Anvisa nega certificação e venda de charuto cubano está proibida

Técnicos apontam que medida da agência reguladora teve cunho político e vai estimular o contrabando

03/07/2019 às 09:19
Caixa do tradicional charuto cubano chega a custar R$ 4 mil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indeferiu o pedido de renovação do registro da marca Cohiba, e deu 30 dias para que o produto seja recolhido do comércio no Brasil. Com isso, os charutos cubanos mais famosos do mundo passam a estar proibidos no Brasil.

A agência justificou a decisão por causa do “excesso de ácido sórbico” encontrado nos charutos. A importadora Emporium, que trabalha há 2o anos com o Cohiba, garante que “não há inclusão de qualquer aditivo, por tratar-se de um produto 100% natural, a folha de tabaco”. A informação é do blog de Lauro Jardim, no jornal O Globo.

Os charutos Cohiba foram criados em 1966. Sua preparação inclui um período de fermentação de cerca de um ano em barris com rum. Uma caixa do Cohiba custa, no Brasil, cerca de R$ 4 mil. Os principais clientes são grandes corporações que os compram para serem dados como presentes a clientes e fornecedores.

Analistas do mercado dizem que a medida da Anvisa teve cunho político, visto que o presidente Jair Bolsonaro é anticomunista. “Na prática, vai estimular o contrabando. Quem gosta disso, e paga R$ 4 mil numa caixa, não vai se importar em pagar R$ 11 mil”, escreveu um dos leitores do jornal.

Diz a lenda que, no começo, a produção do Cohiba estava reservada a Fidel Castro e outros líderes comunistas, além de ser oferecido aos mandatários aliados que visitavam Havana. Somente a partir de 1982, passou a ser produto de exportação.

Cigarros comuns

Os críticos da medida contra os charutos cubanos também apontam uma contradição do governo,que estuda a redução nos impostos para baratear cigarros comuns. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, explicou que que o estudo para reduzir a carga tributária do cigarro foi motivado por uma questão de saúde pública, considerando a baixa qualidade dos cigarros contrabandeados.

O ministro garante que se o estudo determinar que haverá aumento do consumo do cigarro, e não apenas uma substituição do cigarro contrabandeado pelo produto nacional, a proposta será “cortada” pelo governo.
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