Presidente da Cemig afirma que solução é privatizar

Estatal tem déficit de R$ 6 bilhões (investimentos que deixaram de ser feitos), mesmo com a segunda tarifa mais cara de energia do Brasil, afirma executivo


Deputados fizeram diversos questionamentos à direção da Cemig, na segunda reunião do Assembleia Fiscaliza - Foto: Guilherme Dardanhan

O presidente da Cemig, Cledorvino Belini, esteve nessa segunda-feira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) onde foi submetido a uma sabatina, por deputados estaduais integrantes da na Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização.

O executivo da principal concessionária de geração e distribuição de energia no estado foi bastante objetivo. Ele apresentou um diagnóstico de uma dívida de R$ 6 bilhões, uma média de gasto anual de R$ 222 mil com cada funcionário e uma folha de aposentados e pensionistas que corresponde a praticamente o dobro dos ativos, e deixou claro aos deputados estaduais que a melhor alternativa hoje para a empresa hoje é a privatização.

O dirigente da estatal segue, dessa forma, as determinações do governador Romeu Zema (Novo) que, recentemente, afirmou que a estatal é um “entrave” para o desenvolvimento de Minas Gerais e já avisou que em breve enviará à Assembleia Legislativa um projeto de lei prevendo a negociação para a venda da Cemig.

Bellini afirmou ontem que o grande problema da Cemig é sanar o déficit de R$ 6 bilhões (que deixaram de ser investidos) e ainda garantir os R$ 15 bilhões necessários para investimentos em infraestrutura, redes, postes nas ruas e zona rural. Conforme o presidente, ele foi para a Cemig com o objetivo de aumentar a eficiência e a produtividade e racionalizar os custos, mas tem esbarrado nas limitações legais impostas a estatais e, a privatização é o caminho.

O dirigente afirmou que a Cemig precisa de um aporte de R$ 21 bilhões. Caso o estado não tenha condições de assegurar isso, o caminho é a venda.

Cledorvino Belini contou que atua há 45 anos na iniciativa privada, grande parte desse tempo, na direção da montadora Fiat e afirma que a eficiência no setor privado é muito maior que nas estatais, o que para ele também pode explicar o fato da conta de luz em Minas ser a segunda mais cara do país.

Cledorvino Belini enfatizou o tamanho que a Cemig adquiriu, ao longo dos anos, e o fato de ela ser respeitada no Brasil. Por outro lado, disse que a companhia cresceu sem ter a capacidade de sustentar os investimentos necessários em Minas Gerais.


“Nós não somos competitivos, e ser competitivo requer passos muito ousados e que uma empresa estatal não pode dar”, lamentou.

Questionado sobre o gasto elevado com a folha de pagamentos – a média anual dos salários é de R$ 222 mil –, Cledorvino justificou que o valor elevado se deve ao grande número de inativos, que chega a 11 mil pessoas, além do plano de saúde arcado pela estatal para esses ex-funcionários e pensionistas. Entretanto, o quadro de ativos hoje não passa de 5,6 mil funcionários.

Números da Cemig

O presidente da Cemig, Cledorvino Belini, explicou que R$ 6 bilhões deixaram de ser investidos nos últimos anos. “Os problemas da Cemig serão resolvidos gradualmente até 2023, quando concluirmos esses investimentos”, salientou.
Contudo, segundo ele, é preciso olhar para o futuro. Belini citou como necessidades da empresa reforçar a infraestrutura de transmissão e distribuição, modernizar a Cemig e investir em energias renováveis, o que demandaria recursos de cerca de R$ 27 bilhões.

Conforme relatou, a Cemig tem 88 usinas e 536 mil quilômetros de linhas de distribuição, o que equivale a 13 voltas ao redor da terra. Está presente em 774 municípios mineiros.

Com relação à dívida líquida da empresa, Belini apresentou o número de R$ 13,069 milhões em 2018 e de R$ 12,748 milhões no primeiro trimestre de 2019. O lucro líquido deste trimestre foi da ordem de R$ 797 milhões. Em sua opinião, do ponto de vista financeiro, a situação da empresa é boa.
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