Terapias corporais podem ser alternativa para tratamento de ansiedade e estresse

As terapias corporais como a meditação profunda e o shiatsu, massagem que utiliza os pontos corporais tratados na medicina tradicional chinesa, têm mostrado bons resultados para quem passa por transtornos emocionais

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Com a compressão de pontos específicos no corpo, o shiatsu pode diminuir sintomas de ansiedade e estresse

A ansiedade e o estresse são transtornos que estão cada vez mais presentes na vida dos brasileiros. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o líder mundial de transtorno da ansiedade. A estimativa da OMS é que 9,3% dos brasileiros tenham sintomas do transtorno, índice quase três vezes mais que a média mundial.

As terapias corporais como a meditação profunda e o shiatsu, massagem que utiliza os pontos corporais tratados na medicina tradicional chinesa, têm mostrado bons resultados para quem passa por transtornos emocionais. A meditação é reconhecida pela OMS como uma prática preventiva de doenças, além de ser mitigadora do estresse e ansiedade.

Causas e efeitos

O terapeuta corporal Marcos Menezes destaca que uma das causas que favorece os sintomas da ansiedade é o excesso de conectividade. Em 2018, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou que o Brasil já possui mais de um smartphone ativo por habitante. Ao todo, são 220 milhões de celulares em funcionamento no país contra 207,6 milhões de habitantes, segundo a FGV. Segundo o terapeuta, esta conectividade tem efeitos físicos e psíquicos.

"O usuário está deitado, tarde da noite, é um momento que deveria estar em um ambiente escuro e sem estímulos, mas está mexendo no celular, por exemplo. Aquela luz acaba estimulando o cérebro, o que reduz a produção de melatonina, modifica o metabolismo. Todo um processo físico-químico que o deixa ligado. Além disso, o excesso de conectividade nos coloca na era da solidão digital. As pessoas interagem com centenas de pessoas, porém não aprofundam com ninguém", destaca Marcos.

Casos recentes de suicídio infanto-juvenil em todo o país reacenderam a discussão a respeito deste assunto na imprensa e mídias sociais. Para o terapeuta corporal, os casos estão relacionados com o alto índice de ansiedade e isolamento das crianças.

"Nesta era da solidão digital, as crianças acabam tendo pais ausentes. Estes pais, por sua vez, são da geração de adultos que não aprofundaram dentro de si, não buscaram se conhecer. Então, por não terem estes recursos pessoais, os pais superestimulam os filhos com tablets, smartphones, joguinhos, vídeos. Eles fazem sempre o possível para a criança ficar superestimulada e não ter frustrações. A criança cresce sem profundidade e autonomia emocional e em uma criação em que elas estão sozinhas, o que gera uma fragilidade muito grande", avalia.

Tratamento

O terapeuta destaca que as técnicas da medicina tradicional chinesa atuam para o reequilíbrio das emoções por meio do corpo. "A ansiedade se constrói lentamente por padrões comportamentais, por não estar no momento presente, o que gera desequilíbrios energéticos no corpo. O objetivo principal do shiatsu é restaurar o equilíbrio do fluxo da energia vital do organismo. Para a medicina tradicional chinesa, pensamento e emoção são energias. Dependendo do comportamento criado é nocivo e esgota as energias", explica Marcos.

Com o foco na respiração, a meditação propicia o controle da respiração e, consequentemente, a atenção para os efeitos das emoções no corpo. "Para combater a ansiedade temos que reaprender a respirar. Ao longo da infância, a gente ‘sobe’ o controle da respiração do diafragma para os pulmões. Em momentos tristes, a gente parece que vai sufocar mesmo em milhões de metros cúbicos de ar. Aprendendo a respirar a gente volta a atenção para nós mesmos".

Marcos ainda destaca que as terapias corporais devem ser complementadas com hábitos saudáveis para um resultado efetivo. "Infelizmente não adianta a pessoa fazer as sessões de shiatsu e meditação se ela dorme mal, se alimenta de modo inadequado, não se hidrata, não faz atividade e não presta atenção na dinâmica dos pensamentos que ela possui. Então, temos que ter um olhar de atenção plena e autorresponsabilidade", afirma o profissional.

(Fernando Lopes)

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