Pacientes hospitalares de Caratinga podem migrar para Ipatinga

Ocorre que o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Caratinga, também suspendeu as atividades temporariamente, a partir do dia 15 de março, por causa de dificuldades financeiras

Wôlmer Ezequiel


Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, pode ser responsável por absorver os pacientes da microrregião de Caratinga

O Vale do Aço, que ainda enfrenta uma crise sem fim no sistema de saúde pública, pode receber mais uma sobrecarga, com a chegada de pacientes de outras microrregiões. Desde o dia 1º março o Hospital da Associação Mineira de Assistência à Saúde (Aminas), em Bom Jesus do Galho, está com os atendimentos suspensos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A demanda daquele município foi encaminhada para Caratinga, a cidade mais próxima. Ocorre que o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Caratinga, também suspendeu as atividades temporariamente, a partir do dia 15 de março, por causa de dificuldades financeiras. Com essa suspensão dos atendimentos nas unidades, uma das alternativas para os pacientes dessas cidades é buscar atendimento no Hospital Márcio Cunha (HMC), em Ipatinga, ou hospital municipal.

Conforme a assessoria da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), que administra o HMC, não é possível mensurar se houve um aumento de pacientes nessas últimas semanas, em função da suspensão dos atendimentos nos hospitais de cidades próximas. Porém, a FSFX assegurou que o HMC está preparado para receber esse possível aumento de demanda de pacientes.

"A FSFX informa que está ciente da crítica situação vivenciada pelo Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Caratinga, e se solidariza com a instituição nesse momento difícil. O HMC está recebendo os pacientes encaminhados pela Central de Regulação SUS Fácil de acordo com a capacidade de leitos SUS. Desde a suspensão dos atendimentos do Hospital de Caratinga, 180 pacientes da microrregião de Caratinga foram atendidos no HMC - que inclui a cidade de Bom Jesus do Galho", informou a fundação.
 
Bom Jesus do Galho

Conforme noticiado pelo Diário do Aço, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) de Bom Jesus do Galho, município localizado a 75 quilômetros de Ipatinga, estão sem atendimento hospitalar de urgência e emergência. O Hospital da Associação Mineira de Assistência à Saúde (Aminas) encerrou suas atividades pelo SUS no dia 1º de março. Desde então, os usuários da rede pública são encaminhados para unidades hospitalares de cidades próximas.

Na época, o secretário municipal de Saúde, Luiz Antônio da Silva, informou ao Diário do Aço que o desligamento do hospital com o SUS foi solicitado em novembro do ano passado. "A administração do hospital protocolou junto à Gerência Regional de Saúde e Ministério Público em novembro, esperou os quatro meses previsto em lei e encerrou as atividades. Então foi um pedido feito pelo proprietário do hospital".

A equipe do Diário do Aço também procurou a administração do Hospital Aminas, que se limitou a dizer que os convênios com o SUS foram encerrados devido ao atraso de repasses, do município e do estado de Minas Gerais. A administração afirmou que lamenta o fato, mas que a decisão foi tomada para manter a empresa em funcionamento.

Caratinga

Dias depois, o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Caratinga, que era uma das unidades responsáveis por absorver a demanda de pacientes de Bom Jesus do Galho, encerrou os atendimentos, no dia 15 de março.

Na época, a administração de Caratinga informou, por meio de nota, que no dia 23 de fevereiro, após uma reunião, foi criada uma Comissão de Acompanhamento, composta por técnicos da Secretaria de Estado da Saúde e secretários municipais de Saúde, com intuito de propor medidas corretivas para o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora. "Porém, tal comissão deparou-se com uma instituição falida, sem fluxo de caixa, sem reservas financeiras, com duas folhas de pagamentos atrasadas e o corpo clínico em fase de paralisação. Considerando a responsabilidade com a vida e o bem-estar dos cidadãos, e mesmo recebendo todos os recursos financeiros previstos para o mês de março, não haveria melhora na situação exposta. Desse modo, foi consenso do provedor Padre Moacir, com a comissão, encerrar os serviços e transferir a administração a uma empresa com expertise em gestão hospitalar", detalhou a nota.

Com isso, no dia da suspensão dos atendimentos do hospital, o governo municipal salientou que "em uma reunião emergencial, foram tomadas medidas com um grupo de técnicos e secretários de Saúde para a elaboração de um fluxo emergencial, visando à organização e condições de atendimento de toda a microrregião de saúde, por meio da UPA de Caratinga e do Hospital Casu-Irmã Denise, e a partir de parcerias com outros hospitais da região".

Expectativa

O provedor do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, Padre Moacir Ramos, informou à imprensa de Caratinga, nesse fim de semana, que o hospital em Caratinga deverá ser reaberto nos próximos dias. "Ainda não temos data definitiva, estamos fazendo estudo de viabilidade e planilhas de custos necessários para manutenção do nosso hospital. Estamos batalhando, dialogando e tentando construir essa decisão favorável", destacou.

Secretaria de Estado da Saúde deve mais de R$ 2,7 milhões a hospital

Procurado pelo Diário do Aço, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou, por meio de nota, que os repasses para as referidas instituições, Hospital Nossa Senhora Auxiliadora (Caratinga) e Aminas (Bom Jesus do Galho), são realizados via fundo estadual de saúde para o fundo municipal de saúde dos respectivos municípios. "Para o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora encontra-se pendente de repasse o valor de R$ 2.798.363,92, dois quais R$ 1.747.697,25 referente ao programa Prohosp e R$ 1.050.666,67 referente ao programa Rede Resposta. Já para a Aminas, o valor pendente de repasse é R$ 418 mil, referente ao programa Rede de Resposta", ressaltou.

Em relação aos débitos em atraso, a SES-MG destaca que entende ser de suma importância a regularização de tais repasses e o Governo de Minas está trabalhando para mudar essa realidade. "Para isso, está em fase de conclusão um planejamento financeiro que garanta repasses para as instituições prestadoras, de forma a gerar uma previsibilidade de receita para essas instituições", concluiu a nota.

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Comentários

Lais 15 de Abril, 2019 | 13:57
Estava em uma festa em Timóteo passei mal, e fui ate ao Vital Brasil, não quiseram me atender por eu não residir na cidade, e ainda me falaram que a UPA de la não fazia atendimento tbm para quem não for morador. Acho que Ipatinga deveria fazer a mesma coisa, o tanto de ambulância de fora que baixa naquela UPA não e brincadeira, aparece ambulância ate de Marte, de verdade acho que deveriam atender somente quem e da cidade ou então que comprovasse eque estaria na cidade a passeio ou a trabalho, fora isso manda p outra cidade.

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