Gaeco de Ipatinga prende homem por estelionato
Suspeito de Ipaba oferecia facilitar a obtenção da CNH em anúncios de páginas de vendas conhecidas como “topa-tudo”
11/05/2019 às 00:52
Atualizado às 11h13
W. M. G. L., de 25 anos, está recolhido na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, após ser autuado em flagrante por estelionato na noite de quinta-feira (9). Ele era investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) depois de denúncias revelarem que o jovem prometia ''facilitar'' a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Os policiais militares e civis e representantes do Ministério Público que integram o Gaeco realizaram um esforço para conseguir identificar o autor das postagens das páginas de “topa-tudo” nas mídias sociais. Com as denúncias, após um trabalho intenso de inteligência e com utilização de técnicas especiais de investigação, foram identificados dois perfis que ofereciam a “facilitação” para conseguir a CNH, um de “H. R.” e o outro “W. L.”.
No fim da tarde de quinta-feira, os policiais conseguiram a informação de que a pessoa do perfil de W. L. numa rede social estava no Centro de Ipatinga. As equipes do Gaeco saíram na tentativa de abordar o suspeito, localizando-o na área do estacionamento do hipermercado Bretas, na área central da cidade.
Cópias de documentos
Ao ser abordado, o homem estava de posse de várias cópias de documentos de supostas vítimas da promessa da facilitação de obtenção da CNH. Pelo trabalho de intermediação, durante as fases para a aquisição da carteira, o investigado cobraria a quantia de R$ 3,5 mil ao interessado no documento adquirido de forma ilegal.
O Gaeco informou que novas investigações continuam para identificar a participação de outras pessoas envolvidas no esquema. Os investigadores informaram ainda que as vítimas de W. M. G. L. podem procurar o Grupo de Atuação para prestar novos esclarecimentos.
O homem foi autuado em flagrante e encaminhado para a penitenciária de Ipaba, curiosamente, mesmo município onde reside.
Vendia, mas não entregava o prometido
Em depoimento, W. M. G. L. alegou que na verdade não entregaria qualquer documento e a promessa da carteira era para atrair o interessado em ter uma CNH. No momento da prisão, ele havia feito contato com seis pessoas. Uma delas seria uma mulher que lhe entregaria R$ 900, encontro que não aconteceu devido a sua prisão.
O investigado autorizou o acesso ao celular dele, aparelho apreendido pelos policiais do Gaeco. Nas conversas trocadas em um aplicativo de mensagens, W. M. G. L. solicitava uma entrada para dar início ao processo para a CNH e inventava que tinha que dar uma parte do dinheiro para as pessoas (funcionários públicos) para facilitar a obtenção da carteira. Ele revelou que fazia tudo a mando de outras pessoas, situação que está em investigação.
Para a surpresa dos policiais, W. M. G. L. estava com várias rifas (ação entre amigos) cujo montante levantado com a venda delas seria revertido para uma cirurgia de uma criança, contudo o beneficiário já estava morto.
Mesmo com a morte da criança, W. M. G. L. continuava a vender cada rifa por R$ 5 às pessoas que sensibilizam com a história. O menino seria morador de Coronel Fabriciano, mas o investigado não soube ou não quis informar o endereço aos policiais que colheram seu depoimento.