Petrobras perde R$ 32,4 bilhões em valor de mercado na Bolsa de Valores.

'Falei que não entendia de economia', diz Bolsonaro após intervenção desastrosa na Petrobras na sexta-feira; empresa desvalorizou R$ 32,4 bilhões na bolsa de valores

Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


O entendimento é que a ordem de Jair Bolsonaro a Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, para que revogasse o aumento do diesel, anunciado para entrar em vigor à 0h desse sábado fez a estatal perder R$ 32,4 bilhões em valor de mercado na Bolsa de Valores

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) negou ser intervencionista e querer adotar 'as políticas que fizeram no passado' após ter ligado para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, pedindo explicações sobre a proposta de reajuste de 5,7% ao preço do diesel nas refinarias, que ocorreria nesta sexta-feira (12) e foi cancelado.

O entendimento é que a ordem de Jair Bolsonaro a Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, para que revogasse o aumento do diesel, anunciado para entrar em vigor à 0h desse sábado fez a estatal perder R$ 32,4 bilhões em valor de mercado na Bolsa de Valores.

A interferência do governo assustou o mercado, que colocou nos preços das ações o receio de que intervenções se tornem a regra, e não a exceção,dizem os analistas de mercado.

'Não sou economista, já falei que não entendia de economia', relembrou Bolsonaro. Conforme confirmado pelo vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) em entrevista à radio CBN , o cancelamento do ajuste partiu, de fato, da intervenção de Bolsonaro, a qual Mourão caracterizou como 'pontual'.

O presidente aproveitou a oportunidade para alfinetar a ex-presidenta Dilma Rousseff, economista, ao dizer que 'quem entendia [de economia] afundou o Brasil'. A declaração foi feita na inauguração do novo aeroporto da capital Macapá, em sua primeira visita ao Amapá.

'Estou preocupado também com o transporte de cargas no Brasil, com os caminhoneiros . São pessoas que realmente movimentam as riquezas, de norte a sul, leste a oeste e que tem que ser tratados com devido carinho e consideração. Nós queremos um preço justo para o óleo diesel', defendeu o presidente, que disse ter convocado funcionários da estatal para reunião na próxima terça-feira (16) para esclarecer a política de preços adotada.

Participarão ministros da área técnica, como Albuquerque, e o da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, bem como técnicos da Petrobras. O governo, no entanto, descarta que os encontros sejam uma forma de intervenção.

“O senhor presidente entende que a Petrobras, uma empresa de capital aberto, sujeita às regras de mercado, não deve sofrer interferência política em sua gestão”, sustentou o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros.

Já, Mourão disse que tem 'absoluta certeza de que o presidente não vai praticar a mesma política da ex-presidente Dilma Rousseff no tocante à intervenção do preço do combustível e da energia', e avaliou que 'toda decisão tem fatores positivos e negativos'.

Desde o último mês, integrantes do governo federal tem feito tentativas de agradar os caminhoneiros, na esperança de reduzir as possibilidades de uma nova greve da categoria. Mourão não confirmou, e disse que 'já faz algum tempo que esses dados [de possível greve de caminheiros] vem chegando. Mas são dados, não há uma confirmação. Então temos que tratar com cuidado, e eu acho que foi essa a visão do presidente e de quem o assessorou nessa decisão', explicou.

Em março, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, chegou a dizer que Bolsonaro tem um 'amor muito grande' pelos caminhoneiros . Dias antes, Bolsonaro anunciou a criação de um cartão caminhoneiro , que vai garantir a compra de diesel e outros combustíveis sem variação contínua de preço, e ainda prometeu outras medidas em breve para a categoria.

Perguntado sobre a possível contradição entre a intervenção na estatal e a autointitulação do governo como liberal, Mourão respondeu que 'em tese é [uma contradição]. Agora como eu respondi os fatos que chegaram ao conhecimento do presidente não são do meu domínio portanto eu acredito no bom senso dele e que tomou essa decisão buscando o bem maior'. (Com agências )

Comentários

Ane Caroline 13 de Abril, 2019 | 17:11
Meu Deus. Ilumine e esse homem, poque ele está conduzindo um barco com mais de 220 milhões de pessoas. Santo Deus Misericordioso!!!!.

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