INSS exonera mineiro que tingiu o corpo para ser aprovado em concurso

O jovem, que é natural de Valença (RJ), também foi indiciado pelo crime de falsidade ideológica

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Lucas foi aprovado e assumiu o posto em 2017, mas foi afastado no último dia 24 de maio

Morador de Juiz de Fora, na Zona da Mata, Lucas Soares Fontes, de 24 anos, foi exonerado do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), depois de ser investigado na acusação de tingir o corpo para ser aprovado em concurso como cotista racial.

A portaria da exoneração dele foi divulgada no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (10). O jovem, que é natural de Valença (RJ), também foi indiciado pelo crime de falsidade ideológica.

Fontes fez concurso público para técnico do seguro social realizado em 2015, tingiu a pele e usou lentes de contato para poder concorrer às vagas destinadas a candidatos declarados negros.

Lucas foi aprovado e assumiu o posto em 2017, mas foi afastado no último dia 24 de maio. O salário previsto para o cargo era de R$ 5.344,87.

O caso envolvendo Lucas Soares Fontes veio à tona nacionalmente, no domingo (9), depois que uma reportagem foi exibida no programa Fantástico. A gravação mostra que o jovem tem pele branca e olhos claros, e teria tingido a pele e usado lentes escuras quando foi prestar depoimento sobre o caso na Polícia Federal (PF).

Em entrevista ao programa, ele contestou as conclusões das investigações e disse ser conhecido como “moreno”. A reportagem mostrou o ex-servidor do INSS indo trabalhar normalmente, sem o suposto disfarce.

Lucas ainda declarou que a foto usada para participar do processo seletivo do INSS havia sido feita após o verão, o que justificaria o tom de pele visto na foto.

Universidade Federal

O administrador Lucas Soares Fontes também é suspeito de ter ingressado de forma fraudulenta no primeiro semestre do ano de 2013, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

De acordo com a instituição, ele foi admitido na UFJF por meio de processo seletivo de ingresso misto, pelo grupo A, destinado a candidatos com renda igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita familiar mensal, que tivessem cursado o ensino médio integralmente em escola pública e que se declarassem pretos, pardos ou indígenas.

Na ocasião, Fontes entrou na universidade no curso de administração e optou por direito posteriormente.

Lucas concluiu seu curso no segundo semestre de 2017. À época, a instituição valia-se apenas das autodeclarações (acordo subscrito pelo Brasil em Durban 2001, pela ONU).

Somente um ano depois da saída de Lucas Fontes, a UFJF instalou uma ouvidoria para melhorar os processos de avaliação sobre os cotistas, pois denúncias de fraude começaram a surgir em outras federais também. (Com informações da TV Globo e TV Tribuna)

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