08 de abril, de 2019 | 16:15

Mais do mesmo outra vez

Fernando Rocha

Divulgação
Fernando RochaFernando Rocha
Finalmente os retrógrados campeonatos estaduais chegam à reta final. E sabem vocês qual é a novidade? Nenhuma. Foi tudo como o previsto, ou seja, o mais do mesmo repetido entra ano sai ano.

Em três dos quatro torneios mais importantes do país a lógica prevalece: vamos ter Gre-Nal, no Rio Grande do Sul; Flamengo x Vasco, no Rio de Janeiro, e aqui nos nossos grotões, pra variar, Atlético x Cruzeiro farão a decisão do título.

No Paulista, Santos x Corinthians se enfrentaram em outra semifinal, ontem à noite, no Pacaembu, para se conhecer o adversário do São Paulo, que eliminou o Palmeiras domingo, nos pênaltis.

Estou entre os que defendem não a extinção pura e simples dos estaduais, mas uma reformulação completa na fórmula atual, que ficou totalmente defasada e em descompasso com o mundo de hoje, onde as competições que buscam mostrar novidades se renovam e aumentam a cada instante.

O torneio pode, sim, cumprir um papel relevante de integração regional, considerado o tamanho do nosso território, maior do que muitos países da Europa, entre eles a França, mas para isso precisa ser mais bem explorado, com uma fórmula mais atraente e menos onerosa para os clubes.

Tirando a imprensa festiva, que se beneficia comercialmente dessa leseira; a Federação, que leva uma parte significativa das receitas sem fazer quase nada para merecê-las; além de Atlético, Cruzeiro e América, que recebem quase 90% da verba pelos direitos de transmissão da TV, ninguém mais está satisfeito com este torneio sem graça, insosso, que foi tragado pelo tempo.

Muito fácil
A classificação do Cruzeiro, 3 a 0 no América, sábado, no Mineirão, foi mais fácil do que o mais otimista dos torcedores celestes esperava. Desde que a bola rolou, e mesmo poupando titulares, o time de Mano Menezes foi soberano, assim como já fizera na primeira partida, quando venceu o Coelho por 3 a 2, no Independência.

O público foi espetacular, o maior do Mineirão até aqui, 51.525 torcedores entre pagantes e não pagantes, que acompanharam a vitória celeste e viram seu time do coração garantir presença na primeira decisão do ano.
No domingo foi a vez do Galo levar outro grande público ao Mineirão, quase 45 mil torcedores que viram o alvinegro dar um vareio no Boa Esporte de Varginha, 5 a 0, confirmando a classificação para a sua 13ª final consecutiva no Mineiro.

Agora o foco da equipe muda para a Copa Libertadores. O Galo vai amanhã ao Paraguai para enfrentar o Cerro Porteño, e precisa da vitória, enquanto o Cruzeiro, no Mineirão, tenta confirmar a classificação para as Oitavas recebendo o Huracán, da Argentina.

FIM DE PAPO
• Notícia triste essa, da intenção do governo estadual de desativar a Rádio Inconfidência/AM, o ‘Gigante do Ar’, até o fim deste mês. Cresci ouvindo pelas Ondas Curtas da emissora grandes profissionais e verdadeiros ídolos, que me influenciam até hoje no trabalho diário de cronista esportivo. Muitos deles já passaram para o outro plano espiritual e fazem parte da história e do imaginário no rádio esportivo mineiro, como Jairo Anatólio Lima, Vilibaldo Alves, Valdir Rodrigues, Alair Rodrigues, Roberto Rocha e Marrocos Filho, entre outros que estarão sempre nas nossas lembranças.

• A desculpa de prejuízo financeiro para o fechamento da emissora fundada há 83 anos, que foi alegada pelo governo do Estado, não convence. Mais triste ainda é ver colegas que trabalham lá hoje, mesmo os concursados, sofrendo com a ameaça real de demissões. Infelizmente, a nossa categoria perdeu representação e capacidade de mobilização, a fim de poder resistir a situações como esta, que rodam na contramão da boa política de valorização da cultura, arte e educação neste país.

• Outro vexame do Ipatinga na Segundona estadual, ao ser derrotado sábado pelo até então lanterna da competição, o Democrata, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. Com a derrota e os demais resultados da rodada, o Tigre está virtualmente rebaixado para a 3ª Divisão. Vale ressaltar que o técnico Gerson Evaristo pegou o bonde andando e tem feito de tudo para salvar o Tigre, mas o elenco é muito fraco.

Toda a responsabilidade por mais este fracasso retumbante, que poderá mergulhar o Ipatinga Futebol Clube em uma nova crise de proporções imprevisíveis, deve ser atribuída à diretoria atual, cujo responsável é o presidente Cristiano Araújo, de fato um jovem muito esforçado, mas também pouco experiente.

• Seu maior erro foi delegar poderes totais a dois diretores, Altamiro ‘Tamirim’ e Amarildo Ribeiro, sendo que este último deixou o barco à deriva e foi dirigir a base do Cruzeiro. Os dois são os ‘gênios da lâmpada’ e conseguiram montar o pior grupo de jogadores nesses 21 anos de história da agremiação. Não há desculpa para mais este fracasso, o segundo rebaixamento em três anos à 3ª Divisão estadual, ainda mais considerando que uma vaga do descenso já seria do Tricordiano, que desistiu da disputa logo no início. Lamentável! (Fecha o pano!)
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