Alunos do Cefet-MG Timóteo protestam contra corte de verba

O protesto no campus em Timóteo não teve vinculação com a direção do Centro e foi iniciativa dos próprios estudantes

07/05/2019 às 16:40
Divulgação
A manifestação contou com alunos vestidos de roupa preta, protestando durante o intervalo das aulas

Os alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), campus Timóteo realizaram uma manifestação contra a decisão do Ministério da Educação (MEC) de cortar 30% dos repasses para universidades e institutos federais. O protesto no campus em Timóteo não teve vinculação com a direção do Centro e foi iniciativa dos próprios estudantes.

Em entrevista ao Diário do Aço, o presidente do Grêmio Estudantil, Gabriel Moronari, informou que a manifestação realizada segunda-feira (6) contou com a participação de cerca de 150 alunos. “O protesto foi feito durante o intervalo entre as aulas e combinamos com os alunos para comparecer vestidos com roupa preta no dia do protesto, simbolizando o luto da Educação, após o anúncio do corte de 30% dos repasses”, explicou.

Gabriel Moronari acrescentou que foi realizada uma assembleia entre os alunos, na manhã desta terça-feira (7), para discutir as próximas ações. “Já estamos organizando uma manifestação com outras escolas de Timóteo para o dia 15, quando protestaremos pelas ruas da cidade”, esclareceu.

Serviços prejudicados

Em nota, o Cefet-MG demonstrou preocupação com o bloqueio de 30% da dotação orçamentária para o ano de 2019, recentemente anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). “O corte, que atinge as Instituições Federais de Ensino de todo o país, impacta fortemente o funcionamento desta instituição. Com as reduções ocorridas ao longo dos últimos anos, já foram feitos diversos ajustes internos – nos serviços de segurança e limpeza, por exemplo –, sempre buscando evitar prejuízos às atividades de ensino, pesquisa e extensão”.

Conforme o Cefet-MG, os novos cortes inviabilizam o pagamento de serviços básicos, como despesas com água, energia elétrica e atividades terceirizadas. “Importante destacar que, do total de recursos de manutenção e funcionamento da instituição, foram bloqueados R$ 16.983.100 em um orçamento de R$ 48.048.931 (excluída a Assistência Estudantil), correspondendo a um corte de 35,4%”, destaca a nota.

Por fim, a instituição informou que acredita na reversão dessa medida, que inviabiliza a oferta educacional em curto prazo, bem como pode comprometer o futuro da Educação Pública no Brasil em longo prazo. “Não obstante a preocupação aqui manifestada, apostamos no diálogo com o Ministério da Educação e com o Congresso Nacional para que possamos buscar outras soluções juntamente com a Associação Nacional Dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e o Conselho das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif)”, concluiu a nota.

Investimento na base

No dia 30 de abril, o Ministério da Educação (MEC) anunciou um corte de 30% do orçamento das universidades e institutos. Já na quinta-feira (2), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o dinheiro retirado das universidades federais será investido na educação básica. Ele disse que a educação no Brasil é como uma casa com um “excelente telhado e paredes podres”.

O corte, inicialmente, seria restrito a três universidades, Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em seguida, foi ampliado a todas as instituições federais do país.

Protestos já foram organizados por estudantes de várias instituições de ensino, que já anunciam paralisação de serviços, caso o plano de corte orçamentário seja executado.


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