Vale do Aço tem representantes na maior feira de artesanatos da América Latina

Seis iniciativas do Vale do Aço estão entre 14 selecionadas em todo o estado de Minas Gerais, para serem levadas para a Fenearte, em Olinda, Pernambuco

Silvia Lima / Divulgação


Produção artesanal do Vale do Aço foi levada para a maior feira de artesanato da América Latina, em Olinda, Pernambuco

Um grupo de seis artistas do Vale do Aço, que representam um conjunto de 100 artesãs, está em Pernambuco, onde participa da 20ª edição da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), realizada no Centro de Convenções, em Olinda, considerada a maior feira de Artesanato da América Latina. O Objetivo é mostrar para milhares de visitantes um pouco da arte regional.

A feira começou no dia 3 de julho e vai até o dia 14. Durante os 12 dias, as mais surpreendentes criações artesanais do Brasil e do mundo podem ser encontradas no evento. Além de servir com o uma grande vitrine da arte para o público, a Fenearte valoriza e difunde os saberes tradicionais, estimula o potencial de crescimento dos artesãos e artesãs, um importante elemento estruturador da cadeia produtiva do artesanato em toda localidade.

O evento reúne atrações para todos os gostos e chega nesta vigésima edição cheio de novidades: oficinas inéditas de saberes ancestrais, palestras com nomes da cena criativa nacional, salões de arte, desfiles de moda, mostra de decoração, teatro infantil, ações de cidadania, pólos de gastronomia e alimentação artesanal.

Neste ambiente, que inspira trabalho e empreendedorismo, quem passar pelo tradicional evento nordestino terá a oportunidade de ver mais de 500 peças produzidas por artesãs do Vale do Aço. As participantes explicam que são criações repletas de cores, com foco na sustentabilidade.
Divulgação


Artesanato com a palha do indaiá, de Antônio Dias: técnica aplicada à produção de chapéus, bolsas e carteiras, agora também é aplicada na produção de enfeites com temática alusiva aos bichos da Mata Atlântica

O empreendedor criativo e curador da Artesania, Herique Assis, avalia que o convite, do Sebrae Minas para a Fenearte representa mais uma conquista para a população artesã frente a sociedade imediatista de consumo.

“Passamos por uma seleção que elegeu apenas 14 iniciativas artísticas em todo estado mineiro, e estar entre estes 14 é uma honra e nos enche de orgulho representar artisticamente o Vale do Aço o que fazemos de melhor. Essa iniciativa foi viabilizada pelo projeto Turismo no Vale e pelo Sebrae Vale do Aço, que patrocinaram nossa presença na Fenearte, detalhou.

Henrique explica que os artistas regionais ocupam um dos 800 estandes que abrigam nessa edição da feira mais de cinco mil expositores em uma área de 30 mil metros quadrados. “Nessa ciranda potente da economia criativa de Pernambuco, do Brasil e de 21 países, nossos representantes estão fazendo bonito. Com bolsas, roupas, acessórios, enfeites, utilidades e uma infinidade de criações feitas de bordados, tinturarias, palhas, sementes, papeis e tecidos reaproveitados. Tudo disponível para os cerca de 300 mil visitantes esperados para esta edição”, conclui.

Artesania
Artesania é fruto do projeto Bem Bordado, que nasceu para capacitar e inspirar pessoas a criar artesanatos diferentes, que materializem uma realidade de onde estas pessoas vivem, nesse caso, o Vale do Aço.
Na Artesania um coletivo de seis artistas, que abraçaram a ideia de transformar em arte os bens materiais e imateriais (fauna, flora , monumentos e arquitetura) do ambiente diário, expõem diversos tipos de peças artesanais e manuais com a identidade expressiva local do Vale do Aço e região, sempre com uma preocupação de criar com o menor impacto ambiental possível, conclamando para o reaproveitamento de matéria prima .

Peças com bordado livre, de Olga Givisiez

Quem são as representantes do Vale do Aço:

MARIA CLOENES
(Bonecas)
“Quando eu era criança ficava horas observando a enchente. Ela furava o silêncio e trazia a instabilidade. A água do rio brincava comigo. ‘Não entra na água da enchente’ dizia minha avó. Eu molhava os pés, entrava no Rio até o joelhos, até a cintura, até o peito, até a boca...provando a água e a própria enchente. Eu fui percebendo que o rio era meu corpo, que o rio era o espaço onde as coisas aconteciam, que o rio era eu”.

Maria Cloenes é uma mulher de muitos talentos, mas que investe tudo que vive, que tem e sabe em um só produto: Bonecas. Com uma memória que transborda tanta infância, não poderia ser diferente. Grandes e coloridas são peças marcantes para decoração de ambientes. Todas feitas, predominantemente, de palhas; de quando em quando tecidos reaproveitados também.

Um processo que exige tempo em cada etapa. A matéria prima que faz a palha exige colheita, corte, descanso para secar, trançagem, tinturaria e, só depois então, a modelagem e costura das bonecas. Elas têm características muito próprias. Na face nada de olho, boca, orelha, nariz ou cabelo. Os braços e pernas muito alongados contam sobre o extravasar dos rios de seus leitos e a origem das enchentes que encharcaram Maria Cloenes de sensibilidade. Uma beleza que transborda.

OLGA GIVISIEZ
(Bordado Livre)
Força e dinamismo compõem a personalidade de Olga. Depois de ser instrutora de auto-escola e trabalhar como professora, entendeu que queria mais da vida. Mais tranquilidade, mais proximidade com a rotina do lar, e mergulhar no mundo da arte.

Ela tinha certeza que aprenderia e ganharia muito da vida assim. Foi então que tomou a decisão de “pegar a contramão da sociedade”, deixar a estabilidade do salário fixo e se render às rotinas intermináveis de quem resolve trabalhar em casa e viver o desafio de ter no artesanato sua fonte de renda. Hoje, aos 54 anos, Olga fez da arte sua profissão e aos poucos descobriu, por meio do processo manual e da sustentabilidade, como trabalhar cada produto com dedicação, carinho, amor e respeito ao meio ambiente. “Muito bom viver nesse mundo fascinante e cheio de novidades todos os dias. Tenho orgulho de ser artesã”, concluiu.

PROJETO INDAIÁ
É a partir do manejo sustentável da palha do Indaiá (espécie de palmeira) que as artesãs de Antônio Dias tecem seus trabalhos. Tradicionalmente usada para confeccionar chapéu, a técnica foi desconstruída e hoje, junto às sobras de outros materiais, como tecidos, são criados diversos produtos entre eles enfeites e objetos decorativos que fazem alusão aos bichos da mata atlântica além de bolsas e carteiras.. Mantendo assim, a originalidade mas dialogando com a beleza contemporânea.

DORA TEODORO
(Bordados e costura criativa)
Criada aos pés de uma máquina, filha de costureira e artesã Dora teve a história de sua vida inteira costurada à arte. A vida sempre tratou de fazer pontes entre o cotidiano de Dorinha e seu amor pelo artesanato. Já adulta foi dona de uma loja de tecidos em Ipatinga e ainda ministrava oficinas de arte nas redes publicas de ensino.

Os negócios acabavam por reforçar sua raiz artesã. Onde estavam firmes suas raízes e seu coração. Hoje, aos 62 anos de vida, 20 são dedicados exclusivamente à arte, um sonho que agora realiza diariamente. Com linhas, rendas, tecidos e muita cor, desenvolve peças artesanais afetivas. O resgate de brincadeiras, jogos e cantigas de roda são marcas da assinatura artística de Dora que não se cansa de dizer: "Com linha tecido e agulha vou realizando os meus sonhos”. Tudo com beleza e sustentabilidade.

BÁRBARA VANUZA
(Estilista)
Moda, cultura e sustentabilidade. Costurando essas três ideias, Bárbara Vanuza cria suas coleções de forma artesanal, bem elaboradas e com acabamento diferenciado. São peças conceituais produzidas a partir do reaproveitamento de tecidos e outros materiais. Com cortes, estampas e bordados exclusivos, além das cores inventadas por meio de tingimento natural, Bárbara desenvolve suas roupas imprimindo nelas traços de sua identidade. (Com informações de Sílvia Lima – Assessoria de Comunicação)
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