Najara Araujo / Câmara dos Deputados / Divulgação / CP
Alê Silva disse ter tomado conhecimento do esquema de laranjas do partido somente após às eleições
A deputada federal Alê Silva (PSL), em entrevista à Folha de São Paulo, contou sobre a existência de esquema de candidaturas de laranjas no PSL comandado pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Ainda em conversa com o jornal paulista, a parlamentar disse ter tido a informação de que o ministro a ameaçou de morte em uma reunião realizada entre correligionários no fim de março, em Belo Horizonte.
Segundo a reportagem publicada pela Folha, Alê Silva prestou depoimento espontâneo à Polícia Federal em Brasília, na quarta-feira (10), quando solicitou proteção policial. Alê é a primeira deputada eleita a relatar a existência do esquema de laranjas do partido em Minas Gerais.
O jornal noticiou ainda que o ministro negou ter feito ameaças, e que Alê Silva deve voltar a prestar depoimento nas próximas semanas. Na entrevista, a parlamentar afirmou ter tomado conhecido do esquema de laranjas somente após as eleições por meio de relatos de políticos ligados ao partido e por pesquisa feita nos dados da prestação de contas das candidatas apontadas como sendo de fachada.
A parlamentar também disse à Folha temer represálias do partido do presidente Jair Bolsonaro, e por isso encaminhou o material e os relatos que tinha à Associação Patriotas em Foco, de Coronel Fabriciano. A entidade fez uma representação ao Ministério Público dias antes do caso estourar na imprensa.
“Duas laranjas, Debora Gomes e Milla Fernandes, são da minha região. Eu andei palmo a palmo todo o Vale do Aço e nunca ouvi falar delas durante o período de campanha. Tudo o que eu pesquisei e o que foi relatado pelas laranjas que acusaram o ministro tem extrema consistência. Não acredito em envolvimento do Bolsonaro em tudo isso”, contou à Folha a parlamentar.
O ministro Marcelo Álvaro Antônio nega as ameaças a argumenta que a deputada faz campanha difamatória contra ele em busca de espaço na legenda.