As alergias de primavera serão piores graças ao aquecimento global

De acordo com a Union of Concerned Scientists, o dióxido de carbono (um dos gases causadores do efeito estufa e emitido pela atividade humana) aumenta a taxa de crescimento das plantas

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As tão conhecidas alergias de primavera que chegam juntos com as flores e o clima ameno da estação afetam inúmeros brasileiros, principalmente crianças e idosos. Com a proliferação do pólen, chegam os espirros, coceiras e rinites ocasionados pela substância. A sensação que alguns sentem de alergias mais recorrentes e intensas podem ser reais e ocasionadas por um grande inimigo mundial: o aquecimento global e a mudança climática originada por ele.

De acordo com a Union of Concerned Scientists, o dióxido de carbono (um dos gases causadores do efeito estufa e emitido pela atividade humana) aumenta a taxa de crescimento das plantas. Isso, por sua vez, aumenta a quantidade e a potência do pólen, agente causador da alergia de primavera.

Além disso, a elevação das temperaturas - causada pelo aumento dos níveis de dióxido de carbono - faz com que as estações de crescimento de plantas produtoras de pólen se prolonguem por mais tempo. Isso, por consequência, também prolonga a temporada de alergias. Do mesmo modo, temperaturas mais altas levam as plantas a produzirem mais pólen e a expandir as áreas geográficas onde estão presentes.

Por que um planeta em aquecimento ocasiona temporadas de alergia mais longas e intensas?

O aumento das emissões de carbono leva ao aumento da temperatura média da superfície do nosso planeta. O ano passado foi o quarto ano mais quente registrado desde que se tem notícia e o ano mais quente já registrado nos oceanos (a água, como a maioria das matérias, se expande quando aquecida fazendo com o nível do mar suba com o derretimento das geleiras).

Segundo a Fundação de Asma e Alergia da América (AAFA), essas temperaturas mais altas prolongaram a temporada de pólen nos Estados Unidos em até 27 dias, de 1995 a 2011, começando muito antes do previsto.

Um estudo recente publicado no The Lancet analisou a extensão da temporada de pólen e a quantidade de pólen por planta em 17 locais em todo o hemisfério norte. De acordo com os dados, coletados ao longo de 26 anos, 70% dos locais tiveram aumento na quantidade total de pólen circulante por estação de crescimento. Em 65% das casos, a temporada de pólen ficou mais longa devido a um aumento contínuo dos extremos de temperatura.

Em entrevista a Union of Concerned Scientists, Lewis Ziska -principal autor do estudo- alertou sobre outro problema relacionado ao clima: as plantas usam o dióxido de carbono para produzir alimentos via fotossíntese, mas o dióxido de carbono extra no ar faz com que ervas daninhas cresçam mais rápido do que "plantas úteis", como arroz e trigo.

Como evitar ou diminuir as alergia na primavera:

● Mantenha os sapatos fora de casa - Muitas vezes os sapatos são responsáveis por trazer o pólen para o lado dentro, intensificando a sensação de mal-estar.
● Aspire sua casa depois da faxina - Uma casa limpa evita alergias de todos os tipos mas mover os móveis e trocar as roupas de cama pode espalhar mais pólen pelo ambiente. O ideal é aspirar a casa depois da limpeza e, se possível, ter um aspirador de pó de mão para limpezas mais rápidas e cotidianas.
● Escolha bem o aspirador de pó - Os aspiradores com filtro HEPA são os mais indicados para aspirar os alérgenos nocivos para a saúde.
● Mantenha as janelas fechadas - Ao contrário da ideia de “arejar” a casa, manter as janelas fechadas irá prevenir que mais pólen entre no ambiente.

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