31 de maio, de 2019 | 06:39
Superação e amor marcam a semifinal do JEMG em Ipatinga
Entre gols, lágrimas e sorrisos, os jogos foram recheados de companheirismo e muita superação por parte dos atletas
Estudantes de diversas localidades se reuniram nesta quinta-feira (30) no Centro Esportivo e Cultural 7 de Outubro, no bairro Veneza, para as semifinais da fase microrregional dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG/2019). Esta etapa ocorre em Ipatinga desde segunda-feira (27) e termina nesta sexta-feira (31). Entre gols, lágrimas e sorrisos, os jogos foram recheados de companheirismo e muita superação por parte dos atletas.
Professora de um projeto social em Joanésia e uma das responsáveis pela equipe feminina de futsal da Escola Estadual Professor Antônio Marciano, Alice Drummond conta os perrengues que tiveram de superar para chegar ao local da partida. Por morar longe de Ipatinga, o percurso foi de quase uma hora e meia. Para honrar o compromisso, os alunos têm que acordar de madrugada, sendo que alguns moram na zona rural, o que dificulta ainda mais a tarefa. Andamos em ônibus velhos e que às vezes estragam. Chegamos a Ipatinga 8h02, o jogo estava marcado para 8h e por pouco não perdemos por WO. Isso ocorre todo ano, sempre saímos de casa com o coração na mão, mas graças a Deus nunca perdemos por causa de transporte, todo ano chegamos na tábua da beirada”, relata aos risos.
Wôlmer Ezequiel
Alice Drummond conta os perrengues que o time teve de superar para chegar ao local da partida
Alice Drummond conta os perrengues que o time teve de superar para chegar ao local da partidaEdson Wander Contarini, mais conhecido por Edinho, é professor de Educação Física na Escola Estadual Horto Belém, de Marliéria, e destaca que alunos entre 11 e 13 anos vieram para a disputa. Ele agradece o apoio da administração municipal e revela histórias curiosas de sua equipe. O ônibus tem de atender os alunos do ensino regular primeiro e deixá-los nas escolas, só depois disso é que pode trazer a gente para os jogos. Aí é que nasce o sufoco.
Sempre chegamos em cima da hora do jogo ou depois. Já perdemos por WO em razão dessa situação. Mas pregamos sempre o espírito esportivo e a superação, acima de tudo. Fazemos por amor mesmo, amor às crianças e a tudo o que isso representa. Mesmo sabendo das dificuldades, eles fazem questão de participar. Muitas das vezes temos alunos que dão trabalho em questões comportamentais, mas em compensação, quando estão na quadra, conseguem fazer esse equilíbrio e a maturidade surge, naturalmente”, celebra.
Sonho
Pedro Henrique Santos Costa tem 16 anos, está em seu terceiro JEMG e já sabe o que quer: ser jogador profissional de futebol ou futsal. Ele avalia a estrutura de sua escola (Estadual João Hemérito de Menezes, de Belo Oriente), como boa, mas que os horários de treino às vezes não atendem. Mas nosso diretor nos ajuda muito. Quero jogar bola profissionalmente, todo mundo ama futebol, eu não sou diferente. Sou ala e me inspiro no Falcão. Prefiro seguir carreira no campo, mas na quadra também seria legal. Eu me empenho nesse sonho, treino direitinho, mas minha mãe tem medo de eu me machucar, de viajar, porque fico sozinho nos locais dos jogos. Apesar disso, ela sonho junto comigo”, pontua.
Wôlmer Ezequiel
''Eu me empenho nesse sonho, treino direitinho. Quero seguir no futebol de campo'', diz Pedro Henrique
''Eu me empenho nesse sonho, treino direitinho. Quero seguir no futebol de campo'', diz Pedro HenriqueWallace Brito, também de 16 anos, é pivô. É meu segundo ano de JEMG e pretendemos ganhar essa edição. Lá em casa a família também cobra bastante o rendimento em sala de aula para eu poder jogar. Às vezes saio cedo e chego tarde, algumas vezes machucado, com canela inchada e corpo doendo, mas vale a pena”, reforça.
Mesmo com dores, a jovem Kamilly Silva Duarte, que também é de Joanésia e tem 16 anos, não deixou as companheiras na mão. Participo desde 2017, é marcante, você faz amizades. Hoje estou sentindo dor, porque machuquei meu joelho e está doendo muito. Gosto muito de estar aqui e vim para ajudar o time, temos uma ligação muito forte, as meninas e eu. Então é um esforço pela parceria e companheirismo. Uma ajuda a outra, somos unidas. O esporte é isso”, avalia.
Bruna Ingrid Drummond é ala da escola Antônio Marciano, de Joanésia, e endossa a fala da colega. A gente conhece muitas pessoas e temos chance de ver as meninas jogarem, porque futebol feminino não tem apoio, não tem verba e às vezes a gente tem que desmarcar o treino. Pra mulher é difícil de jogar, os meninos têm mais credibilidade, no jogo deles enche a quadra, no nosso não. Por isso queremos e devemos participar de tudo o que pudermos”, conclui.
(Bruna Lage-Réporter)
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