Copasa admite problemas de abastecimento em Timóteo

Empresa afirma, contudo, que ainda este ano serão inciadas as obras para a regularização do fornecimento de água.

Clarissa Barçante


Deputados e lideranças locais cobraram mais investimentos da Copasa na região

Superintendente regional da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Albino Campos confirmou à Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a ocorrência de interrupções constantes no fornecimento de água em Timóteo, no Vale do Aço. Ele participou de audiência pública realizada na Associação dos Aposentados e Pensionistas do município, nesta sexta-feira (7/6/19).

A população convive com falhas no abastecimento desde setembro do ano passado, devido a problemas estruturais, como o rompimento de adutoras, e a quedas na rede de energia, que prejudicaram o sistema da Copasa.

Outras queixas dos moradores se referem à má qualidade da água disponibilizada e à falta de tratamento de esgoto, apesar da cobrança de taxas pelo serviço.

O deputado Celinho Sintrocel (PCdoB), que solicitou a reunião, relatou que alguns bairros chegaram a ficar 17 dias sem água, para cobrar mais investimentos da Copasa na região, tendo em vista o seu lucro líquido de R$ 186 milhões apenas no primeiro trimestre de 2019, valor 13% superior ao do mesmo período no ano passado.

O parlamentar também abordou a necessidade urgente da entrada em operação de uma estação de tratamento de esgoto (ETE) já construída e equipada, mas ainda inativa. O Governo do Estado assinou a ordem de serviço para instalação da unidade ainda em 2017.

Água contaminada – Humberto Abreu, procurador do município de Timóteo, encaminhou à comissão fotos de filtros completamente deteriorados, com poucas semanas de uso, pela contaminação da água por ferro manganês.

Segundo Humberto, o questionável serviço prestado pela Copasa é consequência das más condições das antigas estruturas de tratamento e distribuição de água e da falta de estoque para reposição de peças fundamentais.

O vereador Adriano Alvarenga (PMB), por sua vez, afirmou que o sistema da empresa hoje se mantém por meio de manobras, para que a água seja direcionada para os pontos mais problemáticos, que se alternam a cada momento. “Crianças e idosos são os mais atingidos por essa situação, não têm nem como tomar banho”, lamentou.

Copasa promete investimentos na região

O representante da Copasa, Albino Campos, garantiu que ainda este ano serão iniciadas obras para que a situação seja regularizada em definitivo. A estatal planeja investir R$ 6,4 milhões para ampliar a capacidade da estação de tratamento de água, construir dois reservatórios, mais de 10 quilômetros de adutoras e novas elevatórias, utilizadas para abastecer a parte mais alta da cidade.

O projeto, focado principalmente na região centro-sul, a mais afetada, está em fase de licitação. As obras devem durar um ano.

Quanto à estação de tratamento de esgoto, a Copasa aguarda a liberação da sua licença de operação, que, de acordo com Gesiane Lima, superintendente regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, deverá ser concedida no próximo dia 26 de junho.

Ela ponderou, no entanto, que a licença não terá validade até que a Agência Nacional de Aviação (Anac) se posicione, um requisito aparentemente inusitado. A exigência se deve ao fato de a estação estar localizada em uma região considerada como de segurança aeroportuária.

A Copasa investiu R$ 103 milhões na construção da estação, que, estima-se, será responsável pelo tratamento de 85% do esgoto de Timóteo e 45% daquele gerado em Coronel Fabriciano.

Desdobramentos – As explicações de Albino Campos não convenceram, contudo, os deputados e vereadores presentes.

Para Celinho Sintrocel, ainda falta muito investimento no Vale do Aço. No seu entender, a população já pagou, por meio de tarifas, muito mais do que a Copasa dispendeu no seu sistema. Como exemplo da falta de atenção da empresa com a população, ele citou a previsão da própria companhia de que parcela da população de Timóteo e Coronel Fabriciano continue sem tratamento de esgoto, mesmo depois de a ETE entrar em atividade.

O deputado Bartô (Novo), presidente da comissão, salientou que a questão não é o quanto a Copasa já investiu ou vai investir, mas sim a constatação de que os serviços não estão à altura das necessidades. Nesta sexta-feira (7), durante a audiência, quatro bairros ainda sofriam com a falta de água.

Os parlamentares apresentaram requerimentos com pedidos de informações à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável sobre o índice de qualidade da água fornecida, o plano de investimento para o abastecimento em Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga, e as receitas e despesas da Copasa nos três municípios.

(ALMG)

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Comentários

Luciano de ávila Pereira 11 de Junho, 2019 | 08:42
A copasa tem se mostrado relapsa com a população de Timóteo, a muito tempo... Principalmente com nós, aqui do setor sete, que tem falta de água pelo menos 3 dias por semana (o que acontece nos finais de semana).
E o pior é investir em outdoors pela cidade, ressaltando qualidade e cumplicidade... A conta chega certinha.

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