Alta do dólar pode atingir bolso do consumidor

O pão francês e os combustíveis, por exemplo, são alguns dos itens da lista, que tem também a energia elétrica

Wôlmer Ezequiel


Querido na mesa do brasileiro, preço do pão pode sofrer interferência

Com o dólar acima de R$ 4, o preço de produtos comuns no dia a dia do brasileiro pode sofrer interferência. O pão francês e os combustíveis, por exemplo, são alguns dos itens da lista, que tem também a energia elétrica. Conforme especialistas, a fragilidade do governo em suas negociações com o Congresso gera especulações no mercado, o que pesa no valor da moeda estadunidense e também do real.

O economista Amaury Gonçalves observa que os contratempos nas negociações do governo federal acabam levando a especulações e à alta do dólar, o que traz consequências, pois tem perdurado. “E estando acima de R$ 4, acaba contaminando outros setores da economia, principalmente o do trigo, que é um produto que necessita da importação. Mais de 70% é importado. Se essa alta permanece por 10 ou mais dias, acaba influenciando os contratos que são feitos nesse período”, destaca.

Há também impacto no preço do combustível, pois, independentemente do preço do barril de petróleo sofrer alta, ocorre elevação de custo por parte da Petrobras, o que a obriga a repassar esse aumento para o consumidor. “Dependendo da evolução da tramitação das reformas do Congresso, o dólar pode ter uma queda vigorosa. Por outro lado, estamos no auge de uma crise, e é prudente esperar uma semana ou 10 dias para comprar dólares, por exemplo”, aconselha o economista.

Amaury salienta que a moeda está em alta pelo fortalecimento da economia dos Estados Unidos em relação ao resto do mundo. Aqui, temos instabilidade política, o que leva à especulação em relação a nossa moeda. Esse impacto atua também na formação dos índices que fazem a correção da taxa da energia elétrica, mas isso só vamos sentir anualmente, mas não deixa de ter um impacto. A cotação é corrigida pelo Índice Geral de Preços - Mercado, que é composto pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, Índice Nacional de Custo de Construção e o Índice de Preços por Atacado. O dólar influencia e muito nos preços no atacado. Outro dado sobre o IGP-M é que ele corrige os aluguéis e isso acaba refletindo em um aumento”, frisa.

Conta de luz

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na terça-feira (21) o aumento médio de 8,73% para as tarifas da Cemig Distribuição. Os novos índices entrarão em vigor na semana que vem para 8,4 milhões de unidades consumidoras em 774 municípios do Estado de Minas Gerais.

Os consumidores residenciais e de pequenos estabelecimentos comerciais (modalidade de baixa tensão) ficarão com as contas de luz mais caras em 7,89%. Já a indústria e comércio de grande porte (alta tensão) contarão com a elevação de 10,71% na tarifa.

O cálculo de novas tarifas considera a variação de custos da prestação do serviço de distribuição, da compra de energia, do pagamento de encargos setoriais e de passivo ou desconto financeiro do ciclo tarifário anterior. De acordo com a Aneel, o atendimento dos consumidores mineiros, por meio do serviço de distribuição, rende à Cemig à receita anual R$ 15,3 bilhões.

Padarias

Conforme explicam especialistas do setor de panificação, a quantidade de trigo produzida no Brasil é menor do que a consumida. Logo, a exportação é necessária. Porém, a compra não é feita diariamente e o valor depende do período em que o dólar permaneceu em alta. Caso dure um ou dois dias, não há prejuízo. O período dessa duração é determinante para ocorrer ou não elevação.

O proprietário da padaria Pão Total, Sebastião Araújo, relata que ainda não houve alteração no preço do pão, porque a farinha de trigo é apenas um dos componentes que formam o valor. Ele observa que a concorrência tem sido grande, principalmente com os supermercados, que praticam um valor menor que as padarias. Isso faz com que o esforço para estabilizar o preço final seja maior. “Hoje, a média do quilo do pão é de R$ 11. Nos supermercados chega a custar R$ 4,80. Não há como repassar os custos, mesmo que seja o ideal para a empresa. Visamos o cliente em primeiro lugar”, assegura.

O sócio-diretor da Padaria do Horto, Fabrício Lara, explica que ainda não houve aumento no valor da farinha de trigo. “Temos percebido uma constância, mas ficamos preocupados com o que pode vir. Fazemos um esforço muito grande para não repassar reajustes para o consumidor final, atentos à sua satisfação”, reforçou.


(Bruna Lage - Repórter)

Comentários

Barrabas 25 de Maio, 2019 | 10:10
Com ou sem dollar alto essas coisas aumentam.dollar alta e uma desculpa pro aumento.dollar baixo enventam outra desculpa para aumentar.

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