Professores foram derrotados em destaque na reforma da Previdência

Rodrigo Maia está atento com assuntos que podem desidratar a proposta de economizar R$ 1 trilhão em dez anos

Divulgação / Câmara


Deputados comemoram aprovação da reforma da Previdência

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), que é líder da oposição, saiu da sessão de ontem à noite reclamando que o presidente Rodrigo Maia suspendeu a reunião quando, por volta de 21h30 de quarta-feira seria votado o primeiro dos destaques, que procurava dar uma aposentadoria mais justa para professores da União. (Professores estaduais e municipais, que são estatutários dependerão das reformas a serem feitas nos estados. Já os professores da rede particular, que são celetistas, estão sujeitos à regra geral, válida para os demais trabalhadores).

O destaque é uma votação capaz de mudar pequenas partes no texto geral. "Rodrigo Maia esperou um tempo excessivo para atingir o quórum de 510 parlamentares na sessão, para iniciar a votação e assegurar os 308 votos mínimos que ele precisava para aprovar o texto geral, à tarde. Já, na hora de votar o destaque que interessava aos professores, encerrou imediatamente, antes da formação do quórum, quando viu que a oposição já tinha 265 votos e faltavam apenas 43 parlamentares, uma injustiça", disparou.

O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao identificar o que chamou de desarticulação entre os parlamentares favoráveis à PEC, decidiu encerrar a sessão. Segundo ele, a falta de organização poderia comprometer a votação de outras emendas destacadas para votações separadas, com potencial de desidratar a economia pretendida com a reforma, próxima a 1 trilhão de reais em dez anos.

“Logo no primeiro destaque entendi que deputados estavam confusos”, explicou Maia a jornalistas ao encerrar a sessão e convocar uma nova para a manhã de quinta-feira, argumentando que os deputados estavam mal orientados e não sabiam ao certo o que estava sendo votado.

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Molom: "É preciso entender que atrás de números tem gente que será atingida, gente que não vai conseguir se aposentar, tem o desempregado que não vai contribuir e outras situações"


Crueldade

Um dos principais opositores da reforma, Molom afirma que é indiscutível a necessidade da reforma. Entretanto, pondera que a proposta votada na quarta-feira, por 379 deputados (o governo precisava de 308 votos), é muito cruel com os trabalhadores.

“Faltou pesar aqui os efeitos da reforma. Quando se fala numa reforma que é indispensável, é preciso ter preocupação com os números, com a responsabilidade fiscal, mas também com a responsabilidade social. É preciso entender que atrás de números tem gente que será atingida, gente que não vai conseguir se aposentar, tem o desempregado que não vai contribuir e outras situações. Nada disso a Câmara olhou. Não pesou a gravidade, a crueldade das propostas”, observou.

Molom também lembra que a mesma proposta que economiza R$ 20 bilhões em cortes de benefícios para professores, deu um benefício de R$ 80 bilhões para os ruralistas exportadores. Antes de a reforma ir a plenário a bancada ruralista, também chamada de “bancada do boi”, conseguiu excluir do texto da reforma o fim da isenção previdenciária do exportador rural. Para manter esse incentivo ao setor, a União abriu mão de R$ 8 bilhões por ano, o que soma R$ 80 bilhões em dez anos.
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