O custo da marolinha

Marcelo Campos Neto *

Mesmo em meio a uma verdadeira campanha para desmoralizar o estudo, uma pesquisa do Datafolha revelou, na semana que passou, que a proposta de reforma da Previdência enviada ao Congresso pelo governo do presidente Jair Bolsonaro é rejeitada por 51% dos brasileiros e tem o apoio de 41% da população, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na quarta-feira (10).

O levantamento mostrou que, atualmente, a maioria da população é contra as idades mínimas para a aposentadoria. Entre os entrevistados, 65% disseram ser contra a idade mínima de 62 anos para as mulheres se aposentarem, e 53% se opuseram à idade de 65 anos para os homens.

Na média, o brasileiro espera parar de trabalhar aos 61 anos, de acordo com o levantamento, o que representa idade inferior à proposta pela reforma de Bolsonaro.

Apesar de a maioria da população ser contra a proposta de reforma da Previdência enviada pelo governo, a oposição é menor que a registrada contra a reforma proposta pelo governo do ex-presidente Michel Temer em 2017, às vésperas de o texto ser votado por comissão especial da Câmara. Na ocasião, 71% rejeitavam a reforma.

Mas, na prática, o que significa a reforma da previdência, além de exigir mais tempo de contribuição e mais anos de trabalho dos brasileiros?

Os analistas do mercado financeiro explicam que a proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, é que a reforma da Previdência garanta a economia de R$ 1 trilhão com menos pagamento de benefícios previdenciários, nos próximos dez anos, fazendo o equilíbrio das contas públicas do país. A dívida pública hoje está na casa dos R$ 5 trilhões.

Os economistas, entretanto, acreditam que a proposta do governo "tem muita gordura para queimar" e poderá sofrer alterações a serem apresentadas pelos deputados durante os debates daqui para a frente. Dessa forma, o governo ainda tem esperanças de garantir uma economia de R$ 800 bilhões, o que garante a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo.

Ao mercado financeiro isso tem grande interesse, porque atrai investidores e empresários, além do que a economia feita com o corte de benefícios será usada para pagar juros da dívida pública. É uma esperança para a retomada do crescimento da economia, estagnada desde 2008, quando houve a crise financeira mundial, a partir da crise no setor imobiliário e financeiro nos Estados Unidos.

É bom lembrar que, no leito dessa crise, o então presidente Lula a chamou de “marolinha” e manteve sua política econômica de incentivos fiscais a empresas e estímulo ao consumo, a fórmula parecia bem, até que foi descontinuada no governo Dilma, abalado com a instabilidade política e seguidas denúncias de corrupção. Em resumo, os dois ex-presidentes não fizeram os ajustes necessários, deixaram o dever-de-casa sem fazer e agora temos um governo pouco afeito a preocupações sociais empurrando para as costas do trabalhador o pagamento da dívida criada pela marolinha.

* Articulista, professor aposentado

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