Aos 23 anos, Letícia Marques representou o Brasil em congresso nos Estados Unidos

A equipe usou a engenharia genética para criar uma espécie de amaranto – grão rico em nutrientes – mais tolerante à seca

Álbum pessoal


''Minha motivação é poder falar um pouco para as pessoas sobre o meu trabalho e a biotecnologia no Brasil''

Letícia Marques, de 23 anos, foi a única representante do Brasil no Congresso de Biotecnologia GapSummit 2019, realizado na semana passada, em Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Criada em Governador Valadares e com raízes também no Vale do Aço, a jovem, que reside no Distrito Federal, é formada pela Universidade de Brasília (UnB) e faz parte dos 100 jovens apontados como "líderes do amanhã".

O evento reuniu participantes de todo o mundo, com objetivo de usar a biotecnologia para desenvolver projetos que possam resolver problemas atuais. Ao longo de cinco dias, os 100 participantes se dividiram em grupos e trabalharam em uma proposta. O grupo de Letícia desenvolveu um projeto para facilitar o plantio de grãos na Etiópia, país da África Subsaariana (região que contém os países africanos situados ao sul do deserto do Saara).

A equipe usou a engenharia genética para criar uma espécie de amaranto – grão rico em nutrientes – mais tolerante à seca. O objetivo é facilitar a cultura em uma região do planeta que está sofrendo com os impactos das mudanças climáticas.

Letícia conta como surgiu a oportunidade de participar do evento. “Eu vi a chamada, me inscrevi preenchendo um formulário com informações pessoais e profissionais. Tinha que montar um modelo de negócios, depois fui chamada pra uma entrevista via Skype e fui selecionada. Minha motivação em estar em um evento como esse é poder falar um pouco para as pessoas sobre o meu trabalho e a biotecnologia no Brasil. Como a gente consegue fazer tanto com pouco”, destaca.

A possibilidade de participar da conferência nos EUA surgiu após a contribuição em outro evento internacional. Em 2017, Letícia embarcou para Bruxelas, na Bélgica, com o propósito de participar do Youth Ag-Summit, sobre o combate à fome no mundo.

Para ela, poder criar uma rede de contatos sólida e fazer parte de uma comunidade que realmente esteja engajada em promover uma revolução global em biotecnologia é muito enriquecedor. No futuro, Letícia quer continuar trabalhando com segurança alimentar e tecnologia de alimentos. “Acho que o Brasil tem muito potencial que não é explorado pela falta de investimentos, por exemplo. Eventos como esse ajudam a gente a entender melhor como superar isso”, avalia.

A biotecnologista deixa uma mensagem para os jovens que querem trilhar o mesmo caminho que ela. “Você tem que saber que essas seleções são competitivas, mas que apesar disso você é capaz, basta se preparar de forma adequada. Quando me chamaram para a entrevista, passei a semana toda me preparando. Valeu a pena”, concluiu.
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