Estudantes classificados na Obmep veem matemática com paixão e exaltam a disciplina

A disciplina, que para muitos é considerada um bicho-papão, tem nos jovens competidores o olhar apaixonado de quem vê nos cálculos a possibilidade de uma profissão

Em todo o país, milhares de estudantes participam da segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). A disciplina, que para muitos é considerada um bicho-papão, tem nos jovens competidores o olhar apaixonado de quem vê nos cálculos a possibilidade de uma profissão. Em Ipatinga, 51 escolas constam na relação de aprovadas para a próxima etapa da olimpíada. Rafael Augusto Moreira e Kássio Gabriel Mendes Moraes são dois dos aprovados para a segunda fase da competição e receberam o Diário do Aço para falar sobre a disputa.
Wôlmer Ezequiel


Aos 12 anos, Rafael Moreira vê a matemática como aliada em sua vida escolar

Rafael Moreira, aluno do 7º ano da Escola Municipal Padre Bertollo, no bairro Cidade Nobre, assegura que sempre foi bom em matemática. Quando cursava o 5º ano, foi colocado em um reforço da matéria. “Eu não era ruim, mas meu pai queria e eu fui. Isso me ajudou muito. Fiquei cerca de um ano e meio fazendo as aulas e, pouco tempo depois, já sabia a matéria do 7º ano, um acima do que eu estava, na época. Por causa disso, hoje tenho facilidade na escola e consegui a medalha de bronze na Obmep. Meu pai é um professor de matemática e me auxilia sempre, quando tenho dificuldades”, relata.

O jovem tem a disciplina como sua preferida, mas não tinha experiência em competições. Para a próxima fase da olimpíada, Rafael revela que sua preparação tem sido feita com base nas provas dos anos anteriores. “Costumo tirar minhas dúvidas com meu pai ou assistindo videoaulas no Youtube. Por mais que até o 7º ano a prova tenha o mesmo nível de dificuldade, acredito que ano que vem ela será mais difícil. Porém, com a conquista dessa medalha, tenho acesso ao programa de iniciação cientifica e a partir dele consigo estudar ainda mais para a próxima fase”, avalia.

Para o pai do estudante, Rafael tem facilidade de aprendizado, mas ele discorda. “Se prestar atenção fica fácil. Acredito que, com força de vontade e foco, a matemática não é esse bicho de sete cabeças que todo mundo pensa. É o que mais gosto de estudar, apesar de que história e física também me chamam atenção. No futuro, já pensei em ser médico, mas estou em dúvida. É um projeto que ainda preciso definir”, vislumbra o menino prodígio.

Matemática como aliada

Kássio Moraes, de 17 anos, está no 2º ano. Aluno da Escola Estadual Canuta Rosa Oliveira Barbosa, também no Cidade Nobre, ele assegura: “sempre gostei de matemática, graças a Deus”. Os pais do adolescente ficaram orgulhosos da classificação para a próxima fase da Obmep. A partir dos exercícios que o professor passou em sala de aula, ele procurou dar o máximo para absorver o conteúdo.
Wôlmer Ezequiel


Kássio Moraes tem 17 anos e muita vontade de trilhar caminhos que envolvam o cálculo

“Com a olimpíada, além de me preparar para o vestibular, pude destacar o nome da escola. Pretendo fazer faculdade de engenharia mecânica, agregar mais a essa área, que tem muita matemática. Quero aprender sempre mais. Na fase passada, vi como dificuldade a necessidade da atenção, isso traz pressão. Quem gosta da matemática sabe, se errar um sinal, erra o exercício todo. Algumas questões foram difíceis sim, mas busquei usar todo conhecimento que tenho e fazer a prova tranquilo”, recorda.

Na etapa que está por vir, Kássio prevê algo ainda mais difícil. “Mas com preparo por meio dos livros didáticos e exercícios que o professor Josemar vai nos passar, pretendo classificar e ficar numa boa posição. Já competi em outras oportunidades, mas só por fazer mesmo. Dessa vez, foi uma necessidade de me destacar e fazer melhor, para constatar que sou capaz. A matemática não é vilã, basta gostar e se preparar que o resultado vem”, conclui.

Obmep

Criada em 2005, a Obmep é uma realização do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Ministério da Educação (MEC).


(Bruna Lage - Repórter)
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Comentários

Carlos 13 de Julho, 2019 | 12:08
Quando falamos em Matemática num país que não tem como prioridade a educação e por consequência a valorização dos seus professores... é notável os preconceitos em relação a essa disciplina. Chamar o estudante de "menino prodígio" reforça algo como inacessível aos outros estudantes, reforça a cultura de uma Matemática distante e acessível a apenas alguns "privilegiados". Matemática, assim como qualquer disciplina, envolve empenho, determinação e é claro professores motivados e bem formados para despertar uma nação para aquilo que a transforma... A educação. A OBMEP é mesmo uma política pública acertiva para a educação brasileira más precisamos lembrar que existe um número muito grande de outros jovens que passam pela educação brasileira sem serem notados. Professores ainda são os principais protagonistas estratégicos nessa transformação.

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