito o gol, que poderia significar até uma eliminação futura do Cruzeiro na competição. Inadmissível. Um jogador com a experiência e rodagem de Henrique não pode cometer uma falha tão grave àquela altura da partida, por isso é preciso que ele receba um puxão de orelhas”, até para servir de alerta aos demais jogadores, sobretudo os mais jovens, para que uma ação tão tosca não mais se repita.
FIM DE PAPO
Desafeto declarado da atual direção da CBF, o senador Romário (PODE-RJ), em comum acordo com sindicatos de atletas profissionais, solicitou ao seu partido e este entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que, se forem aprovadas, vão causar muitos estragos nos clubes que não mantiverem os salários dos jogadores em dia, pois vão permitir que eles rescindam seus contratos com as equipes em caso de apenas um mês de atraso de salário, e não três, como acontece hoje em dia.
De acordo com levantamentos feitos pelos sindicatos dos jogadores, só este ano, times da Série A como Botafogo, Fluminense, Cruzeiro, Santos, Corinthians, São Paulo e Vasco, atrasaram salários de jogadores por mais de um mês e seriam atingidos pelas mudanças propostas, que visam alterar a Lei Pelé no que diz respeito às relações trabalhistas, mas não tem ainda uma data definida para ir a julgamento no STF.
Depois de um breve período de lua de mel com a torcida rubro negra, o técnico português Jorge Jesus vive a sua primeira fase de turbulência no Flamengo, em razão da derrota de 2 x 0 sofrida na última semana para o fraco Emelec, no Equador. A xenofobia em cima de Jesus só aumenta, na mesma proporção de seus erros na escalação do time. A torcida foi à loucura quando viu Cuéllar no banco, Rafinha no meio, só um volante, enfim, Jesus fez tudo errado e deu no que deu, uma derrota inesperada que pôs em risco a classificação para a próxima fase da Libertadores.
Por falar nisso, quanta gente boa da crônica esportiva queimou a língua, ao dar como certo que o título do Brasileirão este ano seria do Palmeiras. A parada da Copa América embaralhou tudo e a maior competição do nosso calendário está em aberto, após os tropeços do alviverde em duas rodadas seguidas.
Se o Brasileirão está aberto, não somente na luta pelo título, mas, e principalmente, na briga pelas vagas na Copa Libertadores do ano que vem - o chamado G-6 -, muita água ainda vai passar por debaixo da ponte nas participações dos times nacionais na Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil. Prudente, o comentarista de peito aberto”, Flávio Anselmo, diria: Vou guardar a minha boca e comer a farinha depois”. (Fecha o pano!)
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