Incentivo à leitura ainda esbarra em questões financeiras

A representante da Câmara Mineira do Livro, Ângela Barcelos, destaca a importância do hábito de despertar o gosto nas crianças

Wôlmer Ezequiel


Ângela Barcelos conversou com o Diário do Aço durante a 12ª edição do Salão do Livro

Com as novas tecnologias e a adoção de computadores em sala de aula, a leitura tradicional tem sido, cada vez mais, um desafio. A representante da Câmara Mineira do Livro, Ângela Barcelos, que esteve presente nas atividades do Salão do Livro de Ipatinga, destaca a importância do hábito de despertar o gosto nas crianças. Como principal dificuldade, ela cita o preço do livro, que ainda é um impedimento, para a maior parte da população.

Sobre a participação no evento, Ângela Barcelos pontua que a Câmara Mineira tem procurado ampliar essa presença. Segunda ela, no interior, quase não existem livrarias, e poucas são as opções para pais, professores e alunos. “Eventos como o Salão do Livro são fundamentais tanto para o incentivo à leitura, quanto para dar acesso ao livro. Porque, muitas vezes, o acesso é somente pela internet. E isso não é a mesma coisa de entrar no espaço, folhear o livro, conversar com o autor. Por isso temos lutado para ampliar as participações e aqui em Ipatinga já estamos há bastante tempo. Precisamos dessas atitudes e apoio, para que consigamos fazer crescer esse incentivo à leitura, principalmente nas crianças”, alertou.

Em termos financeiros, ela considera o incentivo pequeno e pondera que a Câmara Mineira tem tentado aprovar esse tipo de evento, como o Salão, em leis de incentivo. “Porque a maior parte das empresas só apoia quando pode abater em impostos, questões fiscais e não é o ideal. A cultura é uma bandeira de todos nós. Às vezes a empresa investe, mas não em leitura e educação. Temos lutado para que se conscientizem que tem outras formas de apoiar. Financeiramente ainda é pequeno esse incentivo, mas a vontade, pelo menos do mercado editorial e da Câmara, é que isso seja ampliado, cada vez mais”, vislumbra.

Para Ângela, o preço do livro é a principal dificuldade quando se fala em acesso à leitura, pois a cadeia do livro é grande, passa pelos autores, ilustradores e gráfica. “Todos têm que ser remunerados e acaba onerando um pouco o preço do livro. No Salão do Livro, por exemplo, temos várias editoras de qualidade que os expositores correram atrás de promoções. Temos muita literatura de qualidade, por R$ 10, preço do incentivo do vale-livro que conseguimos aqui. Há possibilidade quando fazemos uma ação conjunta, somando esforços e trazendo a literatura a um valor menor”, avalia.

Papel

Questionada sobre o espaço dos livros de papel na era dos tablets, e-books e computadores, Ângela Barcelos pontua que desde seu surgimento, anos atrás, as pessoas comentavam que acabaria o livro tradicional. Porém, em sua opinião, o prazer do bom leitor é o papel. “O livro impresso nunca vai acabar. Acho até importante (a tecnologia), apesar de que temos uma diferença social muito grande no Brasil. Você pode ir a uma escola particular e ver um laboratório bem montado, mas na escola pública a realidade é totalmente diferente, sem acesso inclusive à internet, em alguns casos. Trabalhamos muito com programa de governo, lançamos edital para ganharem livros, mas eles não conseguem acessar e fazer o cadastro. Tem essa diferença social. Mas é interessante e importante sim que tenham acesso. Apesar de que o papel não vai acabar, as chances na vida moderna dependem disso, desse acesso ao digital”, acredita.

Jovens leitores

A representante da Câmara Mineira do Livro deixa uma mensagem para os pais. “A leitura é um bem que a gente conquista. Alguns já falam da leitura no útero e que isso atinge o feto, o influenciando. Se começássemos desde cedo, teríamos um mundo melhor, leitores melhores e cidadãos mais esclarecidos. Meu recado é esse: vamos tirar 10 minutos para ler dentro de casa em vez de passar a tarde inteira no tablet ou na televisão, vamos ler uma historinha? Acho que isso pode fazer a diferença”, conclui.

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