Concluído inquérito de vítima que teve dedos da mão decepados com facão

Investigação aponta participação de bando de adolescentes no violento crime ocorrido no bairro Judith Bhering, em Coronel Fabriciano

Reprodução de vídeo


Destemidos, menores de idade filmaram tortura e corte de dedos de jovem desafeto no mundo do crime

Um dos crimes de maior repercussão em Coronel Fabriciano já está na fase final de conclusão das investigações. Trata-se do caso de uma tortura praticada contra W.J.O.A., de 19 anos, que teve parte dos dedos decepados com um facão no dia 11 de fevereiro passado. O castigo foi gravado em vídeo e divulgado nas mídias sociais, o que ampliou a comoção em torno do caso. O envolvimento de um bando formado por oito adolescentes no fato já foi devidamente apurado, e só falta a conclusão da investigação da participação dos adultos.

O Diário do Aço teve acesso ao relatório em fase de conclusão das investigações do crime sofrido por W.J. Conforme o relatório, a vítima foi levada para uma casa, na rua Coríntios, no bairro Judith Bhering, que pertence a um dos adolescentes investigados, onde foi mantida em cárcere privado, torturada e ainda teve três dedos da mão esquerda (indicador, médio e anelar) decepados com um facão, agressão registrada em um vídeo de celular.

A vítima foi encaminhada ao Hospital Dr. José Maria de Morais. Quando já estava internado a Polícia Militar foi informada do caso de tortura. Os militares foram até a casa onde ocorreu o crime e apreenderam sete cartuchos de arma calibre 9 mm, cinco de calibre 38, porções de maconha, dinheiro, embalagens plásticas usadas para acondicionar drogas e ainda anotações do movimento do tráfico de drogas ilícitas. Marcas de sangue foram vistas nas paredes, móveis e piso.

Seis adolescentes, com idades de 14 a 17 anos, foram apreendidos pela PM e autuados em flagrante na delegacia de Polícia Civil pela delegada Tereza Júlia. Na residência, local do crime, foi encontrado o caixote utilizado para apoio no momento que os dedos da vítima foram cortados com um facão. O móvel é o mesmo que aparece nas imagens do vídeo divulgado pelos próprios envolvidos.

No dia das apreensões, os policiais encontraram ainda cinco quilos de maconha que pertenceria à quadrilha. Em depoimento à equipe do delegado Alexandro Silveira Caetano, a vítima relatou que conhece todos os envolvidos no crime. Ele apontou os nomes de todos e informou que a ordem partiu de um dos dois irmãos, líderes da quadrilha, que mesmo preso, deu ordens e orientações, pelo telefone, de como seu grupo deveria proceder.

Jovem acredita que foi castigado por deixar a quadrilha

No depoimento na Delegacia da PC em Coronel Fabriciano, o jovem que teve os dedos da mão esquerda decepados depois de uma sessão de tortura, disse acreditar que a motivação da tortura tenha relação com o fato dele deixar de participar da quadrilha que comando o tráfico de drogas na região dos bairros Caladão e Manoel Maia, facção conhecida como "Bonde do Manoel Maia". Apesar de todos os indícios e as declarações de W.J., os adolescentes investigados negaram participação no crime.

Em entrevista ao Diário do Aço, o delegado Alexandro informou que dos dez adolescentes investigados, oito foram apontados como participantes da tortura. Eles foram indiciados por atos infracionais, conforme o Estatuto da Criança e Adolescente, análogos à associação criminosa, cárcere privado, tortura, posse de munição, associação para o tráfico, tráfico de drogas ilícitas e grave ameaça na lei de Tóxicos e Entorpecentes.

De acordo com o delegado, o caso foi encaminhado para a Justiça e dos oito adolescentes, seis já se encontram internados em algum Centro Socioeducativo. Os outros dois adolescentes também poderão ser internados sob determinação da Justiça. "As investigações continuam para a verificação de outras pessoas no crime", adiantou Alexandro Silveira em entrevista ao Diário do Aço.

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Comentários

Sabe Tudo 21 de Março, 2019 | 11:14
E que fique claro que trm muits gente grande de olho neste caso, a comissao de direitos humanos da assembleia de minas , dep leninha , a procuradoria do estado , todos de ollhos abertos, vamos agora aguardar o resultado da pericia no celular do preso eliel e ver os proximos passos, queremos tambem saber porque o perito foi chamado e nao compareceu
Carlos 21 de Março, 2019 | 10:01
Ate quando Elizeu e Elieu vai ficar mandando matar toda a cidade via telefone de dentronda cadeia. Que policia e essa de Fabriciano? A PM nao faz nada nem a PC
Sacapó 21 de Março, 2019 | 08:53
Exaltação para quem valoriza bandido menor.
Se prendesse e metesse o cacete, consertava.
Zoio de Zoiar 21 de Março, 2019 | 08:07
O ser humano só respeita o que teme. Enquanto tivermos leis frouxas, infelizmente essas ações irão se repetir. Enquanto esses bandidos forem tratados como crianças e adolescentes ingênuos, eles vão deitar e rolar. C tem capacidade para cometer crime e manusear armas , tem capacidade para ser punido de forma severa. Lembre-se que quem poupa o lobo , sacrifica a ovelha.

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