Médica do Hospital das Clínicas/UFMG investiga estratégia para redução do risco de demência

Estima-se que 30% dos casos podem ser prevenidos junto aos idosos; Brasil tem destaque em envelhecimento da população na terceira idade

Divulgação


Ilustração: Atendimento de idosos no Hospital das Clínicas da UFMG

O Brasil tem uma das populações idosas que mais cresce no mundo. Como consequência do envelhecimento, o risco de aparecimento de demências, como a doença de Alzheimer, aumenta.

Para conscientizar a população sobre o tema e desenvolver estratégias de diagnóstico e assistência a esse tipo de paciente, um Plano Nacional para a Demência no Brasil está sendo construído, com previsão de término para dezembro de 2021.

Ele foi uma das pautas do 5º Simpósio Satélite da Conferência da Associação Internacional da Alzheimer (AAIC), que aconteceu em São Paulo, em abril, e contou com a participação de uma médica do Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh.

Mais de 500 participantes, entre cientistas, médicos, pesquisadores e demais profissionais de saúde, estiveram presentes para compartilhar estudos a respeito da demência. Entre eles está o projeto da médica neurologista do Hospital das Clínicas UFMG/Ebserh, Elisa Resende, pesquisadora do Atlantic Fellows for Equity in Brain Health do Global Brain Health Institute (GBHI), financiada pela Associação de Alzheimer. Os estudos conduzidos pela médica têm o objetivo de identificar como a alfabetização de adultos é capaz de contribuir na redução do risco de demência.

Segundo a pesquisadora, ela promoveria “a melhoria da memória e das conexões cerebrais, fatores que, no futuro, aumentariam as chances da pessoa ficar resiliente à demência”. Como motivação para suas pesquisas, a médica ainda acrescenta que 30% dos casos de demência podem ser prevenidos. “Para isso, sete fatores de risco devem ser controlados: baixo nível educacional, diabetes, hipertensão, obesidade, sedentarismo, tabagismo e depressão”, aponta.

Referência no tratamento do Alzheimer em Minas Gerais, o Hospital das Clínicas UFMG/Ebserh oferece atendimento especializado aos pacientes com demência por meio do Serviço de Geriatria e Gerontologia do HC-UFMG, vinculado ao Núcleo de Geriatria e Gerontologia (NUGG), coordenado pelo geriatra e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Edgar Nunes de Morais. O serviço é formado por médicos, equipe multiprofissional, professores, preceptores, residentes médicos e multiprofissionais e está localizado no 1º andar do Instituto Jenny de Andrade Faria de Atenção à Saúde da Mulher e do Idoso. Atualmente, o ambulatório é considerado um dos maiores Centros Geriátricos-Gerontológicos do Brasil, além de ser uma das principais instituições formadoras de recursos humanos na área de envelhecimento.

O que é demência?

A demência consiste numa síndrome clínica caracterizada pela perda da funcionalidade. Segundo a neurologista Elisa Resende, “a pessoa com demência apresenta sinais cognitivos problemáticos, como perda de memória, problemas com desorientação e dificuldades de raciocínio, linguagem e planejamento”, explica. Somado a isso, esse quadro pode implicar dependência total do indivíduo para realização de suas atividades cotidianas.

São muitas as doenças que causam demência. No Brasil, as mais recorrentes são a demência vascular, podendo ser desencadeada por fatores como tabagismo e hipertensão, e a doença de Alzheimer. Frequentemente, essas duas se manifestam ao mesmo tempo. Ainda que o tratamento ajude, essas doenças não têm cura.

Rede Hospitalar Ebserh

Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 40 hospitais universitários federais, impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas por atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, por apoiar a formação de novos profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a sua natureza educacional, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.

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