A prática do jejum e saúde

Nayara Zímer *

Nos últimos anos, nosso país vem passando por uma acelerada transição nutricional, advinda de uma mutação até mesmo cultural. A forma de se alimentar tem sofrido significativas alterações em sua estrutura. A começar pelo café da manhã na padaria, em vez da mesa de casa, e terminando pelo “jantar” em fast foods 24 horas em vez do prato na mesa, com comidas preparadas de forma simples e artesanal. A alimentação de rua e na rua tem surtido vários efeitos, não muito positivos.

Dessa tem contribuído para um aumento marcante da obesidade, a qual se consolida como o agravo nutricional mais importante, associado a uma alta incidência de Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNTs), como diabetes mellitus (DM), síndrome metabólica (SM) e doenças cardiovasculares (DCV). A mudança no perfil nutricional e alimentar da população, com adoção de um estilo de vida negativo, como o sedentarismo, má-alimentação e consumo de dietas desbalanceadas, contribui significativamente para um aumento dessas doenças. Em função da marcante relação entre uma alimentação não saudável e a falta de atividade física com o surgimento dessas doenças, estratégias de emagrecimento são propostas, como a adoção de dietas hipocalóricas, com alto teor de proteínas e baixo teor de carboidratos, além da incorporação de atividades físicas como rotina diária, que tem por finalidade melhoria da saúde, controle do peso e composição corporal, ganho de desempenho físico, além de melhorar o metabolismo.

Uma forma particular, que vem chamando atenção é a Alimentação com Restrição de Tempo (ART), que permite aos indivíduos se alimentarem e fazer o jejum dentro de uma janela de tempo definida, tipicamente 12 horas ou mais. Dessa forma, o ponto chave sobre o Jejum Inteligente (JI) é que, geralmente, não há controle na ingestão das calorias, mas sim no período da alimentação. Ocorre que o indivíduo pode não entender qual horário seria mais interessante para diversas refeições, tampouco a qualidade nutricional, deixando-o ainda mais dependente de “dietas”, não exercendo assim a sua autonomia nas escolhas inteligentes e estilo de vida mais saudável.

Tendo em vista que o jejum intermitente é utilizado por pessoas como estratégia para trazer benefícios à saúde é bom ressaltar que tal prática não é aplicável em todas as pessoas e ainda se encontra em desenvolvimento e são feitos estudos científicos acerca de sua real eficiência. Nas pesquisas, resultados positivos foram constatados em animais.

É essencial respeitar a individualidade, aprendendo primeiro a conviver e ter equilíbrio nas relações estabelecidas coma a comida. Afinal, alimentar-se é socializar, somos seres sociais em nossa essência.

* Nutricionista (CRN9:19002). Graduada em nutrição pela faculdade Pitágoras de Ipatinga. Pós-graduanda em Nutrição Oncológica - Hospital Israelita Albert Einstein. Pós-graduanda em Nutrição Materno infantil
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