Sem ufanismo

Fernando Rocha*

A 8ª rodada do Brasileirão disputada no fim de semana não teve bons jogos, mas o domingo pela manhã foi de alegria com a seleção feminina do Brasil, sem a Rainha Marta, ganhando da Jamaica por 3 a 0, na estreia da Copa do Mundo na França.

E seguiu à tarde, com a goleada de 7 a 0 da seleção masculina, sem o enrolado craque Neymar, sobre a fraca Honduras, em Porto Alegre.

Chato, muito chato mesmo, foi ouvir o narrador Galvão Bueno repetir várias vezes, insistentemente, que era “Copa do Mundo”, tentando criar um clima artificial, que de fato não existe, pois, se em toda competição que entra o time masculino estará entre os favoritos, infelizmente este não é o caso das nossas meninas.

Sem este ufanismo exacerbado que a Globo tenta disseminar, digamos que a estreia na Copa da França saiu melhor do que a encomenda, mas não vamos esperar milagres, pois a nossa adversária nesta quinta-feira, Austrália, vai exigir muito mais das nossas meninas, sobretudo no setor defensivo, que sequer foi posto à prova pelas jamaicanas.
Que venham mais boas notícias, como a volta da Rainha Marta, que daria mais força ofensiva à seleção ao lado de Cristiane, cujo retorno ao time se deu em alto nível, mas sempre é bom nos acautelarmos para não criar falsas expectativas, pois os próximos desafios são maiores e não há porque comparar as seleções masculina e feminina, que sairá sempre em desvantagem.

Não tem cabimento relativizar disputa de gênero num time, com uma história secular e cinco títulos mundiais, com outro cuja trajetória a sociedade só abriu-lhe as portas, mesmo assim com muita desconfiança e preconceito, há pouco mais de três décadas.

Caiu a máscara
Além do mau futebol de toda a equipe, o que mais chamou a atenção na derrota de 3 x 1 do Atlético para o Santos, na Vila Belmiro, foi o “pití” do pastor e veterano atacante, Ricardo Oliveira, que após ser substituído aos 22 do 2º tempo pelo garoto Alerrandro, deixou o gramado reclamando, chutando garrafa de água mineral no banco de reservas, enfim, deixou cair a máscara de bonzinho, agregador, etc., coisa e tal.

Infelizmente a torcida do Galo vai ter de aturar essa mala sem alça, pelo menos até o fim desta temporada, pois contra o Santos o jogador completou o sétimo jogo no Brasileirão e não pode mais se transferir para jogar por outro clube.
O grande equívoco do técnico interino, Rodrigo Santana, tem sido insistir na permanência de Ricardo Oliveira na equipe titular - mesmo atravessando uma grave crise técnica, e deixar na reserva o garoto Alerrandro, que está voando e pedindo passagem, fazendo gols com muito mais movimentação.

Fim de papo

· O Cruzeiro criou várias chances contra o Corinthians, mas não conseguiu balançar a rede adversária e empatou por 0 a 0, no Mineirão. Foi o oitavo jogo consecutivo sem vitória da equipe celeste, o quinto na Série A do Brasileirão. Sem contar o jogo entre Goiás x Chapecoense, disputado noite passada no Serra Dourada, o time celeste ocupa apenas a 14ª posição, atrás do Grêmio, 13º, ambos com 8 pontos ganhos, ambos flertando com a zona de rebaixamento.

· Apesar da desconfiança dos torcedores, em razão dos últimos maus resultados, o técnico Mano Menezes continua otimista, dizendo que o time “jogou bem e está evoluindo”. Nesta quarta-feira, às 21h, o Cruzeiro fará um jogo daqueles chamado de “seis pontos”, contra o Fortaleza, na Arena Castelão. O campeão do Nordeste, dirigido por Rogério Ceni, também está pressionado para obter a vitória, pois de tropeço em tropeço, acabou entrando na zona de rebaixamento nesta última rodada, 17º lugar com 7 pontos ganhos, um ponto a menos que o Cruzeiro.

· O Galo segue sua vida nesta quinta-feira recebendo o São Paulo, no Independência. Com a derrota de domingo, caiu para o 3º lugar com 15 pontos ganhos, quatro atrás do líder Palmeiras. Pelo menos o técnico interino, Rodrigo Santana, deu a entender na entrevista coletiva pós-jogo que pode finalmente barrar Ricardo Oliveira, o artilheiro que não faz gols, dando oportunidade ao garoto Alerrandro de começar como titular. A conferir.

· Ao se referir ao imbróglio envolvendo Neymar e a modelo, que o acusa de agressão e estupro, o ex-craque Tostão, na sua prestigiada coluna do último domingo, publicada na “Folha de São Paulo”, citou uma frase que ele atribui ao também ex-craque Dirceu Lopes, seu ex-companheiro no grande time do Cruzeiro, que encantou o país na década de 60/70: “A fama costuma empobrecer o ser humano”. “Neymar é mais um”, escreveu Tostão. (Fecha o pano!)

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