01 de abril, de 2019 | 15:45
Previsões se confirmam
Fernando Rocha
Depois de se arrastar por quase dois meses, com jogos que não valiam praticamente nada, os desgastados campeonatos estaduais ficam mais interessantes agora, devido às fases de mata-mata.Aqui nos nossos grotões está se desenhando uma lógica já prevista antes mesmo da bola rolar, a decisão entre Atlético e Cruzeiro, devido à superioridade em relação aos demais competidores.
Mesmo só empatando sem gols com o Boa Esporte, em Varginha, o Galo deve ir à final, pois vai jogar a segunda e decisiva partida no Mineirão, tendo a vantagem do empate por ter feito melhor campanha na fase anterior.
O Cruzeiro, com esta mesma vantagem do regulamento, já fincou um pé na final, ao derrotar o América por 3 a 2, no Independência, com três gols de Fred, que por causa disso assumiu também a artilharia do campeonato.
Muito chororô
Em campo, o Atlético voltou a mostrar um futebol de pouca eficiência, taticamente desorganizado e valendo-se mais da vontade de seus jogadores, cuja qualidade técnica superior garantiu ao menos o empate em Varginha.
Os dois gols corretamente anulados ainda no primeiro tempo, além da acertada expulsão do volante Zé Welison, por uma entrada violenta no adversário, com a interferência direta do VAR, foram motivo de muitas reclamações, a meu juízo infundadas.
Já o Cruzeiro venceu com autoridade, 3 a 2, no Independência, diante de apenas 6.746 torcedores, que viram um espetáculo morno no começo e salvo no final pela quantidade de gols anotados.
Resumo da ópera: o Cruzeiro ampliou a vantagem, que já era enorme, podendo agora até perder por diferença de um gol que estará classificado para ir à final e buscar o bicampeonato estadual.
FIM DE PAPO
Impressionante como as entidades que comandam o futebol agem para encher os seus cofres, à custa da exploração dos clubes, que são os verdadeiros donos do espetáculo. A Conmebol, por exemplo, é PhD neste assunto, já tendo arrecadado R$ 1,4 milhão só em multas contra os clubes na atual Libertadores.
O Galo é o mais penalizado, e até aqui já contabiliza cerca de R$ 300 mil em multas. Cada cartão amarelo na Libertadores significa 400 dólares a mais nos cofres da entidade, que arrecadou até agora algo em torno de R$ 500 mil só com os 323 amarelos aplicados pela arbitragem.
As entrevistas pós-jogo do Atlético, condenando a atuação do árbitro de vídeo (VAR), soaram como o famoso batom na cueca. A mais patética foi do diretor jurídico Lásaro Cunha, que sem argumentos para contestar a clareza das imagens nos gols anulados e a expulsão de Zé Welison, se perdeu e não disse coisa com coisa. O VAR é uma novidade e ainda vai demandar um tempo maior para que nos acostumemos com ele, bem como para que ele venha a ser aprimorado, diminuindo, sobretudo, o tempo nas tomadas de decisões.
Nessa de tentar explicar o inexplicável, após o vexame do empate contra o Panamá, o técnico da Seleção Brasileira, Tite, abusou no idioma no qual tem pós-doutorado. O titês voltou com tudo, inspirado, agora com novos termos escalafobéticos: faltou o externo desequilibrante (o ponta que dribla), sinapse no último terço do campo (troca de passes perto da área adversária) e performar o resultado (ter um bom desempenho). O titês é uma língua viva, hoje falada também pelos comentaristas da TV e alguns no rádio, e neste último caso, podemos citar chamarem o Estádio Independência de Indepa.
Desde priscas eras o futebol brasileiro revela treinadores, ora folclóricos, como Neném Prancha, que dirigiu clubes cariocas nos anos 1960 e dizia, entre outras coisas, que pênalti é tão importante que devia ser cobrado pelo presidente do clube; até Claudio Coutinho, que dirigiu a Seleção na Copa de 78 na Argentina, da mesma linhagem do mestre Tite, autor de expressões como overlapping, para designar a passagem do lateral que vai à linha de fundo.
Tivemos outros professores papai Joel Santana sozinho daria um livro - que também criaram pérolas notáveis e entraram para o folclore do futebol nacional: Vocês devem fazer a inversão da dinâmica do somatório, disse Robertinho, então técnico do Fluminense, numa preleção aos jogadores; A seleção precisa galgar parâmetros, disse Sebastião Lazaroni, ex-técnico da Seleção na Copa de 1990 na Itália.
A interação sinérgica dentro do período do post-mortem, disse Júlio César Leal, técnico de seleções de base; e a melhor de todas, em minha opinião, é: Vou aplicar no meu time a fórmula mais moderna do futebol, que consiste em recepção e expulsão de bola, relevo e cobertura, disse o saudoso Martim Francisco, que entre outros grandes clubes brasileiros dirigiu o Cruzeiro. (Fecha o pano!)
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