28 de maio, de 2019 | 07:02
Fonoaudióloga chama atenção para desenvolvimento da linguagem infantil
Questionada sobre a interferência de aparelhos como tablets e celulares, a profissional pontua que pode sim ocorrer
Wôlmer Ezequiel
A fonoaudióloga Claudiane Santana destaca importância de levar a criança a um profissional
A fonoaudióloga Claudiane Santana destaca importância de levar a criança a um profissional Em um mundo cada vez mais tecnológico e com dias mais corridos, os pais vivem o desafio de criar seus filhos de forma saudável. A fonoaudióloga Claudiane Santana destaca a importância das brincadeiras e do acompanhamento de um profissional, caso seja constatada alguma dificuldade no desenvolvimento dos pequenos.
Ela explica que, atualmente, existe um perfil totalmente diferente de alguns anos atrás, quando as crianças podiam brincar na rua e construir suas próprias brincadeiras, o que facilitava todo o processo de desenvolvimento. Hoje, por condições sociais e ambientais, as crianças precisam ficar mais dentro de casa, já encontram as brincadeiras prontas e estão muito ligadas à mídia, rede social, celular. Essas coisas que vêm prontas e dão pouca possibilidade de aprendizado, o que prejudica e muito”, analisa.
Questionada sobre a interferência de aparelhos como tablets e celulares, a profissional pontua que pode sim ocorrer. Poderão haver crianças típicas, que desenvolvem normalmente e provavelmente não vão ser prejudicadas, mas algumas podem ter um desenvolvimento mais lento, com linguagem repetitiva. Ela acrescenta que todo o processo de desenvolvimento psicomotor interfere na fala.
Para falarmos, precisamos de uma maturidade neurológica e às vezes isso vem de subir e descer, passar embaixo de alguma coisa, de ter noção de profundidade. E a fala é o ápice desse desenvolvimento. Às vezes a criança pode ter um diálogo reduzido ou de forma rápida e sem riqueza de detalhes”, aponta.
Marcos
Claudiane pontua que existem alguns marcos no desenvolvimento. Quando se pensa na fala, com um ano é esperado que a criança fale as primeiras palavras e que elas tenham significado. Aos dois anos, devem formar frases, com substantivos e verbos, por exemplo. Às vezes, a dificuldade de alguns é uma coisa simples, que o estímulo da escola pode ajudar, ou um passeio num ambiente diferente. Mas pode ser sim necessário um acompanhamento, pois pode haver alguma doença, ou algum transtorno, que prejudica essa fala”, aconselha a profissional.
Sobre as doenças e transtornos que têm sido cada vez mais diagnosticados, como o autismo e transtornos de desenvolvimento, ela salienta que tem sido muito discutido entre os profissionais se tais distúrbios sempre existiram ou se passaram a ser mais diagnosticadas. Alguns pesquisadores dizem que temos acesso. A criança vai ao pediatra desde muito cedo, o que não tínhamos no passado. Mas não só isso, todo esse processo de tecnologia, de facilidade, isso tem influenciado. No caso do autismo, nunca vimos uma incidência tão grande de crianças que preferem permanecer sozinhas, com comportamento distante. Isso tem ocorrido muito. A pergunta é, será que é só o nosso modo de vida que tem gerado isso, está relacionado à alimentação ou à própria evolução do ser humano? Não sabemos ao certo, mas tem ocorrido e muito”, frisa.
Campanha
Coordenadora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade Única, Claudiane Santana adianta que, no dia 10 de junho, às 17h30, haverá uma campanha voltada para a Linguagem Infantil. Com o tema Brincadeira faz a diferença”, o evento será aberto ao público, na sala 324. O assunto surgiu a partir de uma observação na Clínica Escola, mantida pela instituição. Por lá, existem pacientes com quadro neurológico, crianças que nasceram com alguma dificuldade, mas que quando foi realizado acompanhamento, nada grave foi diagnosticado.
Na clínica é feito um trabalho voltado para a comunidade, com dois grandes objetivos: permitir o contato do aluno com a comunidade e que a comunidade tenha acesso a esse atendimento. Existe uma lista de espera e o atendimento tem o valor simbólico de R$ 5. São disponibilizados desde exames até terapia de fala e de voz, basta preencher uma ficha de inscrição e aguardar a vaga, para fono e psicologia.
Às vezes uma criança que fica muito só e não tem irmãos desenvolve mais devagar. As famílias estão diminuindo. Também não dá pra deixar a criança na rua, a realidade é outra. E pequenas orientações podem ajudar, como deixar a criança com outras crianças e brincar, que era tão natural, mas hoje nem tanto”, reforça.
Sua orientação é que os pais, que têm um olhar diferenciado em relação aos filhos, não deixem de procurar ajuda. É melhor ouvir do profissional que não há nada do que deixar o tempo passar. O melhor é trabalhar com a prevenção”, conclui a fonoaudióloga.
(Bruna Lage - Repórter)
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